[Review] LG K41S: a evolução foi grande, mas não o suficiente

16 Setembro 2020

Os smartphones ficaram mais caros nos últimos meses, e encontrar alternativas boas e com preços justos se tornou uma tarefa mais difícil. Se você está procurando por um aparelho e não

quer gastar muito, deve ter passado pela nova série K da LG. Ela tem preços começando em R$ 1.200 e oferecem telas grandes e câmeras quádruplas.

Eu testei o LG K41S, o mais barato dos três, por algumas semanas e conto como ele se sai.

LG K41S

O que é
Smartphone intermediário mais barato da nova série K da LG, com câmera quádrupla
Preço
Sugerido, R$ 1.200; no varejo, por volta de R$ 1.000
Gostei
Bateria garante quase dois dias de uso moderado; câmera é versátil e tira boas fotos
Não gostei
Android desatualizado e cheio de modificações; desempenho fraco

Tela e design

O LG K41S — assim como seus irmãos de série K, o K51S e o K61 — tem uma linguagem visual parecida com a do LG G8S ThinQ, aparelho de topo de linha da marca. As bordas são arredondadas, as quatro câmeras ficam organizadas na horizontal em um módulo com uma bordinha, e o leitor de digitais é um círculo um pouco abaixo.

Eu tinha gostado muito do visual do LG G8S quando o testei, e gostei de ver que ele foi replicado em aparelhos mais baratos.

O material usado, porém, é plástico mesmo, como em todo modelo dessa faixa de preço, e o acabamento brilhante faz com que ele fique com muitas marcas de dedo. Vale dizer que, como todos os aparelhos da LG, ele conta com certificação militar de durabilidade.

A resolução apenas HD+ da tela não atrapalha: mesmo com apenas 720 pixels na largura, as fontes têm boa definição, e as imagens aparecem sem serrilhados muito evidentes. O que faz muita falta, porém, é saturação: todas as cores são bem pálidas, demais até mesmo para uma IPS — com uma AMOLED do lado, então, nem se fala.

O principal problema nem foi esse, no entanto. A principal deficiência da tela é, na verdade, a iluminação. Ela é desigual e clareia mais as laterais da tela do que o centro. Isso fica muito visível quando você usa um app em modo escuro/noturno: enquanto a parte do meio da tela está mostrando um cinza escuro, as bordas exibem um cinza claro.

Usando

O sistema da LG traz mais uma vez um monte de personalizações e bloatware típico da marca. Por um lado, tem customizações convenientes. Dá para mudar os botões da barra de navegação, por exemplo. Também dá para colocar preto no fundo da barra de notificações para ocultar o entalhe que abriga a câmera frontal.

Por outro lado, ele vem com app de anotações, Facebook, Instagram, controlador de casa inteligente da LG, cinco demos de jogos… deu para entender, né? Algumas dessas coisas podem ser desinstaladas para poupar os 32 GB de armazenamento do aparelho — ufa!

O launcher da LG também tem seus problemas de usabilidade. Remover uma pasta da gaveta de apps, por exemplo, exige que você entre em um modo de organização. Ao desinstalar um app, fica um buraco na página, e novos apps entram sempre nas últimas telas da gaveta, já que não há organização automática por ordem alfabética. Um Nova Launcher da vida é mais que bem-vindo.

Também é bastante decepcionante que ele venha com Android 9 ainda. Não há previsão de atualização: a LG disse que só mudará de versão de sistema operacional quando o ganho de recursos for significativo e não houver comprometimento no desempenho. Ou seja: não tem nem uma promessa de atualização. Pelo menos as personalizações do sistema adiantam alguns recursos, como programar modo escuro do sistema para certos horários.

O desempenho é limitado. Você pode esperar alguma lentidão para abrir apps. Dentro dos aplicativos, os comandos demoram a responder. Abrir um tuíte no app do Twitter ou um perfil no app do Instagram, por exemplo, demora mais do que outros aparelhos da mesma faixa de preço, como um Moto G8. Às vezes, eu ia procurar alguma coisa no app do Google e as palavras que eu tinha escrito só começavam a aparecer depois de eu ter terminado de digitar — até as vibrações do teclado vinham com atraso. Mesmo assim, o Free Fire até que rodou bem.

