NAMORO MODERNO

Parei alguns minutos pra pensar na evolução dos relacionamentos, especificamente naquela fase de namoro. E me tomo como parâmetro, pois até que namorei um pouquinho. Das conversas dos meus pais, que deliberadamente contavam aos filhos a fase de namoro deles, vinham relatos substanciais que nos deixavam boquiabertos quanto à “cafonice” das décadas passadas. Vale lembrar …

NAMORO MODERNO

Parei alguns minutos pra pensar na evolução dos relacionamentos, especificamente naquela fase de namoro. E me tomo como parâmetro, pois até que namorei um pouquinho. Das conversas dos meus pais, que deliberadamente contavam aos filhos a fase de namoro deles, vinham relatos substanciais que nos deixavam boquiabertos quanto à “cafonice” das décadas passadas. Vale lembrar que nos anos 60 ainda existiam famílias tradicionais, cuja educação não permitia certos entendimentos íntimos entre o casal. No caso dos meus pais, a luz do terraço piscando era o sinal de aviso alertando para o adiantado da hora.

É nesse período que, presume-se, começa-se a conhecer a pessoa que você posteriormente pode considerar e decidir se a quer pelo resto da vida ou não. E essa é a fase mais, digamos, falaciosa. Se os pombinhos são muito jovens, torna-se ainda mais palradora, visto que a personalidade dos juvenis ainda está se formando e peremptoriamente mudanças ocorrerão ao longo dessa convivência empolgante e furtiva que um namoro oferece.

Na minha fase de adolescente usava-se muito a palavra “ficar” e dela fiz usufruto inúmeras vezes, até porque traumatizado fiquei com o primeiro namoro “sério” a que me submeti, pois quando achava que tudo corria bem, eis que me surge a decepção do fim do relacionamento por pura infantilidade dela. Eu tinha 16 anos e ela 13. Reencontrei-a 26 anos depois, ambos com famílias então formadas e bem resolvidas. Parecia que nunca tinha existido nada.

O termo ficar fez parte da luxúria sentimental de muitos adolescentes de minha época, mas não como hoje em que, segundo comentários, “fica-se” com mais de uma pessoa por balada. A essa situação nem ouso chamar de namoro e também não me atrevo a buscar uma nomenclatura pra tal fato. Para a geração atual o cafona sou eu, mas confesso que já cheguei a ter umas quatro “ficantes” ao mesmo tempo, mas nunca na mesma balada.

Até poucos anos atrás era predominantemente masculino o regozijo verbal em anunciar aos amigos as “ficadas” anteriores. Hoje, até as futuras esposas de alguém também se deleitam nesse tipo de atitude. Claro, não generalizando. Mas, vamos e convenhamos, a maturidade nos traz a clareza que é muito mais inteligente não causar ciúmes na sua namorada, mas fazer com que outras mulheres sintam inveja dela. Até massageia o ego. De ambos.

Ao final, excluindo-se as cada vez mais modernas “ficadas”, todos os namoros são sérios até que ambos optem pelo casamento. Nesses termos, passará a ser uma sentença presumidamente perpétua.