Agentes relatam insegurança, insalubridade e estrutura precária em unidades do CSE em RR


Denunciantes dizem que faltam recursos para segurança pessoal e denunciam más condições de higiene, risco de doenças, e estrutura deteriorada. Foto divulgada por agentes mostra banheiro de cela do
CSE de Bom IntentoDivulgação Agentes das duas unidades do Centro Socioeducativo em Boa Vista, localizadas no Bom Intento (zona rural) e no bairro Calungá (zona sul), procuraram o G1 nesta quinta-feira (11) para denunciar insalubridades, riscos à segurança e estrutura precária em ambos os locais. As críticas dos agentes se intensificaram após dois internos atacarem servidores usando um objeto pontiagudo no Bom Intento na semana passada, e a fuga de cinco menores da unidade no Calungá na segunda-feira (8). O G1 solicitou um posicionamento da Secretaria Estadual do Trabalho e Bem-estar Social (Setrabes) aguarda retorno. Na unidade do Calungá, os agentes afirmam que a fuga dos internos foi facilitada pela estrutura do local, que, segundo eles, é imprópria para abrigar os menores. “Os fugitivos conseguiram pular o muro da unidade por meio de uma árvore que havia ao lado da instalação. Sem falar que as paredes e portas possuem materiais facilmente penetráveis”, afirmou uma agente socioeducativa. Na segunda (8) internos escavaram as paredes da unidade do CSE no Calungá enquanto estava chovendo, para abafar o barulho e fugiram Divulgação A princípio, a unidade do Calungá foi criada para servir como regime semiaberto para internos de boa conduta. Porém, após a rebelião de menores na unidade de Bom Intento, em agosto do ano passado, membros de facções foram separados, dividindo rivais entre as duas localidades, após ordem da Justiça. Agora a unidade tem 12 internos com três agentes para cada plantão. “A legislação é bem clara. Cada medida possui um tipo de unidade, e nós temos internos com a mesma medida em unidades totalmente diferentes. Uma com segurança e outra sem. O ideal seria termos ao menos cinco agentes por plantão, utilizando o mínimo de proteção não-letal aos jovens, como spray de pimenta, algemas, tonfas e coletes. Coisa que não existe em nenhum dos dois CSEs”, afirmou outro agente da unidade. Ferro usado pelos adolescentes para ferir o servidor na unidade de Bom Intento Divulgação O agente também destacou que não há materiais para preservar a saúde dos funcionários, e que ambas as unidades estão sujas. “Dois agentes já tiveram tuberculose por causa das más condições das unidades. Luvas são a nossa maior necessidade pois revistamos os internos, o que pode incluir contato com as partes íntimas deles. Fazemos isso sem luvas, e com risco de contrair Doenças Sexualmente Transmissíveis, que alguns dos internos possuem”, explicou. Já entre os problemas exclusivos da unidade em Bom Intento, um agente socioeducativo apontou que, como consequência da revolta, parte da fiação elétrica em Bom Intento foi queimada. Após rebelião em agosto do ano passado, parte da fiação elétrica foi danificada no CSE de Bom Intento Arquivo pessoal “Geralmente temos oito ou nove agentes por plantão, para uma quantidade de internos que pode chegar a 70, pois o fluxo entre os que entram e são liberados é constante. É difícil manter o controle da unidade assim. Quando ocorreu a rebelião do ano passado, só haviam cinco no plantão”, contou o agente. O agente também destacou que a estrutura da unidade está se deteriorando, e precisando de uma reforma e que com a rebelião de agosto do ano passado, parte da fiação elétrica foi queimada, e até hoje está sem reparos. “O banheiro que alguns dos internos usam parou de funcionar há meses. Como consequência, eles são conduzidos a usar o nosso. O local não é um breu total, ainda há lâmpadas que ligam, mas a iluminação é muito fraca. Sem falar que os banheiros que funcionam são fossas, com um fedor insuportável”, comentou.

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