"Onzepresença" suíça

(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)


Todos conhecem aquela pessoa fascinada por astrologia e que acompanha as previsões diárias do horóscopo. Ou ainda aquele que não se

atreve a passar embaixo de uma escada e morre de medo de quebrar um espelho ou que sempre anda munido de seu amuleto.Uma figura comum, não é mesmo? Se você não conhece, possivelmente, esta pessoa seja você. O encantamento pelas superstições acompanha os povos há milhares de anos. Seja como uma ponte que liga o ser humano ao universo, seja em uma tentativa de explicar o que a ciência ainda não pôde provar, elas fazem a cabeça de muita gente. E, também, arrebataram toda a cidade de Soleura, a Noroeste da Suíça, há centenas de anos.

Capital do Cantão de Soleura, a pequena urbe, que tem apenas 16,7 mil habitantes, carrega uma curiosa conexão com o número onze. Existem 11 capelas, 11 fontes, 11 igrejas, 11 museus e 11 torres na cidade. Todas as inspirações, concretizadas em pedras sob pedras, não são casuísticas. Apesar de instigante, a história ainda tem um quê de mistério e não faz parte do repertório cultural suíço. No século XV, o Cantão de Soleura foi o 11º a integrar a Confederação Suíça. Já no século seguinte, ele foi repartido em 11 protetorados, antes disso, em 1252, o conselho da cidade foi eleito com 11 membros.

Giulia Titton passeou pela cidade e gostou das ruas: charme especial(foto: Arquivo pessoal)
Giulia Titton passeou pela cidade e gostou das ruas: charme especial(foto: Arquivo pessoal)

Às margens do rio Aare, o maior da Suíça, e aos pés da Cordilheira do Jura, parte do complexo montanhoso dos Alpes, Soleura é uma cidadezinha que guarda verdadeiros tesouros. A arquitetura barroca do local é considerada a mais bonita de todo país. Entre centenas de casarões com telhados castanhos e suas múltiplas janelas que cobrem as paredes, dezoito edificações foram tombadas como patrimônio suíço.

As pequenas dimensões da capital, o reduzido número de habitantes e as antigas ruas dão à cidadela ares provincianos. Visitando o irmão que mora na Suíça, Giulia Titton, 20 anos, teve bastante tempo para passear por Soleura. “Fiquei cerca de 20 dias por lá, então caminhei por todo o lado. Eu deixei para conhecer tudo estando na cidade, então, desconhecia a ligação com o número onze. Apesar disso, acho que vale muito a pena conhecer o centro histórico, porque as ruas têm um charme especial”, aconselha a estudante.

Esculpida em meio ao vale, Soleura é detentora de infinitas belezas. “A cidade é maravilhosa, tu consegues enxergar os Alpes de diversos lugares e ela passa um clima muito aconchegante. Eu, com certeza, voltaria pra lá. Moraria se pudesse, inclusive, porque não há um canto naquele lugar que não engrandeça os olhos. Soleura é completamente charmosa”, saudosa, diz Giulia.

Defendida e difundida, a crendice atravessou gerações e marcou a cultura deste povo. E, mesmo que muitos desconheçam a fabulosa relação entre o número 11 e a construção deste povo e da arquitetura da cidade, estes locais merecem atenção redobrada de quem passa por Soleura.


Museu de Belas Artes

(foto: Fotos: Wikimedia Commons/Reprodução)
(foto: Fotos: Wikimedia Commons/Reprodução)

O Kunstmuseum abriga um dos acervos mais importantes de toda Suíça. Ele foi fundado em 1902, como um departamento de história natural, chamado Museu de Arte e Ciência. Na década de 70, este departamento foi transferido ao Museu da História Natural e o Kunstmuseum assumiu identidade própria. Em seu acervo, pode-se encontrar obras de grandes nomes e gênios das artes como Vincent van Gogh, Gustav Klimt, René Matisse e Paul Cézanne.


Catedral de São Ursus


Talvez o mais icônico edifício da cidade e aquele que carrega a superstição da alma à superfície . Construída em 11 anos, a igreja possui 11 portas, 11 altares, três escadarias com 11 degraus, cada uma. Há duas fontes que ornamentam o espaço, nas quais estão instaladas 11 torneiras que despejam água sob as esculturas de Moisés e Gideão, dois personagens bíblicos. O arquiteto responsável pelo projeto foi o italiano Gaetano Matteo Pisoni, obrigado pelo governo da época a incluir todos esses símbolos na construção. Ainda foram utilizados 11 tipos de mármores na pavimentação e a catedral conta com três pés direitos com 11 metros de altura cada.


Igreja Jesuíta


A grandiosidade da Capela de São Ursus pode até ofuscar um pouco o brilho da Igreja Jesuíta, mas o templo não perde em beleza e graciosidade. Considerado um dos edifícios barrocos mais belos da Suíça, a igreja possui uma fachada ricamente ornamentada. Uma estátua em pedra calcária da Virgem Maria recepciona os cristãos e visitantes que buscam encantamento aos olhos e à alma. Construído entre 1680 e 1689, o santuário é enfeitado por quadros do pintor suíço Franz Carl Stauder, que retratam a Assunção de Maria.


Torre do relógio


Esta é uma das edificações mais antigas de Soleura, datando de 1452, ela passou por reformas e teve inserido na estrutura um relógio astronômico construído por Lorenz Liechti Winterthur e Schaffhausen Johachim Habrecht, em 1545. Além das horas, o poderoso mecanismo indica as fases da lua, o dia, mês e ano, além do posicionamento dos 12 signos e as estações do zodíaco. Todas as funcionalidades seriam argumento o suficiente para tornar essa torre um verdadeiro espetáculo, mas a beleza de sua arquitetura também é de deixar qualquer um boquiaberto. No dossel da torre, as esculturas de um cavaleiro, um rei e um esqueleto convidam à reflexão sobre a passagem do tempo.


Relógio da praça central


Atravessando uma das pontes que dão acesso ao município, chega-se à praça central de Soleura. No local, há pendurado na parede de um banco de investimentos um relógio bem singular. Formado por 11 dígitos, 11 engrenagens aparentes e 11 sinos. Ele não marca meio-dia ou meia-noite, mas sempre que os ponteiros alcançam o número anterior, os sinos soam e o hino não oficial da cidade, o Solothurner Lied, é tocado.

* Estagiária sob supervisão de Taís Braga

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