Marcus Wesson: assassinato e estupro em nome de Deus

19 Novembro 2019
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Nascido em 22 de agosto de 1946 na cidade do Kansas, nos Estados Unidos, Marcus Delon Wesson teve uma estrutura familiar e aspectos de uma infância caracteristicos do perfil psicológico que

pode constituir uma mente psicótica.

Dos quatro irmãos, ele era o filho mais velho e sua mãe, Carrie Wesson, uma fanática religiosa, o forçava a enxergar absolutamente tudo através da Bíblia desde pequeno. Marcus frequentava com ela a Igreja Adventista do Sétimo Dia e, segundo relatos do próprio, Carrie por vezes o agredia com o livro sagrado quando ele se recusava a ir nos cultos ou queria brincar, ao invés de ler as parábolas durantes horas e horas seguidas em casa.

Do outro lado, o seu pai, o Pastor Benjamin Wesson, além de um fanático como a mulher, também era alcoólatra, agressor e molestador de crianças. Marcus confessou que o pai o tocava à noite e o espancava de dia, tanto por conta das bebedeiras diárias quanto para ensiná-lo lições que Deus o havia instruído.

O início de uma mente perturbada

(Fonte: Medium/Reprodução)

Vivendo em um lar caótico e sob ensinamentos distorcidos e pertubados, Marcus Wesson aprendeu a ser exatamente o fruto do meio no qual estava inserido. Enquanto criança, seu jogo favorito não era futebol, carrinhos ou bonecos, mas fingir ser um pastor liderando seu rebanho, que geralmente costumavam ser as outras crianças.

Com o poder de persuasão da mãe misturado com o tom agressivo do pai, ele sempre queria ser o centro das atenções, chegando a intimidar e repreender qualquer outro que tentasse roubar seu lugar. No entanto, para o garoto, as crenças da igreja se misturaram com as convicções de Carrie e também com as fantasias que ele criava em sua cabeça, como a certeza de que ele e sua familía eram vampiros que possuíam almas. Essa invenção infantil foi apenas o início de um pensamento que ganharia proporções grotescas e acabaria em assassinato.

No início do ano de 1960, aos 14 anos de idade, a família se mudou para San Bernardino, na Califórnia, pois Benjamin já havia os abandonado para viver um caso com o seu sobrinho. Na escola, durante o período da adolescência, Marcus era um aluno entre mediano e praticamente inexpressivo, cumprindo apenas o necessário para conseguir se formar no Ensino Médio. Toda sua participação estudantil foi preenchida por diversos nãos e um nunca. Não se destacava em nada. Não participava de nada. Não tinha amigos. Não conversava. Não saía, nunca cedeu ao álcool, nem a nenhum tipo de droga.

Ele era um ninguém e teria passado despecebido se não fosse pelo seu porte: alto e corpulento, e o fato de vestir terno e gravata em vez de jeans e camiseta. Apesar de sua aparência e tamanho, Marcus sempre esteve mais propenso a ser intimidado do que causar algum tipo de intimidação.

Enquanto a cada dia que se passava Marcus se tornava ainda mais obcecado pela religião. Foi quando o pai voltou, como se nada tivesse acontecido, depois de mais de 10 anos vivendo um romance com seu próprio sobrinho, que ele passou a acreditar que não havia problema em manter relações sexuais com membros de sua própria familía e que cada pai, inclusive o seu, possuía maneiras diferentes de “amar” os seus filhos.

O falso Messias

(Fonte: All That's Interesting/Reprodução)

Em 1968, depois de ficar algum tempo nas Forças Armadas dos Estados Unidos, Marcus Wesson conheceu Rosemary Solorio, uma mulher casada e com filhos que morava em San Jose, na Califórnia, e com quem ele passou a ter uma relação às escondidas. Meses depois do envolvimento, Rosemary se separou de seu marido, pegou as crianças e foi morar com Marcus.

No início do casamento, o homem chegou a trabalhar por um curto período em um banco, mas logo acabou ficando desempregado novamente e começou a viver do beneficio do governo que Rosemary podia receber por conta de problemas familiares.

Em 1971, a mulher deu à luz o primogênito de Marcus, chamado Adair Wesson. A empolgação de se tornar pai durou apenas o tempo necessário para que conseguisse se aproximar o suficiente da enteada, Elizabeth. Só em 1974, no entanto, quando a garota tinha oito anos de idade, que o homem passou a molestar, tocar e insinuar-se para ela, sempre deixando muito claro que tudo aquilo que estava fazendo era o “certo”, pois afirmava que Deus a havia escolhido para que fosse sua esposa, que era a sua “prometida”.

Foi nessa época, inclusive, quando ele tinha 27 anos de idade, que numa cerimônia realizada na sala de estar de sua casa Marcus se “casou” com a menina de 8 anos após convencê-la de que a mãe já sabia de absolutamente tudo e que havia permitido. Marcus Wesson realizou a suposta união atráves de uma pseudo-Bíblia que ele mesmo havia escrito ao longo dos anos, deturpando passagens e ensinamentos à sua moda, adicionando convicções próprias e estabelecendo leis divinas que beneficiavam e também sustentavam seu pensamento doentio e descontrolado.

Quando Elizabeth completou 12 anos, o homem passou a estuprá-la diariamente, ao passo que fazia uma lavagem mental na garota, injetando seus pensamentos e, de certa forma, oprimindo-a fazendo aceitar toda aquela história de terror. E quando ela finalmente completou 15 anos de idade e engravidou, Marcus se casou legalmente com ela e declarou a Rosemary que se mudaria com a garota para começar a constituir sua familia não convencional e "mais amada aos olhos de Deus".

