Nordeste africano dá acesso ao "Portão do inferno"

(foto: Wikimedia Commns/Reprodução )

No nordeste da África, na Etiópia, a 600 quilômetros da capital Adis Abeba, está o deserto Danakil, onde sobressai a colina

vulcânica de Dallol. É o lugar mais quente do planeta Terra, o “portão do inferno “, como definiu Enoque, que teria sido o primeiro homem sábio que recebia revelações sobre segredos do universo, tinha grande sabedoria adquirida em viagens aos céus, guiado por anjos e teria se dedicado à escritura para trasnmitir às gerações futuras. Dados disponíveis no Google Earth Engine registraram temperatura de 40º C para o mês de junho de 2019, com média de 46,07º C.

O Livro de Enoque, escrito em aramaico (a versão disponível é na linguagem etíope), entre 170 e 64 a.C., tem narrativa apocalíptica e levanta a hipótese do fim do mundo em que um grande abismo se abrirá, a Terra será engolida pelo fogo, semelhante ao Apocalipse de João. Enoque era filho de Jared, pai de Matusalém e bisavô de Noé. Em Gênesis (5,26-27) há uma citação sobre a obra do autor etíope: “Henoc andou com Deus. Depois do nascimento de Matusalém, Henoc viveu trezentos e sessenta e cinco anos. Henoc andou com Deus, depois desapareceu, pois Deus o arrebatou.”

O cenário que o escritor descreve é parecido com a paisagem de Danakil, pois na sua origem, em tempos pré-históricos, o território tinha a forma de um precipício. A colina possui, na superfície, uma mistura de cores e bolhas que remetem à criação do planeta Terra. Toda área é instável com frequentes terremotos e vulcões. Fora isso, o local é o mais quente do mundo. O deserto está a 120 metros abaixo do nível do mar, entre o Planalto Etíope e O Mar Vermelho.

Dallol é uma colina vulcânica de origem desconhecida cercada por montes de alturas entre os 50 e 60 metros e com 3km de circunferência. As massas de rochas em fusão, conhecidas como magmas, têm em sua superfície a presença de ácidos que formam lagos coloridos nas cores brancas, amarelas e vermelhas pelas variações iônicas do enxofre e do potássio que acarretam erupções gerando alta temperatura.

Há vida em Dallol

Moradores criam camelos, que fazem o carregamento do material (foto: Wikipédia/Reprodução)
Moradores criam camelos, que fazem o carregamento do material (foto: Wikipédia/Reprodução)


As condições inóspitas sugerem um ambiente impróprio para a sobrevivência humana, mas há uma população caracterizada como nômade, já que ocupa a região de forma semitemporária. Os Afars se adaptaram ao clima, ao terreno e às dificuldades. Moram em cabanas de madeira na aldeia chamada de Hamadela. Sobrevivem pelas atividades do comércio de sal extraído das lajes e a criação de rebanhos de cabras, burros e camelos, que transportam o produto até o mercado.

Gustavo Baptista, professor da Universidade de Brasília — UnB, associado do Instituto de Geociências e especialista em Sensoriamento Remoto, explica que diversos fatores influenciam na alta temperatura do local. A área desértica recebe apenas 100-200mm de água de chuva por ano. Por esse motivo, os moradores vivem com o que é fornecido pelo único rio da região, o Awash. Além da temperatura, a umidade de 60% e os gases nocivos que são exalados das piscinas de enxofre, que são comparadas a pequenos hades (infernos de fogo). Porém, não só as substâncias presentes na cratera fazem do lugar o mais quente do mundo.

“A profundidade que a depressão se encontra, a 120 metros abaixo do nível do mar, tende a dificultar a circulação de ventos. Em 2018, houve índice zero de vegetação, porque a água é uma salmoura densa, que mais parece um gel e sua acidez é muitíssimo elevada. Isso impede o desenvolvimento de matas. Por ser um deserto salino, a umidade do ar fica retida no sal tornando o ambiente ainda mais seco, além de estar numa zona na qual ocorre a divergência de duas grandes células de circulação atmosférica que determina a presença dos maiores desertos do mundo, a cerca de 30º de latitude tanto norte como sul”, afirma o especialista.

Baptista alerta para o risco de explosões no local diante das características do vulcão, que tem cerca de 900 milhões de ano, 1.450 metros de diâmetro e continua aberto, com a presença de ácidos. “ Como essa depressão foi alagada diversas vezes nos últimos 200 mil anos pelo Mar Vermelho, ela é coberta por uma carapaça de sal com cerca de 2km de espessura. É um local de encontro de três grandes falhas, há chances de romper e de se agravar”, explica. (TC)

O fogo que atrai

(foto: O vulcão Eart Ale tem cerca de 900 milhões de anos)
(foto: O vulcão Eart Ale tem cerca de 900 milhões de anos)

Uma imagem recorrente na região é a de habitantes, vestidos em roupas coloridas, seguidos por cáfilas que carregam sacos de sal. Eles seguem caminhos desenhados por rochas formadas por compostos químicos de cloreto ferroso, e hidróxido de ferro no deserto de Danakil. Os minerais colorem as rochas em tons que vão do branco, passam ao amarelo e tingem-se de vermelho, de acordo com a variação iônica de enxofre.

De acordo com a embaixada da Etiópia no Brasil, a superfície do vulcão Dallol é um dos pontos turísticos que atraem visitantes. Danakil também abriga o vulcão Erta Ale. A depressão possui 40km de extensão e uma altura de apenas 600 metros. O topo está cortado por uma caldeira alongada com 1.700 x 600 metros de largura, no interior do qual se encontra o lago de lava. Segundo relatos divulgados pela Volcano Discovery, abriram-se novas fissuras dm 21 de janeiro de 2017, a cerca de 7km da caldeira, emitindo grandes quantidades de magma.

Nas depressões do deserto de Danakil, lajes de onde os habitantes extraem sal(foto: ethiopiatravel/Reprodução)
Nas depressões do deserto de Danakil, lajes de onde os habitantes extraem sal(foto: ethiopiatravel/Reprodução)

Como Chegar

  • A Ethiopian Airlines opera voos regulares com capacidade para 78 passageiros em oito viagens diárias para a capital da Etiópia, Addis Abeba (ADD) para Meleke (MQX), que é um acesso próximo A Dallol. Para se chegar até o deserto de Danakill , o passageiro brasileiro deve pegar um voo em São Paulo (GRU), ir até a capital etiópia, e de lá pegar outro voo até Meleke.
  • De Meleke o viajante deve utilizar transporte terrestre para chegar a Dallol, um trajeto de 4h40m. O transporte pode ser reservado por uma agência de viagens ou pela ET Holidays, DMC do Grupo Ethiopian Airlines. Os operadores de turismo locais costumam oferecer os pacotes A Dallol por meio desta operação, de onde segue em tour terrestre até os atrativos locais.

* Estagiária sob supervisão de Taís Braga

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