Brasileiro come tubarão sem saber e é um dos maiores responsáveis por extinção

21 Dezembro 2017

Se depender do Brasil, a população de tubarões em mar aberto será cada vez menor. Isso porque somos o país que mais consome a carne do animal, muitas vezes sem ter

conhecimento, e cinco pesquisadores brasileiros acabam de alertar sobre o problema.

Publicado no periódico Marine Policy (Política Marinha, em tradução livre), o estudo analisou dados como boletins do governo e artigos científicos para mapear a situação de cerca de 45 mil toneladas consumidas anualmente pelos brasileiros.

As frotas internacionais que alimentam o mercado de nadadeiras de tubarão são as grandes responsáveis por este cenário negativo. A nadadeira é muito valorizada no Leste Asiático, sendo considerada sinal de riqueza entre os chineses. Como não podem manter apenas as nadadeiras e descartar a carcaça no mar, pois a prática é considerada crime, o setor encontrou na América do Sul um canal de consumo para o comércio da carne de tubarão.

Divulgação/Otto Bismarck F. Gadig

Segundo o biólogo Rodrigo Barreto, as postas de tubarão não são vendidas em nenhum lugar do mundo, apenas no Brasil e no México. Ele atribui isso a deficiência em órgãos de vigilância sanitária e a falta de manejo pesqueiro, além do analfabetismo funcional dessas regiões.

Um fator de risco é que os tubarões estão no topo da cadeira alimentar e através de um processo de bioacumulação, ele agrega metais pesados como mercúrio e arsênio, encontrados nos organismos que lhe serviram de alimento. Se ingeridas além do permitido, essas substâncias podem causar danos cerebrais.

Outro dado preocupante é o fato de que a maioria da população desconhece que estejam consumindo tubarão. Isso porque a carne é classificada, muitas vezes, com o nome genérico de ‘cação’, carne muito consumida entre os brasileiros.

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Divulgação/Mônica Manir

Para Hugo Bornatowski, professor do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e um dos autores do estudo, mais de 70% dos brasileiros não sabem que cação é, na verdade, tubarão. Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), não existe regra específica para designação de produtos de origem animal nas embalagens e que a responsável por isso seria o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Segundo a instrução normativa MAPA nº 29, de 23 de setembro de 2015, a rotulagem de peixes e derivados deve conter o nome comum da espécie, conforme estabelecido na lista anexa à instrução. Na lista, é permitido o uso tanto do nome comum “cação” quanto “tubarão” para diversas espécies. Ou seja, “o uso do termo cação, quando realizado de acordo com o previsto na regulamentação do MAPA, não é considerado enganoso e, portanto, não contraria o disposto na legislação sanitária brasileira”, afirma a Anvisa.

A rotulagem não é ilegal, mas os pesquisadores apontam que o consumidor deve ser melhor informado sobre o que consome para não colocar a saúde em risco. Além de consumir, o Brasil também caça tubarões e é 0 11° país que mais captura o animal e o 17° que mais exporta suas barbatanas. Realmente uma situação alarmante.

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