Voo 243 da Aloha Airlines despressurizou em pleno ar

16 Setembro 2020
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O que você tem medo de que aconteça durante uma viagem de avião?

De acordo com estatísticas da Federal Aviation Administration (FAA), cerca de 73% das pessoas têm medo de estar

em um voo com problemas mecânicos, sendo que 62% temem que a aeronave voe em condições climáticas ruins.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) aponta que, a cada 1 milhão de aviões que decolam, menos de 2 apresentarão problemas técnicos durante o percurso. Esse dado inclui também os imprevistos de todos os tipos. Levando-se em consideração os incidentes de maior proporção, as chances se tornam ainda menores: cerca de 10 incidentes fatais a cada 40 milhões de voos.

(Fonte: National Geographic/Reprodução)

O Departamento Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos realizou uma pesquisa em que analisou todos os acidentes aéreos que aconteceram entre 1983 e 2000. Eles concluíram que de 53.487 pessoas envolvidas em acidentes aéreos, 51.207 sobreviveram. “Se excluirmos acidentes onde todos os passageiros morreram e considerarmos apenas os que são ‘tecnicamente sobrevivíveis’, a média de sobrevivência é de 71,1%”, concluiu Edwin Galea, professor da Universidade de Greenwich e matemático especialista em engenharia de segurança e desenvolvimento de simulações.

Mas quais são as chances de sobrevivência em um acidente grave, como casos em que há a perda da fuselagem do avião? Os estudos do IATA consideram que uma “perda do casco” em pleno voo é o suficiente para determinar uma morte certa.

Ponto de ruptura

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Em 28 de abril de 1988, o voo 243 da Aloha Airlines estava programado para decolar do Aeroporto Internacional de Hilo, no Havaí, com destino ao Aeroporto Internacional Daniel K. Inouie, em Honolulu, em uma viagem de aproximadamente 1 hora de duração.

Como de costume, Madeline Lynn Tompkins, a primeira oficial de voo, fez uma inspeção pré-decolagem na aeronave e não notou nada de incomum no Boeing 737-297, apelidado de Rainha Liliuokalani. Só naquele modelo de avião, Tompkins já acumulava 3,5 mil horas de voo de suas 8 mil horas totais. O piloto, comandante Robert L. Schornstheimer, possuía 8,5 mil horas de voo, das quais 6,7 mil horas eram só no Boeing 737.

Às 13h25, o voo 243 decolou com 6 membros da tripulação e 89 passageiros a bordo sob boas condições meteorológicas. Só naquele dia, a aeronave já havia concluído 3 voos de ida e volta entre Honolulu e Hilo sem nenhum problema, então tudo indicava que aquele seria mais um deles. Mas não foi.

Às 13h48, quando o avião atingiu 7.315 metros de altura, houve uma descompressão explosiva que arrancou a porta da cabine de comando e parte da fuselagem da aeronave, expondo todos os passageiros ao céu azul. O dano se estendeu da metade do teto da cabine do lado esquerdo até a asa dianteira, com aproximadamente 5,6 metros de comprimento.

O pânico nas alturas

(Fonte: AeroTime/Reprodução)(Fonte: AeroTime/Reprodução)

De repente, a morte de todos se tornou um destino iminente. Quando o comandante sentiu a aeronave perder estabilidade e os controles falharem drasticamente, ele decidiu jogá-la em direção ao Aeroporto de Kahului, localizado a cerca de 43 km de onde estavam. Era a melhor chance de sobrevivência que tinham naquele momento.

Quando eles atingiram os 3 mil metros de altura, o avião se tornou ainda menos controlável, portanto o capitão manteve a velocidade para conseguir chegar na pista. O trem de pouso foi abaixado, porém a luz verde de sinalização não acendeu. O sistema manual foi ativado, mas mesmo assim a luz verde e a vermelha não acenderam.

O Boeing 737 começou a guinar, sem nenhuma estabilidade depois de o motor número 1 ter sido danificado pelos detritos lançados pela explosão. Tompkins tentou reiniciá-lo, mas sem sucesso. A solução foi ativar o reversor de empuxo do motor número 2 para desacelerar a aeronave. Felizmente, às 13h58, o avião conseguiu pousar com sucesso na pista 2 do Aeroporto de Kahului.

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Apesar da gravidade do acidente, houve apenas uma fatalidade naquele dia. A comissária de bordo Clarabelle Lansing, de 37 anos, que estava perto dos assentos da quinta fileira quando aconteceu a explosão. Ela foi arremessada para fora do avião e seu corpo jamais foi encontrado.

Somente 8 pessoas sofreram ferimentos muito graves entre as 65 que ficaram feridas. Além da manobra fantástica do comandante Robert L. Schornstheimer para pousar com segurança, o que evitou que mais pessoas tivessem o mesmo triste fim que Clarabelle foi o fato de estarem usando cinto de segurança durante a despressurização.

O que aconteceu no ar

(Fonte: Gizmodo/Reprodução)(Fonte: Gizmodo/Reprodução)

O Boeing 737 teve perda total e foi simplesmente desmontado pela Aloha Airlines. O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) dos Estados Unidos concluiu que a causa do acidente foi o rompimento dos rebites da fuselagem por fadiga devido a um grande número de ciclos de pressurização/despressurização da aeronave, bem como o fato de operar em um ambiente costeiro de ar muito salgado.

A fuselagem do avião acumulava 35.496 horas de voo pertencentes a 89.680 ciclos de pousos e decolagens em seu período total de operação. Isso equivale a mais de duas vezes o número de ciclos de voos para os quais a aeronave foi planejada.

O Programa de Avaliação de Frota Envelhecida da Boeing já havia feito recomendações para que as companhias aéreas incluíssem um esquema completo de controle de corrosão e inspeções estruturais em aeronaves a jato com mais de 40 mil ciclos de voos.

O acidente do voo 237 entrou para a história da aviação pela maneira como terminou e isso afetou as políticas e os procedimentos de segurança nos anos seguintes.

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