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Ex-funcionária acusa Alex Atala de assédio sexual; advogado do chef nega

22 Mai 2020
Divulgação
"A gerência e a esposa dele sabem", diz mulher que acusa chef Alex Atala de assédio sexual


Sob o pseudônimo Aquela

Cavaleira do Zodíaco, uma mulher de 35 anos acusa o ex-patrão de assédio sexual em um texto publicado no blog de gastronomia o "Boteco do JB". Localizada pelo iG Delas, a autora, que não quis se identificar, afirma o que não havia dito no blog: que estava falando do chef Alex Atala, propretário do restaurante D.O.M, em São Paulo, e um dos convidados do reality show “ MasterChef”, da Band. Segundo ela, as conversas começaram como elogios, mas as investidas foram ficando mais incisivsas: "Um dia ele foi claro e objetivo: 'Minha rola é grande e sua bunda é grande, vamos promover um encontro dos dois’".

No texto, ela conta que foram sete meses “fugindo muito” das investidas do chef, que, segundo ela, chegou a mostrar a ela fotos íntimas em seu próprio celular e a assediou verbalmente. Ela afirma que Alex Atala teria feito comentários inapropriados desde o primeiro dia de trabalho dela. "Ele me recebeu no turno do almoço com uma medida dos pés a cabeça e um ‘Mas toda tatuada?'”, escreve no texto do blog. Depois disso, ela alega que ele a convidou para sair mais de uma vez, fez piadas, elogios e que conduta de Atala é conhecida por toda a equipe. “Os casos são encobertos pela própria gerência”, diz ela, em entrevista ao iG, por telefone.

"Descobri que houve um processo por assédio sexual e ele pagou os funcionários que depuseram a favor dele. A vítima perdeu o processo e o emprego e muitas estagiárias eram vítimas de assédio. Algumas não concluíam o curso e outras que conseguiram saíam de lá com um diploma e um trauma”, escreve no texto do blog. "Sei disso por histórias nos bastidores, no vestiário”, afirma a mulher.

Roberto Podvall, advogado de Alex Atala, nega as acusações de assédio e afirma que seu cliente nunca respondeu por um caso como esse. “Nunca houve um processo. É mentira. Ela se coloca sem nome, rosto, sem nada. Não existe uma única acusação. Nunca existiu na história da vida deste homem uma acusação de assédio”, afirma ele, em entrevista ao iG também por telefone.

A mulher que acusa Atala diz que, apesar de não fazer investidas públicas, os colegas de trabalho percebiam os olhares dele e que passava bastante tempo conversando com ela — e diz que nunca teve interesse no chef, além do profissional. “O que eu queria ali era ganhar meu dinheiro. Eu estava preocupada em sustentar minha família, preocupada em pagar minhas contas”, explica.

Ela conta que o que mais marca os funcionários é a “boa educação” do chef. “Ele cumprimenta todo mundo toda vez que ele entra e dá tchau toda vez que ele sai”, diz. “Comigo, era abraço e beijo, era diferente”, explica ao Delas. "Lá, ouvia muitos comentários misóginos, machistas e homofóbicos sobre os clientes por parte de quem trabalhava lá”.

Ela conta que ele chegou a mostrar, em seu próprio celular, uma foto de uma tatuagem na coxa em que era possível ver o pênis de Alex Atala "marcando bem” na cueca. “Ele oferecia aulas de jiu jitsu aos funcionários. Não gosto de luta, mas, como era gratuito, fui duas vezes”, afirma ao Delas. No entanto, ela diz que deixou de ir pois teria sido alertada por um bartender a não participar, para que não fosse abusada por Atala ou por “seus seguidores”. “Com o contato corpo a corpo, o Atala se aproveitava”, diz.

A mulher afirma que eram "tentativas incisivas". “A impressão que eu tinha era que ele pensava: 'Se ela aceitar, tá tudo bem, mas se ela não aceitar tá tudo bem também'”, explica. “Primeiro, ele dizia 'você é muito bonita'. Depois, vieram os comentários sobre meu corpo e minha bunda. Ele me disse: 'Se você ficar me cumprimentando assim todo dia eu vou ser obrigado a fazer alguma coisa' e ‘Você está linda com esses óculos novos, parece uma professora de filme pornô’”.

