Amazônia Bonita: padre dedica a vida a ajudar pessoas em tratamento contra o câncer no AP

Conhecido em todo o estado pelo trabalho voluntário, "padre Paulo" criou um instituto em homenagem ao amigo que morreu vítima da doença. Amazônia Bonita: padre faz trabalho voluntário com pacientes oncológicos no Amapá O nome de batismo é Paulo Roberto da Conceição Matias de Souza, mas é chamado carinhosamente por todos de "padre Paulo". Além da devoção ao catolicismo, ele é militante da cultura negra amapaense, do combate ao racismo e ao preconceito religioso. Há mais de 12 anos ele assumiu a maior missão que teve ao longo da vida: o Instituto de Prevenção ao Câncer Joel Magalhães (Ijoma). "Eu lembro que tudo começou quando eu tinha 11 anos, vi a primeira pessoa com câncer na minha vida: dona Joana, uma senhora de 72 anos, com câncer de garganta. Aquilo me tocou de uma tal forma... e ver o sofrimento daquela mulher me marcou para sempre. Depois, ainda criança, eu vi outras pessoas morrendo e aquilo me impactava", relembrou o padre. Padre realizou o sonho de infância: ajudar pacientes com câncer Danillo Borralho/Rede Amazônica Aos 21 anos de idade, Paulo Roberto decidiu entrar para o seminário. Anos depois, ele perdeu alguns amigos e até a própria irmã para o câncer. Mas a vontade de ajudar pessoas que estão em tratamento contra o doença começou ainda lá atrás, quando ele ainda era apenas um garoto. Em 2010 o sonho virou realidade, com a fundação do Ijoma. Durante os 62 anos de vida ele conta que sempre ouviu de pacientes com câncer a mesma frase: "lembre de mim". "Eu me questionava: 'por que essas pessoas pedem para lembrar delas?'. Depois de 10 anos como padre, eu encontrei o Joel Magalhães, que era um jovem de 21 anos, do Maranhão. Joel era andarilho, não tinha parentes em Macapá e eu fui aconselhado a mandá-lo de volta para o estado dele para morrer. Naquele momento eu tomei a decisão de cuidar dele [...]. Ele foi para Belém, ficou por 3 meses e morreu no dia que foi atendido", contou. Padre Paulo fez então uma promessa, a partir daquele momento, ele ia se dedicar a fazer pelas pessoas tudo o que não conseguiu fazer pelo amigo, Joel Magalhães, que dá nome ao Instituto coordenado por ele. O padre sempre foi regido pela fé e a vontade de ajudar as pessoas Acervo Pessoal/Reprodução "Na véspera de morrer, falei com ele por ligação e ele disse: 'Vivo ou morto, me levem para Macapá e se eu falecer, não esqueçam de mim'", relembrou o padre sobre a trajetória do amigo. O projeto começou com o apoio da comunidade, e mesmo ainda sem dinheiro ou estrutura, carregava a força de vontade coletiva. Aos poucos foi possível criar o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e alguns espaços foram doados temporariamente para sediar o Ijoma. Anos depois, a prefeitura de Macapá doou um terreno, onde foi construída a sede oficial do instituto, que hoje oferta uma série de atendimentos. "Eu percebi que tinha que ir mais além, tinha que sair somente da oração e ir para a prática. E nas minhas orações eu sempre pedia que o poder público, alguém mais capacitado que eu, fizesse alguma coisa. Mas vi que os doentes continuavam passando dificuldades, a estrutura do câncer no Amapá era muito limitada, e eu percebi que ali Deus me chamava", disse. Paulo guarda fotos das primeiras missas que celebrou durante a trajetória como padre Acervo Pessoal/Reprodução E foi acreditando que era possível ofertar um atendimento mais humanizado e para qualquer classe social, que o padre praticamente largou a vida pessoal para conseguir tocar o instituto. O local já conseguiu atender mais de 100 mil pessoas que chegam no projeto em busca da cura para o corpo