Tesouro Direto atrai mais jovens e registra captação recorde

28 Mai 2020

Público de 16 a 25 anos realizou 33% dos aportes em títulos públicos no mês passado

Marcello Casal Jr./Agência Brasil


O programa de

compra e venda de títulos públicos federais pela internet, o Tesouro Direto, atraiu 33,5 mil novos investidores em abril de 2020, conforme relatório da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) divulgada nesta terça-feira (26).

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Com esse aumento de interesse por títulos de dívida do governo, o Tesouro Direto alcançou a marca de 1,247 milhão de investidores ativos, de um total de 6,76 milhões de pessoas cadastradas no programa.

O Tesouro Direto é um programa de compra e venda de títulos públicos federais por pessoas físicas, criado pela Secretaria do Tesouro Nacional. Esses papéis são emitidos pelo governo federal para pagar e financiar atividades como educação, saúde e infraestrutura.

Em abril, a captação líquida no Tesouro Direto atingiu R$ 1,57 bilhão, maior valor mensal da série histórica aferida pela STN.

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“Nunca antes na história do nosso país houve tanto interesse dos investidores em comprar títulos públicos quanto agora. Atribuo isso ao avanço da educação financeira do brasileiro, que passa a enxergar as verdadeiras oportunidades de investimento, e a porta de entrada é invariavelmente o Tesouro Direto”, diz Guilherme Cadonhoto, analista de renda fixa da Spiti.

Cadonhoto, porém, alerta que o investidor pessoa física tem que tomar cuidado e ficar atento, pois nem todos os títulos públicos apresentam baixo risco como o Tesouro Selic, que possui juros pós-fixados.

“Alguns apresentam oscilação de preço relevante, o Tesouro IPCA+ 2045 é um título público disponível na plataforma do Tesouro Direto, mas em março chegou a apresentar queda de mais de 20% em seu pior momento”, avisa.

Cada vez mais jovens investidores

Ao comentar o recorde de captação no Tesouro Direto, Camilla Dolle, coordenadora de análise de renda fixa da XP Investimentos, chamou a atenção para o público jovem que está entrando no programa.

“Cresceu o interesse do público de 16 a 25 anos, isso é muito importante, são jovens que estão olhando para frente, e a formação de uma reserva de emergência é o primeiro passo para qualquer investidor”, diz Dolle.

Esse público mais jovem, de 16 a 25 anos, realizou 33% dos aportes em títulos públicos no mês passado, só abaixo do público da faixa entre 26 anos e 35 anos, com 34% do volume em investimentos.

Para Laio Santos, CEO da Rico Investimentos, esse aumento do interesse dos investidores pelo Tesouro Direto tem ligação direta com o cenário que estamos vivendo.

“Por causa dos impactos da pandemia na economia muitas pessoas têm recorrido ao Tesouro Direto por saber que vão precisar de liquidez no curto prazo, e essa é uma opção que permite saque imediato”, afirma.

O executivo ainda aponta um outro grupo de pessoas que tirou dinheiro de investimentos mais arriscados e posicionou em Tesouro Selic. “Retiraram de fundos de renda fixa do crédito privado, fundos multimercados e fundos de ações”, citou.

Camilla Dolle também comenta que uma parte dos recursos que estavam em fundos de renda fixa de crédito privado pode ter ido parar em aplicações menos arriscadas.

“Ninguém sabe precisar ao certo, pois o dinheiro não tem carimbo, mas uma parte pode ter ido parar em CDBs (certificados de depósito bancário) com liquidez diária, no Tesouro Selic, e na poupança”, afirma.

Em abril, segundo dados já divulgados pela Anbima e pelo Banco Central (BC), CDBs e a caderneta de poupança registraram forte captação líquida, enquanto fundos de renda fixa e de crédito privado tiveram saída de recursos.

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