'Não olhe para cima' transforma sátira ambiental em pastiche apocalíptico; g1 já viu

Com elenco estrelado encabeçado por Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence, crítica sobre inação diante de cataclisma do diretor e roteirista Adam McKay abre mão de qualquer sutileza. Logo de cara, é possível ver que existem diversas boas ideias, e algumas ótimas, por trás de "Não olhe para cima", novo filme do diretor e roteirista Adam McKay ("A grande aposta"). Infelizmente, elas ficam todas soterradas debaixo de um roteiro exagerado, um elenco estrelado, e tão pouca sutileza que transformam uma potencial grande sátira ambiental em um pastiche apocalíptico. Com diversos queridinhos do Oscar, como Leonardo DiCaprio ("O regresso"), Jennifer Lawrence ("O lado bom da vida"), Meryl Streep ("A dama de ferro") e Cate Blanchett ("Blue Jasmine"), a produção estreia nesta sexta-feira (24) na Netflix com algumas boas atuações e um tanto de humor, mas se achando muito mais esperta do que realmente é. Por outro lado, por mais que a franqueza bruta não resulte em um filme tão bom quanto o cineasta gostaria, talvez seja exatamente o que precisa para espalhar sua mensagem nada sutil. Assista ao Trailer de “Não Olhe Para Cima” Olha aqui "Não olhe para cima" conta a história de uma dupla de astrônomos americanos (DiCaprio e Lawrence) que lutam para alertar as autoridades após descobrir que um cometa está em rota de colisão com a Terra. De início, há um déjà vu inevitável com as tramas de "Impacto Profundo" e "Armagedom" (1998), mas as coisas mudam de rumo quando a presidente conservadora e falastrona interpretada por Streep se mostra menos preocupada com o fim do planeta do que com sua popularidade na próxima eleição. Desesperados com a falta de ação governamental, os protagonistas se perdem entre entrevistas para programas sensacionalistas e reações desconfiadas nas redes sociais enquanto tentam salvar a humanidade – e suas próprias vidas. Rob Morgan, Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Richard Donelly, Jennifer Lawrence, Meryl Streep e Lonnie Farmer em cena de 'Não olhe para cima' Niko Tavernise/Netflix Com essa premissa, a história de McKay e do jornalista David Sirota usa do absurdo para refletir sobre a inércia real de autoridades globais em relação às mudanças climáticas. Infelizmente, perde a mão no exagero e, em alguns momentos, lembra mais uma daquelas figuras apocalípticas em cima de caixotes no meio da rua gritando sobre o fim dos tempos em filmes de comédia pastelão. Sim, existem ecos um tanto desesperadores com a realidade das últimas duas décadas e a estratégia tem como objetivo impedir que a mensagem seja confundida pelo público. Mas o cineasta também esquece que há uma grande diferença entre levar quem assiste a uma reflexão própria e uma pregação descontrolada, que grita na cara do espectador o que ele deve pensar. Cate Blanchett, Tyler Perry, Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence em cena de 'Não olhe para cima' Niko Tavernise/Netflix Céu nublado Entre a falta de sutileza do roteiro e da moral da história, o elenco estrelado precisa brigar para mostrar que é mais do que um apanhado de famosos. Por sorte, tanto talento junto no mesmo filme inevitavelmente consegue se sobrepor de alguma forma. DiCaprio e Lawrence conseguem manter o público engajado através de atuações quase opostas. Enquanto o ator surpreende ao entregar um professor nervoso e socialmente desajeitado, a atriz é responsável pela urgência da história – por mais que sofra um pouco com a instabilidade da jornada de sua própria personagem. Jonah Hill, Paul Guilfoyle e Meryl Streep (sentados) e Mark Rylance (em pé, ao centro) em cena de 'Não olhe para cima' Niko Tavernise/Netflix Streep e Jonah Hill ("O lobo de Wall Street"), que faz o chefe de gabinete/filho da presidente, claramente se divertem muito com os absurdos a que são submetidos, e chegam perto de salvar cenas das mais constrangedoras. Além deles e de Blanchett, o elenco ainda tem Mark Rylance ("Ponte dos espiões"), Timothée Chalamet ("Me chame pelo seu nome") e até Ariana Grande, em participações caricatas que mereciam um pouco mais de carinho. No fim de suas quase duas horas e vinte minutos de duração, "Não olhe para cima" não deixa de ser divertido, graças em grande parte à força de seus atores, mas se perde para o exagero, ao esquecer que sutileza é a melhor forma de destacar grandes absurdos. Jennifer Lawrence, Leonardo DiCaprio e Timothée Chalamet em cena de 'Não olhe para cima' Niko Tavernise/Netflix