e também para a alma. Djanira Graça da Costa, foi uma das pessoas acolhidas no Ijoma. Ela foi até o local em busca de ajuda para o filho Elias e relembra com carinho do apoio que toda a família recebeu em uma das fases mais difíceis da vida do filho. "Quando eu cheguei, o Ijoma abriu as portas para mim e daqui os médicos se empenharam e conseguiram uma consulta em Porto Velho para o meu filho. Viajei e lá ele fez tratamento. Elias já fez 8 cirurgias e aqui eu tenho muito apoio e só tenho a agradecer, porque foi aqui que eu encontrei ajuda", afirmou a idosa, emocionada. Djanira Graça da Costa procurou ajuda no Ijoma para o filho com câncer Danillo Borralho/Rede Amazônica Paulo também desenvolve projetos na área da cultura e levou toda essa alegria para dentro do Ijoma, para levantar o astral de pacientes atendidos na casa de apoio. "Nós nunca havíamos nos falado, éramos amigos apenas nas redes sociais. Eu acompanhava o pensamento dele por lá e também nas missas que eu assistia, e espiritualmente, nos aproximamos a partir de uma grande ideia que ele teve, que foi a Academia Amapaense de Batuque e Marabaixo", contou o artista e amigo, Carlos Piru. Carlos Piru se tornou amigo do padre e hoje os dois dividem projetos de incentivo à cultura amapaense Danillo Borralho/Rede Amazônica "No Ijoma nós sabemos que são feitos diversos atendimentos para as pessoas, com esse deslumbre e essa visualização qu

Amazônia Bonita: padre dedica a vida a ajudar pessoas em tratamento contra o câncer no AP

Conhecido em todo o estado pelo trabalho voluntário, "padre Paulo" criou um instituto em homenagem ao amigo que morreu vítima da doença. Amazônia Bonita: padre faz trabalho voluntário com pacientes oncológicos no Amapá O nome de batismo é Paulo Roberto da Conceição Matias de Souza, mas é chamado carinhosamente por todos de "padre Paulo". Além da devoção ao catolicismo, ele é militante da cultura negra amapaense, do combate ao racismo e ao preconceito religioso. Há mais de 12 anos ele assumiu a maior missão que teve ao longo da vida: o Instituto de Prevenção ao Câncer Joel Magalhães (Ijoma). "Eu lembro que tudo começou quando eu tinha 11 anos, vi a primeira pessoa com câncer na minha vida: dona Joana, uma senhora de 72 anos, com câncer de garganta. Aquilo me tocou de uma tal forma... e ver o sofrimento daquela mulher me marcou para sempre. Depois, ainda criança, eu vi outras pessoas morrendo e aquilo me impactava", relembrou o padre. Padre realizou o sonho de infância: ajudar pacientes com câncer Danillo Borralho/Rede Amazônica Aos 21 anos de idade, Paulo Roberto decidiu entrar para o seminário. Anos depois, ele perdeu alguns amigos e até a própria irmã para o câncer. Mas a vontade de ajudar pessoas que estão em tratamento contra o doença começou ainda lá atrás, quando ele ainda era apenas um garoto. Em 2010 o sonho virou realidade, com a fundação do Ijoma. Durante os 62 anos de vida ele conta que sempre ouviu de pacientes com câncer a mesma frase: "lembre de mim". "Eu me questionava: 'por que essas pessoas pedem para lembrar delas?'. Depois de 10 anos como padre, eu encontrei o Joel Magalhães, que era um jovem de 21 anos, do Maranhão. Joel era andarilho, não tinha parentes em Macapá e eu fui aconselhado a mandá-lo de volta para o estado dele para morrer. Naquele momento eu tomei a decisão de cuidar dele [...]