Abusos e opressão

(Fonte: Abc News/Reprodução)

A irmã mais velha de Elizabeth deixou seus sete filhos para que ela cuidasse, pois seria incapaz de fazer isso por conta de seu vício em drogas. Marcus, então, pediu para que Rosemary entregasse a van da família para o transporte de todos ou ele levaria Adair Wesson consigo.

Sendo assim, Rosemary deixou que partissem com o carro. Desempregado e vivendo de fraudes que tramava para conseguir receber o benefício do governo, em 1989, Marcus foi condenado a pagar uma multa por defraudação e perjúrio. E, a partir disso, a família começou a viver de local em local, como nômades, invadindo casas vazias, morando em barracos e até mesmo em barcos. Sobreviviam de tickets alimentação.

Nesse interím, Elizabeth passou a ter uma vida de privação e encarceramento. Os abusos contra ela e as crianças vieram ao longo disso. Marcus Wesson começou impedindo que a garota participasse da educação delas, que passou a ser de modo doméstico, uma vez que sequer possuíam acesso a uma casa que fosse mais do que uma barraca militar no meio da floresta, e porque ele também precisava doutriná-las através de sua Bíblia readaptada e escrita de próprio punho, cujo conteúdo retratava Jesus como um grande vampiro. Marcus até chegou a ordenar que só se referissem a ele como “Mestre” ou “Milorde”. Além do preparo exaustivo que fazia para o Armagedom, o homem logo deu início ao processo de preparação das sobrinhas de Elisabeth para se tornarem suas esposas.

Durante meses, ele separou os meninos das meninas, temendo que desenvolvessem algum tipo de atração sexual um pelo outro. E em mais uma cerimônia, o homem se casou com Ruby Ortiz, Rosa e Sofina, com sete, oito e 11 anos de idade respectivamente. Marcus passou uma noite inteira estuprando-as num suposto ato de “consumar” a união, como ele mesmo disse. Quando entraram na puberdade, cada uma delas, incluindo sua filha, acabaram engravidando dele. Os registros acusam que Marcus Wesson teve sete mulheres, sendo cinco delas suas filhas, e 18 filhos, todos frutos de relações incestuosas.

Em meio a tudo isso, havia muito espancamento e dor. Tacos de beisebol, fios elétricos e os próprios punhos eram apenas um dos meios que o homem se valia para atacar a família. Durante o tribunal, o seu filho, Serafino, lembra de ter apanhado durante 30 dias sem parar, simplesmente por ter roubado uma colher de pasta de amendoim. Sofina também confessou que Marcus agrediu seu filho de apenas um mês de idade até que as perninhas dele sangrassem.

O plano engatilhado

(Fonte: CBS News/Reprodução)

Marcus era fascinado por David Koresh, o líder de um culto religioso, que também possuía diversas mulheres e filhos de relações incestuosas. Quando a polícia fez o cerco ao complexo de Koresh, em 1993, ele alertou: “Esse homem é como eu. Ele está criando os filhos para o Senhor”. Logo em seguida, Marcus anunciou um pacto de suícidio se o governo federal tentasse destituir sua família. E diariamente ele discutia com todos cada detalhe de seu plano de assassinato.

É absolutamente impossivel medir ou imaginar o grau de subjugação que cada uma das vítimas sofria. Eram totalmente controladas por aquele mundo que o homem de 130 quilos havia criado. Era tudo o que eles conheciam. No entanto, aquela lavagem cerebral não havia liquefeito o cérebro de Ruby Ortiz e Sofina Solorio o suficiente. Elas pediram para ir embora e Marcus concordou, contanto que cada uma deixasse seus filhos para trás. Desesperadas, as duas acabaram concordando e, à medida que foram absorvendo tudo o que havia da realidade e aprendendo, logo se deram conta de que aquilo que o homem estava fazendo não era nada normal.

Então, naquele dia 12 de março de 2004, as duas mulheres reuniram alguns parentes e foram até a casa de Marcus para reinvindicar os filhos. Elas foram recebidas com xingamentos das outras esposas, que ordenavam que se curvassem diante do mestre delas. A polícia foi acionada pelos parentes assim que a gritaria começou. Ruby e Sofina entraram em pânico. Elas avisaram que Marcus machucaria as crianças, lembrando do pacto de assassinato quando um dos policias começou a falar por um megafone.

Armado com um rifle de calibre 22, Marcus Wesson cumpriu seu plano maligno de assassinato e, às 14h30 da tarde, executou nove membros da família com tiros na cabeça, quase todos entre os olhos das vítimas. Todos os policiais negaram ter ouvido os diversos disparos, apesar de vários vizinhos e, inclusive, transeuntes terem afirmado o contrário, e só entraram quando o homem apareceu à porta ensopado de sangue. Ele havia assassinado todos os filhos e os empilhado no quarto, de acordo com suas idades.

No dia 27 de junho de 2005, após um longo período de julgamento, Marcus Wesson foi considerado culpado das nove acusações de assassinato e 14 crimes sexuais, sendo então sentenciado à pena de morte e condenado a andar não como o "Cristo vivo", como ele mesmo se declarava, mas como o monstro, o estuprador e assassino que era.


Em breve novidade aqui!!!

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