Moro perde sua principal âncora para não revelar fortuna recente

"A A&M não tem qualquer problema em revelar os valores do contrato. Contudo, a cláusula de confidencialidade só permite que seja feita com a concordância da outra parte ou com uma ordem judicial de quebra de sigilo. Não depende da A&M a divulgação dos honorários de Moro”, disse, em nota, a Alvarez & Marsal. 

Moro perde sua principal âncora para não revelar fortuna recente

“A A&M não tem qualquer problema em revelar os valores do contrato. Contudo, a cláusula de confidencialidade só permite que seja feita com a concordância da outra parte ou com uma ordem judicial de quebra de sigilo. Não depende da A&M a divulgação dos honorários de Moro”, disse, em nota, a Alvarez & Marsal. 

10h45 – de São Paulo

A consultoria norte-americana Alvarez & Marsal informou, em nota pública nesta terça-feira, que “não tem qualquer problema” em revelar o valor do salário do ex-juiz Sergio Moro (Podemos), declarado suspeito e parcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), desde que ele autorize a divulgação ou haja uma ordem judicial determinando que os valores sejam revelados.

O ministro Sérgio Moro se esquivou das perguntas mais polêmicas, com um discurso pré-ensaiado, que repetiu à exaustão
O ministro Sérgio Moro se esquivou das perguntas mais polêmicas, com um discurso pré-ensaiado, que repetiu à exaustão

“A A&M não tem qualquer problema em revelar os valores do contrato. Contudo, a cláusula de confidencialidade só permite que seja feita com a concordância da outra parte ou com uma ordem judicial de quebra de sigilo. Não depende da A&M a divulgação dos honorários de Moro”, disse, em nota, a Alvarez & Marsal.

Na última quinta-feira, o ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), retirou o sigilo de todos os documentos referentes ao processo sobre os valores recebidos pelo ex-juiz a partir de quando foi contratado pela consultoria norte-americana, que é administradora judicial da construtora Odebrecht.

Ex-juiz

Segundo a tabela de pagamentos feitos à Alvarez & Marsal no Brasil como administradora judicial, a que a reportagem do Correio do Brasil teve acesso, 75% deles são provenientes de empresas levadas à falência pelas investigações da Operação Lava Jato, chefiada por Sergio Moro a partir da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Moro, no entanto, recusa-se a abrir suas contas. Recentemente, em entrevista a um dos diários conservadores paulistanos, o ex-juiz disse que somente iria revelar o quanto recebeu da empresa de consultoria em seu imposto de renda. Moro também adianta que irá declarar o patrimônio ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

— Eu vou revelar meu salário, vou apresentar meu imposto de renda, declarar todos meus ganhos — disse, sem informar um prazo para a entrega dos documentos.

Moro usou do cargo na magistratura federal, ao longo dos últimos anos em que envergou a toga, para promover um julgamento político do ex-presidente Lula. Sua sentença determinou que o então líder nas pesquisas de opinião fosse preso e retirado da disputa eleitoral, o que abriu caminho para a eleição do presidente Jair Bolsonaro (PL), do qual foi ministro da Justiça logo em seguida.