“Um dia ele foi claro e objetivo: ‘Minha rola é grande e sua bunda é grande, vamos promover um encontro dos dois’ e saiu, me deixando sem chão e com muito medo”, diz ela. “Não importava o quanto eu me defendia, ignorava ou fosse grossa com ele, sua técnica era impecável e ele sempre tinha uma resposta pronta para ter a palavra final”, continua.

No blog, ela afirma que, em uma festa de confraternização da empresa, Atala distribuiu água com droga, MDMA, para funcionários. “Ele me ofereceu e eu disse que já estava bebendo [ela estava com um copo na mão]. Quando eu estava saindo, ele disse: ‘Minha água é muito melhor’. Eu ignorei”, conta.

Ela afirma que uma das funcionárias havia contado sobre o MD. Mais tarde, ele teria despejado a água “batizada” em um narguile. “Poucas pessoas continuaram fumando depois”, disse. “Eu trabalho na noite há muito tempo, se uma pessoa oferece água dessa forma, tem coisa”.

“Todo mundo sabe, incluindo a esposa [a estilista Márcia Lagos]. Os líderes de salão fingem cegueira para não perder o emprego, a gerência e metria têm respostas prontas e te fazem passar por louca. Mas não se atreva a avisar o RH. Nunca! É justa causa”, escreve no blog.

Ela afirma que tentou conversar com o gerente, mas diz que ele mesmo chegou a assediá-la. “'Tira essa bunda perfeita da minha frente', ele me disse. Esse mesmo gerente me chamou de 'vagabunda, filha da puta sem noção' por mensagem de texto, após eu ter pedido de demissão.” Ela afirma que, quando levava os casos de assédio do chef para a gerência, não havia aconselhamento. “Eles diziam que não poderiam fazer mais nada, para eu ficar quieta para não dar merda para todo mundo".

Ela afirma ao Delas não ver muito as participações de Atala na televisão. Mas a ex-funcionária viu o episódio da série Chef Table, disponível na Netflix, em que o chef Atala está presente. "Quando assistiu à apresentação sobre seu esforço, sua batalha e todas as comunidades indígenas que ajuda, me senti frustrada. Ver ele ali, sendo aquela pessoa, foi meio doido. Eu estava ali ganhando meu salariozinho de merda e ele falava todas aquelas coisas. E depois ele estava lá na televisão, perfeito e maravilhoso. O homem ideal”, diz.

Ela afirma, ainda, que mesmo que não tente encontrá-lo, "Alex Atala sempre dá um jeito de aparecer para ela. Recentemente foi em uma banca de jornal.Tive vontade de comprar uma latinha de spray e pichar a palavra ‘abusador’. Mas foi só uma piada comigo mesma. Passou".

O advogado de Alex Atala, Roberto Podval, afirma que entrará com uma ação na justiça contra o blogueiro que publicou a história. “Independentemente da existência da mulher, o que eu estranho muito, a notícia publicada, ainda que fosse verdadeira, é criminosa. Não conheço os fatos, oficialmente, e o Alex não recebeu nenhuma intimação. Não há nada, nenhuma queixa e, ainda que tivesse, teria de ser provada. Não dá para um blogueiro ofender as pessoas e sair publicando. Amanhã vamos tomar as medicas judiciais contra ele”

Podval diz que, mesmo não tendo o nome de Atala no post, vai pedir na justiça que o blogueiro declare se ele está falando ou não de Alex Atala. "Ele indica indiretamente que é o Alex Atala. Não é a primeira vez que este blog o ataca. O Atala nunca havia dado bola, mas ele [o blogueiro] passou dos limites. O Alex é um homem casado, um homem de família."

Antes de publicar esta reportagem, o Delas tentou entrar em contato com Alex Atala diversas vezes em cinco números de telefone e com a assessora de imprensa, mas não foi atendida.

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