. Ele foi para Belém, ficou por 3 meses e morreu no dia que foi atendido", contou. Padre Paulo fez então uma promessa, a partir daquele momento, ele ia se dedicar a fazer pelas pessoas tudo o que não conseguiu fazer pelo amigo, Joel Magalhães, que dá nome ao Instituto coordenado por ele. O padre sempre foi regido pela fé e a vontade de ajudar as pessoas Acervo Pessoal/Reprodução "Na véspera de morrer, falei com ele por ligação e ele disse: 'Vivo ou morto, me levem para Macapá e se eu falecer, não esqueçam de mim'", relembrou o padre sobre a trajetória do amigo. O projeto começou com o apoio da comunidade, e mesmo ainda sem dinheiro ou estrutura, carregava a força de vontade coletiva. Aos poucos foi possível criar o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e alguns espaços foram doados temporariamente para sediar o Ijoma. Anos depois, a prefeitura de Macapá doou um terreno, onde foi construída a sede oficial do instituto, que hoje oferta uma série de atendimentos. "Eu percebi que tinha que ir mais além, tinha que sair somente da oração e ir para a prática. E nas minhas orações eu sempre pedia que o poder público, alguém mais capacitado que eu, fizesse alguma coisa. Mas vi que os doentes continuavam passando dificuldades, a estrutura do câncer no Amapá era muito limitada, e eu percebi que ali Deus me chamava", disse. Paulo guarda fotos das primeiras missas que celebrou durante a trajetória como padre Acervo Pessoal/Reprodução E foi acreditando que era possível ofertar um atendimento mais humanizado e para qualquer classe social, que o padre praticamente largou a vida pessoal para conseguir tocar o instituto. O local já conseguiu atender mais de 100 mil pessoas que chegam no projeto em busca da cura para o corpo e também para a alma. Djanira Graça da Costa, foi uma das pessoas acolhidas no Ijoma. Ela foi até o local em busca de ajuda para o filho Elias e relembra com carinho do apoio que toda a família recebeu em uma das fases mais difíceis da vida do filho. "Quando eu cheguei, o Ijoma abriu as portas para mim e daqui os médicos se empenharam e conseguiram uma consulta em Porto Velho para o meu filho. Viajei e lá ele fez tratamento. Elias já fez 8 cirurgias e aqui eu tenho muito apoio e só tenho a agradecer, porque foi aqui que eu encontrei ajuda", afirmou a idosa, emocionada. Djanira Graça da Costa procurou ajuda no Ijoma para o filho com câncer Danillo Borralho/Rede Amazônica Paulo também desenvolve projetos na área da cultura e levou toda essa alegria para dentro do Ijoma, para levantar o astral de pacientes atendidos na casa de apoio. "Nós nunca havíamos nos falado, éramos amigos apenas nas redes sociais. Eu acompanhava o pensamento dele por lá e também nas missas que eu assistia, e espiritualmente, nos aproximamos a partir de uma grande ideia que ele teve, que foi a Academia Amapaense de Batuque e Marabaixo", contou o artista e amigo, Carlos Piru. Carlos Piru se tornou amigo do padre e hoje os dois dividem projetos de incentivo à cultura amapaense Danillo Borralho/Rede Amazônica "No Ijoma nós sabemos que são feitos diversos atendimentos para as pessoas, com esse deslumbre e essa visualização que o padre Paulo tem. E com o marabaixo nós trazemos a alegria para as pessoas que estão enfermas, através da cultura do nosso estado. O nosso motivo maior é esse, trazer alegria", explicou Elísia Congó, marabaixeira. Elísia Congó também ajuda em projetos no Ijoma, através do marabaixo Danillo Borralho/Rede Amazônica E foi no projeto, que milhares de pessoas ao longo de 12 anos, encontraram vontade de viver, de sorrir, se olhar no espelho e de se acharem lindas, sem o sentimento de vergonha, e também entenderam que… "É direito do cidadão ter uma saúde de qualidade no Brasil. E morrer é algo tão natural... o que não é natural, é morrer urrando de dor", lamentou padre Paulo. População em Macapá pode buscar serviços gratuitos no Ijoma Danillo Borralho/Rede Amazônica Veja o plantão de últimas notícias do G1 Amapá VÍDEOS com as notícias do Amapá: