'A prioridade sempre é denunciar as violações de direitos humanos', diz Roberto Cabrini na Ucrânia

Roberto Cabrini durante a cobertura da guerra na Ucrânia Arquivo pessoal Fazer a cobertura de uma guerra é algo para poucos. No Brasil um dos nomes mais conhecidos nessa área é do repórter da Record TV Roberto Cabrini. O jornalista está sempre onde a história está sendo escrita e não podia ser diferente com a guerra na Ucrânia. Cabrini está no front, ou seja, na região onde as tropas russas e ucranianas estão se enfrentando diretamente. O risco de ser atingido por um disparo ou pelos estilhaços de uma bomba é grande e a prova disso é que três jornalistas morreram nos últimos dias. “É essencial cruzar essa região delicada, pois é onde documentamos a dramática tentativa de fuga da população local e as constantes violações dos direitos humanos de civis indefesos”, conta Cabrini em entrevista ao R7 diretamente do país em guerra. O correspondente explica que o local onde está havendo um combate pode mudar drasticamente em questão de minutos, esse é um outro risco para quem está diante do perigo. Cabrini conta que a guerra unificou a população ucraniana para lutar contra os russos, independentemente da pessoa ter uma formação militar ou não. “A Ucrânia está unificada pela necessidade de combater o agressor externo. Lado a lado vemos soldados treinados e voluntários que antes nunca tinham usado uma arma, todos dispostos a morrer pelo seu país.” Histórias da guera Apesar da vasta experiência em locais de conflito, estar onde militares estão em combate enquanto mulheres, crianças e idosos tentam fugir desesperadamente é sempre uma experiência que mexe com os sentimentos. O jornalista conta dois momentos que ficaram em sua memória até agora em sua cobertura da guerra no Leste Europeu. Roberto Cabrini diante de um prédio destruído após bombardeios na Ucrânia Arquivo pessoal “Um dos momentos mais marcantes que vivi foi no hospital infantil em Kiev, onde médicos lutavam para realizar cirurgias complicadas enquanto a área era bombardeada. Até chegar a um limite no qual as crianças eram retiradas do prédio mesmo em estado grave.” A prioridade é sempre denunciar as violações de direitos humanos constantemente sofridas pela população civil Roberto Cabrini, repórter da Record TV Mesmo nessa situação caótica, um repórter não abandona a busca por boas histórias. Cabrini lembra que foi em meio a dor de crianças e mães que ele conheceu o Dr. Pavlo, um neurocirurgião que lutava para salvar como podia quem chegava em busca de atendimento. Outro momento que ficou registrado na memória ocorreu na cidade de Irpin durante a retirada da população civil sob o fogo cruzado dos dois exércitos. “Enquanto mostravam a tentativa de escapar dos refugiados, um pesado bombardeio acontecia”, lembra. Morrer trabalhando A morte do jornalista Brent Renaud, no último domingo (13), foi notícia no mundo todo. A perda de um profissional da imprensa durante o trabalho de documentar e relatar o que está acontecendo na guerra abala correspondentes de todas as nacionalidades. Naquele dia, Cabrini estava bem próximo do local em que um ataque russo matou o colega de profissão e lembra do risco que correu. “No dia em que o jornalista americano foi morto em Irpin estávamos a apenas dois quilômetros em um outro setor da cidade chamado Stoyianka documentando a situação dos refugiados sob bombardeio. Essa foi a situação de maior risco que vivemos, mas era preciso mostrar o que estava acontecendo”.         Relatos históricos Roberto Cabrini Ucrânia Arquivo pessoal         Cabrini esteve nas maiores guerras que aconteceram nas últimas décadas. O trabalho levou o jornalista para países distantes para contar ao público brasileiro o que via, sentia e escutava. “Minha primeira cobertura de guerra foi na Palestina nos anos 90. Depois vieram Iraque, Camboja, Afeganistão, Caxemira (Índia), Somália e agora Ucrânia”. No Iraque e no Afeganistão, ele esteve três vezes em diferentes tempos dos conflitos. Dois meses antes de embarcar rumo à Ucrânia, ele estava documentando a volta do Talibã no Afeganistão depois de 20 anos, um dos fatos mais importantes da história recente. Diante de tanta violência e de tantas mortes que cruzam o caminho do repórter, Cabrini é claro ao comentar a importância de seu trabalho. “A prioridade é sempre denunciar as violações de direitos humanos constantemente sofridas pela população civil”.

