Partidos da centro-esquerda conversam sobre nova federação

As conversas tinham esfriado devido à proximidade das eleições, uma vez que figuras proeminentes da legenda, entre eles Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e a ex-senadora alagoana Heloísa Helena; além da candidata derrotada nas últimas eleições presidenciais Marina Silva, encontraram obstáculos no apoio ao ex-presidente Lula.

Partidos da centro-esquerda conversam sobre nova federação

As conversas tinham esfriado devido à proximidade das eleições, uma vez que figuras proeminentes da legenda, entre eles Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e a ex-senadora alagoana Heloísa Helena; além da candidata derrotada nas últimas eleições presidenciais Marina Silva, encontraram obstáculos no apoio ao ex-presidente Lula.

Por Redação – de São Paulo

A unidade por meio de uma federação partidária passou a ser uma das opções mais viáveis para os partidos da centro-esquerda Rede Sustentabilidade e PSOL. As conversas se iniciaram em dezembro último, após a Rede decidir, por unanimidade, que iniciaria seu entendimento com o PSOL.

Randolfe Rodrigues
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) já se dispôs a integrar a campanha do ex-presidente Lula à Presidência da República

As conversas tinham esfriado devido à proximidade das eleições, uma vez que figuras proeminentes da legenda, entre eles Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e a ex-senadora alagoana Heloísa Helena; além da candidata derrotada nas últimas eleições presidenciais Marina Silva, encontraram obstáculos no apoio ao ex-presidente Lula.

Heloisa Helena foi expulsa do PT em 2003 e Marina, ministra do Meio Ambiente de 2003 a 2008, deixou o governo como adversária do então presidente e anunciou que sairia o partido em 2009. Integrantes da Rede vinham afirmando nos bastidores que essas e outras divergências tornariam impraticável uma federação, caso o apoio a Lula fosse uma condicionante. Hoje, a ex-senadora, conhecida por sua verve, pode se candidatar a uma vaga na Câmara dos Deputados. A ex-ministra do Ambiente é ventilada como possível vice em chapa com Ciro Gomes.

Sobrevivência

As conversas para formação da federação, no entanto, “estão andando” e com boas chances de chegar a bom termo, segundo afirmaram fontes do PSOL a jornalistas do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo (FSP). Apesar das críticas, como as feitas por Guilherme Boulos, a uma possível aliança de Lula com o ex-governador Geraldo Alckmin, o partido não deve deixar de dar seu apoio ao ex-presidente. A legenda, até agora, não tem um nome indicado à Presidência da República.

A federação interessa mais à Rede, que joga com uma questão de sobrevivência. Como ocorre com os partidos individualmente, uma federação precisa eleger pelo menos 11 deputados federais em 2022 para cumprir a cláusula de barreira. Ou conseguir, no mínimo, 2% dos votos válidos na eleição para a Câmara, com 1% dos votos válidos em ao menos nove estados.

Na eleição de 2018, o PSOL obteve apenas 2,85% dos votos válidos. A Rede, por sua vez, tem hoje apenas uma deputada federal, Joenia Wapichana (RR), e um senador, Randolfe Rodrigues. A federação, portanto, pode significar a subsistência da Rede.

Centro-direita

Já o ex-presidente Lula, por sua vez, vem ampliando o leque de conversas visando a formação de alianças para o pleito presidencial de outubro para além da esquerda tradicional. Após ter conversado com o ex-senador Aloysio Nunes (PSDB) e de ter marcado uma reunião com o ex-presidente Fernando Henrique Cardozo, o petista conversou com o ex-governador Luiz Fernando Pezão, durante uma viagem ao Rio de Janeiro.

O encontro foi noticiado nesta terça-feira pelo jornalista Ancelmo Gois, do diário conservador carioca O Globo. O objetivo de Lula é ampliar o leque de alianças, por meio da união de diferentes forças políticas, com o objetivo central de “derrotar o bolsonarismo”.

Nesta semana, Lula também vai conversar com o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e pré-candidato a governador de São Paulo pelo PSOL, Guilherme Boulos, e com o ex-presidente tucano FHC.