Corpo de prefeito ucraniano é exumado para perícia examinar se morte foi crime de guerra

Parentes choram pela morte do prefeito de Gostomel Fadel Senna/AFP - 12.04.2022 O corpo do prefeito de Gostomel, Yuri Prylypko, foi exumado na útltima terça-feira (12). Em 7 de março, o ucraniano foi assassinado quando os soldados russos entraram na pequena cidade ao noroeste de Kiev, onde havia uma base militar. Yuri Prylypko "era um grande patriota, um grande homem", afirmou o padre Petro Pavlenko. "Ele era amado". De acordo com a prefeitura, Prylypko foi assassinado quando distribuía "pão e remédios aos doentes e feridos". Veja também Internacional Ucrânia alega falta de segurança e não fará corredores humanitários nesta quarta-feira (13) Internacional Rússia afirma que mais de 1.000 soldados ucranianos se renderam na cidade de Mariupol Internacional 'Se ficássemos mais um dia, provavelmente teríamos morrido', diz ucraniana que vivia em Bucha "Morreu pela comunidade, por Gostomel, morreu como um herói", afirmou o município em um comunicado, no qual explicava que, devido às circunstâncias, não era possível organizar o funeral. O corpo foi exumado por investigadores ucranianos, que tentam determinar se a morte de Prylipko é um crime de guerra. Ao lado do túmulo, sua esposa, Valentyna, começou a chorar ao ver o corpo do marido. A polícia registrou imagens de cada ferimento no corpo do prefeito. "400 desaparecidos" Gostomel, atacada um dia depois do início da invasão russa da Ucrânia, 25 de fevereiro, é um dos pontos estratégicos onde as tropas conseguiram deter a ofensiva rumo à capital Kiev. Desde que a Rússia anunciou a retirada de suas forças da região de Kiev (para concentrar-se na ofensiva na região leste), os ucranianos retomaram o controle das cidades chaves na periferia da capital. Todas foram destruídas pelos combates. As autoridades ucranianas citam "massacres" e acusam Moscou de "crimes de guerra". Em Bucha, a poucos quilômetros ao sul de Gostomel, as imagens de corpos com trajes civis em uma rua, com as mãos amarradas às costas, chocaram o mundo. O presidente russo Vladimir Putin voltou a repetir na terça-feira que as imagens eram falsas. Com 17 mil habitantes antes da guerra, Gostomel também sofreu durante os dias de guerra. "O município calcula que 400 pessoas estão desaparecidas", afirmou o procurador regional Andrii Tkatch. "Tentamos determinar quem os matou. É possível que não encontremos todos os corpos". O procurador considera difícil determinar a causa da morte do prefeito de Gostomel. "De acordo com as primeiras informações, ele morreu sem motivo particular, ao lado de seu motorista", disse Tkatch, que acompanhou a exumação com um colete que tinha a frase: "Procurador para crimes de guerra". Leia também Joe Biden acusa Vladimir Putin de genocídio por guerra na Ucrânia Crimes de guerra: uma violação grave e geralmente impune Ucrânia diz que negociação com a Rússia continua apesar de dificuldade Dois enterros No mesmo dia foram exumados outros corpos no âmbito da investigação, incluindo o de Oleksandr Karpenko, enterrado em um jardim. Os corpos das vítimas foram levados para uma caminhonete refrigerada, a 5,7º C, para aguardar a autópsia. O veículo tinha entre 30 e 40 cadáveres.  "Nunca fiz isto em minha vida, mas nossos cidadãos são assassinados e temos que enterrá-los da maneira correta", afirma Igor Karpichen, ao carregar um corpo. "Não tenho palavras para descrever o que sinto", acrescenta. Mas, depois de fechar as portas do veículo como quem encerra um capítulo sombrio da história da cidad, Karpichen afirma: "Agora vivemos em paz".

Corpo de prefeito ucraniano é exumado para perícia examinar se morte foi crime de guerra
Parentes choram pela morte do prefeito de Gostomel
Parentes choram pela morte do prefeito de Gostomel Fadel Senna/AFP - 12.04.2022

O corpo do prefeito de Gostomel, Yuri Prylypko, foi exumado na útltima terça-feira (12). Em 7 de março, o ucraniano foi assassinado quando os soldados russos entraram na pequena cidade ao noroeste de Kiev, onde havia uma base militar.

Yuri Prylypko "era um grande patriota, um grande homem", afirmou o padre Petro Pavlenko. "Ele era amado".

De acordo com a prefeitura, Prylypko foi assassinado quando distribuía "pão e remédios aos doentes e feridos".

"Morreu pela comunidade, por Gostomel, morreu como um herói", afirmou o município em um comunicado, no qual explicava que, devido às circunstâncias, não era possível organizar o funeral.

O corpo foi exumado por investigadores ucranianos, que tentam determinar se a morte de Prylipko é um crime de guerra.

Ao lado do túmulo, sua esposa, Valentyna, começou a chorar ao ver o corpo do marido. A polícia registrou imagens de cada ferimento no corpo do prefeito.

"400 desaparecidos"


Gostomel, atacada um dia depois do início da invasão russa da Ucrânia, 25 de fevereiro, é um dos pontos estratégicos onde as tropas conseguiram deter a ofensiva rumo à capital Kiev.

Desde que a Rússia anunciou a retirada de suas forças da região de Kiev (para concentrar-se na ofensiva na região leste), os ucranianos retomaram o controle das cidades chaves na periferia da capital.

Todas foram destruídas pelos combates. As autoridades ucranianas citam "massacres" e acusam Moscou de "crimes de guerra".

Em Bucha, a poucos quilômetros ao sul de Gostomel, as imagens de corpos com trajes civis em uma rua, com as mãos amarradas às costas, chocaram o mundo. O presidente russo Vladimir Putin voltou a repetir na terça-feira que as imagens eram falsas.

Com 17 mil habitantes antes da guerra, Gostomel também sofreu durante os dias de guerra. "O município calcula que 400 pessoas estão desaparecidas", afirmou o procurador regional Andrii Tkatch. "Tentamos determinar quem os matou. É possível que não encontremos todos os corpos".

O procurador considera difícil determinar a causa da morte do prefeito de Gostomel. "De acordo com as primeiras informações, ele morreu sem motivo particular, ao lado de seu motorista", disse Tkatch, que acompanhou a exumação com um colete que tinha a frase: "Procurador para crimes de guerra".

Dois enterros

No mesmo dia foram exumados outros corpos no âmbito da investigação, incluindo o de Oleksandr Karpenko, enterrado em um jardim.

Os corpos das vítimas foram levados para uma caminhonete refrigerada, a 5,7º C, para aguardar a autópsia. O veículo tinha entre 30 e 40 cadáveres. 

"Nunca fiz isto em minha vida, mas nossos cidadãos são assassinados e temos que enterrá-los da maneira correta", afirma Igor Karpichen, ao carregar um corpo.

"Não tenho palavras para descrever o que sinto", acrescenta. Mas, depois de fechar as portas do veículo como quem encerra um capítulo sombrio da história da cidad, Karpichen afirma: "Agora vivemos em paz".