'Não olhe para cima' transforma sátira ambiental em pastiche apocalíptico; g1 já viu

Com elenco estrelado encabeçado por Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence, crítica sobre inação diante de cataclisma do diretor e roteirista Adam McKay abre mão de qualquer sutileza. Logo de cara, é possível ver que existem diversas boas ideias, e algumas ótimas, por trás de "Não olhe para cima", novo filme do diretor e roteirista Adam McKay ("A grande aposta"). Infelizmente, elas ficam todas soterradas debaixo de um roteiro exagerado, um elenco estrelado, e tão pouca sutileza que transformam uma potencial grande sátira ambiental em um pastiche apocalíptico. Com diversos queridinhos do Oscar, como Leonardo DiCaprio ("O regresso"), Jennifer Lawrence ("O lado bom da vida"), Meryl Streep ("A dama de ferro") e Cate Blanchett ("Blue Jasmine"), a produção estreia nesta sexta-feira (24) na Netflix com algumas boas atuações e um tanto de humor, mas se achando muito mais esperta do que realmente é. Por outro lado, por mais que a franqueza bruta não resulte em um filme tão bom quanto o cineasta gostaria, talvez seja exatamente o que precisa para espalhar sua mensagem nada sutil. Assista ao Trailer de “Não Olhe Para Cima” Olha aqui "Não olhe para cima" conta a história de uma dupla de astrônomos americanos (DiCaprio e Lawrence) que lutam para alertar as autoridades após descobrir que um cometa está em rota de colisão com a Terra. De início, há um déjà vu inevitável com as tramas de "Impacto Profundo" e "Armagedom" (1998), mas as coisas mudam de rumo quando a presidente conservadora e falastrona interpretada por Streep se mostra menos preocupada com o fim do planeta do que com sua popularidade na próxima eleição. Desesperados com a falta de ação governamental, os protagonistas se perdem entre entrevistas para programas sensacionalistas e reações desconfiadas nas redes sociais enquanto tentam salvar a humanidade – e suas próprias vidas. Rob Morgan, Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Richard Donelly, Jennifer Lawrence, Meryl Streep e Lonnie Farmer em cena de 'Não olhe para cima' Niko Tavernise/Netflix Com essa premissa, a história de McKay e do jornalista David Sirota usa do absurdo para refletir sobre a inércia real de autoridades globais em relação às mudanças climáticas. Infelizmente, perde a mão no exagero e, em alguns momentos, lembra mais uma daquelas figuras apocalípticas em cima de caixotes no meio da rua gritando sobre o fim dos tempos em filmes de comédia pastelão. Sim, existem ecos um tanto desesperadores com a realidade das últimas duas décadas e a estratégia tem como objetivo impedir que a mensagem seja confundida pelo público. Mas o cineasta também esquece que há uma grande diferença entre levar quem assiste a uma reflexão própria e uma pregação descontrolada, que grita na cara do espectador o que ele deve pensar. Cate Blanchett, Tyler Perry, Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence em cena de 'Não olhe para cima' Niko Tavernise/Netflix Céu nublado Entre a falta de sutileza do roteiro e da moral da história, o elenco estrelado precisa brigar para mostrar que é mais do que um apanhado de famosos. Por sorte, tanto talento junto no mesmo filme inevitavelmente consegue se sobrepor de alguma forma. DiCaprio e Lawrence conseguem manter o público engajado através de atuações quase opostas. Enquanto o ator surpreende ao entregar um professor nervoso e socialmente desajeitado, a atriz é responsável pela urgência da história – por mais que sofra um pouco com a instabilidade da jornada de sua própria personagem. Jonah Hill, Paul Guilfoyle e Meryl Streep (sentados) e Mark Rylance (em pé, ao centro) em cena de 'Não olhe para cima' Niko Tavernise/Netflix Streep e Jonah Hill ("O lobo de Wall Street"), que faz o chefe de gabinete/filho da presidente, claramente se divertem muito com os absurdos a que são submetidos, e chegam perto de salvar cenas das mais constrangedoras. Além deles e de Blanchett, o elenco ainda tem Mark Rylance ("Ponte dos espiões"), Timothée Chalamet ("Me chame pelo seu nome") e até Ariana Grande, em participações caricatas que mereciam um pouco mais de carinho. No fim de suas quase duas horas e vinte minutos de duração, "Não olhe para cima" não deixa de ser divertido, graças em grande parte à força de seus atores, mas se perde para o exagero, ao esquecer que sutileza é a melhor forma de destacar grandes absurdos. Jennifer Lawrence, Leonardo DiCaprio e Timothée Chalamet em cena de 'Não olhe para cima' Niko Tavernise/Netflix