Bateria

A bateria tem capacidade para 4.000 mAh, mas dura surpreendentemente bem. Tirando da tomada por volta de 8 da manhã e tendo um uso moderado — entre quatro e seis horas de redes sociais e apps de mensagens, algumas fotos e vídeos — o K41S chega ao fim do dia com algo entre 40% e 50% de carga. Dá para deixar para carregar no dia seguinte lá pelo fim da tarde.

A tela com resolução apenas HD+ ajuda, claro, mas o conjunto todo, processador e otimizações de sistema, parecem fazer um bom trabalho. O que falta em desempenho parece sobrar em gestão de energia.

Com relação à recarga, o aparelho vem com um carregador de 10 W. É rápido, mas não muito: atinge por volta de 1.800 mA de média quando a bateria está com pouca carga e leva cerca duas horas para chegar aos 100%.

Câmera

Um dos grandes destaques do LG K41S é a câmera quádrupla. Ela é composta por um câmera principal de 13 megapixels e abertura f/2.0, com foco automático por detecção de fase (PDAF); uma câmera ultrawide de 5 megapixels e ângulo de visão de 115°; uma câmera macro de 2 megapixels; e uma câmera de profundidade de 2 megapixels, para ajudar em retratos.

Como você pode ver, as resoluções estão em uma faixa bem padrão, sem números mais altos que começaram a aparecer em modelos intermediários recentes — na própria série K da LG mesmo, o K51S tem câmera principal de 32 megapixels, enquanto o K61 vem com sensor de 48 megapixels.

Deixando os números de lado, o que se tem é um resultado entre o razoável e o bom, com destaque para o nível de detalhes. A fidelidade de cores e o balanço de branco, porém, são meio inconsistentes. Em situações de pouca iluminação, porém, não tem milagre, e as fotos ficam devendo, saindo quase sempre tremidas.

A câmera ultrawide tem resolução baixa e bastante distorção, como seria de se esperar — infelizmente, não há o mesmo recurso de corrigir isso por software que vem em aparelhos mais caros. Mesmo assim, ela cumpre seu papel de fazer enquadramentos mais amplos. A lente macro também serve bem para pegar alguns detalhes, mas deixa a desejar na resolução de apenas 2 megapixels.

O problema, novamente, fica por conta do software: ele é bastante lento para abrir e para alternar entre câmeras. A interface é organizada por módulos, e você pode deslizar para um lado e para o outro para trocar entre eles — foto, vídeo, retrato, macro, AI Cam, etc. Alguns ficam em uma área chamada Mais, mas você pode tirá-los de lá e colocar na lista principal do app.

Algumas decisões, porém, parecem não fazer sentido. O modo AI Cam usa inteligência artificial para reconhecer a cena (um prato de comida, um animal de estimação, o pôr do sol, etc) e ajustar a imagem de maneira adequada. Porém, você tem que escolher esse modo porque o app abre sempre no modo de foto comum. Eu não consigo entender porque um modo automático não abre automaticamente.

Conclusão

O LG K41S é inegavelmente uma evolução da LG nessa categoria, que já teve o K12 Plus e K40S. Ele tem tela maior, uma câmera quádrupla (que nenhum outro aparelho nessa faixa de preço tem) e uma bateria que dura bastante, que são fatores que pesam bastante na hora de escolher um celular.

Por outro lado, ainda há algumas questões inconvenientes. A qualidade da tela deixa a desejar, o desempenho não é lá aquelas coisas e o software parece ultrapassado (e nada indica que a LG vá atualizá-lo, pelo menos no curto prazo).

No fim das contas, eu procuraria outros aparelhos, como o Moto G8, o Moto G8 Power Lite ou o Samsung Galaxy A20s. Os aparelhos mais recentes da Motorola não têm desempenho excelente, mas ainda são melhores nesse quesito do que este LG. Já a Samsung oferece um software mais atualizado e bem acabado. O LG K41S é uma grande evolução em relação aos seus antecessores, mas ainda está um atrás de seus concorrentes.

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