‘Esquartejar a Petrobrás é esquartejar o Brasil’, dizem especialistas durante seminário

Seminário contra o desmonte da Petrobrás, produzido pela Fundação Maurício Gabrois, através da Cátedra Claudio Campo, reuniu especialistas em Petróleo, no último dia 23 “A Petrobrás foi esquartejada, transformada num fundo de investimento e vendida aos interesses privados. Foram a BR, os gasodutos, duas refinarias. É o Brasil que estamos discutindo, é o domínio por […] O post ‘Esquartejar a Petrobrás é esquartejar o Brasil’, dizem especialistas durante seminário apareceu primeiro em Hora do Povo.

‘Esquartejar a Petrobrás é esquartejar o Brasil’, dizem especialistas durante seminário

Seminário contra o desmonte da Petrobrás, produzido pela Fundação Maurício Gabrois, através da Cátedra Claudio Campo, reuniu especialistas em Petróleo, no último dia 23

“A Petrobrás foi esquartejada, transformada num fundo de investimento e vendida aos interesses privados. Foram a BR, os gasodutos, duas refinarias. É o Brasil que estamos discutindo, é o domínio por interesses não brasileiros do capital financeiro internacional, que nem mais sede tem, mas tem o governo dos EUA. Nós somos uma colônia. Perdemos nossa soberania. Esse governo é um governo de ocupação estrangeira. Temos que eleger Lula, mas com a firme convicção e decisão de revermos tudo o que foi feito nesse período”, afirmou Guilherme Estrella, ex-diretor de exploração e produção da Petrobrás, “pai do pré-sal”, durante sua palestra no Seminário sobre o ‘Desmonte do Setor Elétrico’, realizado no dia 23 de maio e promovido pela Fundação Maurício Gabrois, através da Cátedra Claudio Campos.

Renato Rabelo, presidente da Fundação, abriu os trabalhos declarando que “a estatal BR era um oligopólio estatal que deveria regular os preços dos combustíveis, segundo o interesse nacional. Agora, sob o comando de empresas privadas, torna-se impossível essa regulação”. Para Rabelo, “em toda a história de nossa República, não se chegou a tal ordem de ataque, retrocesso e desmonte de nossas instituições democráticas”. O Seminário foi coordenado por Rosanita Campos, e mediado por Jorge Venâncio.

DESABASTECIMENTO

“Está previsto para julho um desabastecimento e racionamento de combustível na Europa e na costa leste dos EUA. No Brasil, a Petrobrás virou uma empresa sem missão. Se tornou uma empresa de transferência de valores aos acionistas. Mantida a PPI (política de Preços de Paridade de Importação), o desabastecimento se estenderá por toda a safra, até setembro, com o diesel a 10 reais na bomba”. A avaliação foi apresentada pelo engenheiro Carlos Rizzo, durante sua exposição.

Segundo Rizzo, “os EUA consideram que seu principal adversário econômico e geopolítico é a China. A guerra da Ucrânia entra como um catalizador entre as potências. Os EUA instigam as sanções contra a Rússia, enquanto tentam incorporar a Europa com seus 700 milhões de habitantes ao mercado interno americano. Tentam quebrar os fortes laços energéticos que existem entre a Rússia e a Europa e, em simultâneo, diminuir a influência comercial da China com a Europa. O petróleo russo que abastecia a Europa deve se deslocar para Ásia. A Europa passa a buscar seu abastecimento no Oriente Médio. Isso leva a um completo desequilíbrio, principalmente no diesel. Está previsto racionamento para daqui a 30 dias na Europa e na costa leste dos EUA para o mês de julho. Isso significa o desabastecimento no Brasil durante a próxima safra”.

Fernando Siqueira, ex-presidente da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobrás), denunciou que “na década de 80, o departamento de Defesa dos EUA tinha duas diretrizes que nos afetavam diretamente. Uma, impedir que países com potencial hegemônico se desenvolvam, e coalizões hostis, ou seja, impedir o desenvolvimento do Brasil e o Mercosul. Dois, o acesso incondicional às fontes de energia”.

Disse Siqueira: “A Noruega, segundo país mais pobre da Europa, se tornou, com a descoberta do petróleo, o país mais rico da Europa. Isso significa, no caso do Brasil, desnacionalizar o petróleo”.

PRÓ-ESPECULADOR

Para Siqueira, “quando FHC assumiu, o Estado tinha 84% do capital social da Petrobrás. Vendeu 33% e o Estado passou para 38% (estimulou os estados a também venderem). No governo Lula, elevou para 48%. Com Bolsonaro, a participação voltou a cair para 36,75%. Portanto, 63,25% do capital social da Petrobrás estão na mão de capital privado. Com o preço elevado dos combustíveis, estamos transferindo renda da população para acionistas predominantemente estrangeiros”.

Dra. Magda Chambriard, que foi diretora geral da ANP (Agência Nacional de Petróleo), homenageou Haroldo Lima, “que deixou muita saudade e foi uma pessoa marcante para todos na Agência”. Afirmou que “a pandemia e o conflito militar na Ucrânia recolocaram a questão da autossuficiência energética. O Brasil é o 9º produtor de petróleo, 8º consumidor. No mundo, a média da produção de energia fóssil é 83% e renovável 13%. No Brasil, graças ao apoio da Petrobrás, a média é de 46% de energia renovável. A Petrobrás produz 94% do petróleo no país. Importamos ⅕ de todo derivado, ou seja, 600 mil barris de 3 milhões”.

Magda alertou que o Brasil está exportando cada vez mais petróleo cru. E nossas refinarias estão ociosas. “Estamos trazendo para dentro do país uma volatilidade externa, ou seja, estamos pagando por todo diesel e só importamos 25%”.

O debate contou com entusiasmo do engenheiro-agrônomo Francisco Nelson, ex-dirigente da ANP, para quem “em torno da Petrobrás existem 120 mil empresas que atuam na área da indústria do petróleo, gás natural e biocombustíveis, com capacidade de oferta de combustível em quase todos os municípios do Brasil”. Para o especialista em abastecimento, “é possível, sim, retomar o desenvolvimento energético do nosso país”.

CARLOS PEREIRA

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