'A prioridade sempre é denunciar as violações de direitos humanos', diz Roberto Cabrini na Ucrânia
Roberto Cabrini durante a cobertura da guerra na Ucrânia
Roberto Cabrini durante a cobertura da guerra na Ucrânia Arquivo pessoal

Fazer a cobertura de uma guerra é algo para poucos. No Brasil um dos nomes mais conhecidos nessa área é do repórter da Record TV Roberto Cabrini. O jornalista está sempre onde a história está sendo escrita e não podia ser diferente com a guerra na Ucrânia.

Cabrini está no front, ou seja, na região onde as tropas russas e ucranianas estão se enfrentando diretamente. O risco de ser atingido por um disparo ou pelos estilhaços de uma bomba é grande e a prova disso é que três jornalistas morreram nos últimos dias.

“É essencial cruzar essa região delicada, pois é onde documentamos a dramática tentativa de fuga da população local e as constantes violações dos direitos humanos de civis indefesos”, conta Cabrini em entrevista ao R7 diretamente do país em guerra.

O correspondente explica que o local onde está havendo um combate pode mudar drasticamente em questão de minutos, esse é um outro risco para quem está diante do perigo.

Cabrini conta que a guerra unificou a população ucraniana para lutar contra os russos, independentemente da pessoa ter uma formação militar ou não. “A Ucrânia está unificada pela necessidade de combater o agressor externo. Lado a lado vemos soldados treinados e voluntários que antes nunca tinham usado uma arma, todos dispostos a morrer pelo seu país.”

Histórias da guera

Apesar da vasta experiência em locais de conflito, estar onde militares estão em combate enquanto mulheres, crianças e idosos tentam fugir desesperadamente é sempre uma experiência que mexe com os sentimentos. O jornalista conta dois momentos que ficaram em sua memória até agora em sua cobertura da guerra no Leste Europeu.

Roberto Cabrini diante de um prédio destruído após bombardeios na Ucrânia
Roberto Cabrini diante de um prédio destruído após bombardeios na Ucrânia Arquivo pessoal

“Um dos momentos mais marcantes que vivi foi no hospital infantil em Kiev, onde médicos lutavam para realizar cirurgias complicadas enquanto a área era bombardeada. Até chegar a um limite no qual as crianças eram retiradas do prédio mesmo em estado grave.”

A prioridade é sempre denunciar as violações de direitos humanos constantemente sofridas pela população civil

Roberto Cabrini, repórter da Record TV

Mesmo nessa situação caótica, um repórter não abandona a busca por boas histórias. Cabrini lembra que foi em meio a dor de crianças e mães que ele conheceu o Dr. Pavlo, um neurocirurgião que lutava para salvar como podia quem chegava em busca de atendimento.

Outro momento que ficou registrado na memória ocorreu na cidade de Irpin durante a retirada da população civil sob o fogo cruzado dos dois exércitos. “Enquanto mostravam a tentativa de escapar dos refugiados, um pesado bombardeio acontecia”, lembra.

Morrer trabalhando

A morte do jornalista Brent Renaud, no último domingo (13), foi notícia no mundo todo. A perda de um profissional da imprensa durante o trabalho de documentar e relatar o que está acontecendo na guerra abala correspondentes de todas as nacionalidades. Naquele dia, Cabrini estava bem próximo do local em que um ataque russo matou o colega de profissão e lembra do risco que correu.

“No dia em que o jornalista americano foi morto em Irpin estávamos a apenas dois quilômetros em um outro setor da cidade chamado Stoyianka documentando a situação dos refugiados sob bombardeio. Essa foi a situação de maior risco que vivemos, mas era preciso mostrar o que estava acontecendo”.

 

 

 

 

Relatos históricos
Roberto Cabrini Ucrânia
Roberto Cabrini Ucrânia Arquivo pessoal

 

 

 

 

Cabrini esteve nas maiores guerras que aconteceram nas últimas décadas. O trabalho levou o jornalista para países distantes para contar ao público brasileiro o que via, sentia e escutava.
“Minha primeira cobertura de guerra foi na Palestina nos anos 90. Depois vieram Iraque, Camboja, Afeganistão, Caxemira (Índia), Somália e agora Ucrânia”.

No Iraque e no Afeganistão, ele esteve três vezes em diferentes tempos dos conflitos. Dois meses antes de embarcar rumo à Ucrânia, ele estava documentando a volta do Talibã no Afeganistão depois de 20 anos, um dos fatos mais importantes da história recente.

Diante de tanta violência e de tantas mortes que cruzam o caminho do repórter, Cabrini é claro ao comentar a importância de seu trabalho. “A prioridade é sempre denunciar as violações de direitos humanos constantemente sofridas pela população civil”.