O paraíso existe e é logo ali, no Rio Grande do Norte

(foto: Fotos: Fernando Brito/CB/D.A Press)


“Meus Deus, que coisa linda”, suspira Carla Motta, 32 anos, contemplando o infinito do topo da falésia conhecida como

Chapadão — um paredão de aproximadamente 80m de altura e tonalidade avermelhada de frente para o mar. A enfermeira mineira conta que foi seduzida pelos relatos de amigos e familiares sobre os encantos da Praia da Pipa — um charmoso vilarejo do município de Tibau do Sul, localizado a cerca de 80km de Natal. Economizou dinheiro durante um ano e, assim que tirou férias, realizou o sonho. “O esforço valeu a pena”, diz sorrindo, antes de disparar uma sequência de selfies explorando múltiplos ângulos da área.

Nos últimos anos, Pipa se tornou o point de turistas descolados do mundo inteiro, atraídos por belas praias, reservas de Mata Atlântica, gastronomia refinada e uma boemia sofisticada. Os surfistas foram os primeiros a chegar, ainda no fim da década de 1970, seduzidos pelas fortes ondas da região. Algum tempo depois, surgiram os pioneiros do ramo da hotelaria, como o empresário catarinense Rubens Rauen, 69 anos, que se orgulha de ter fundado a quarta pousada da antiga vila de pescadores.

(foto: Fernando Brito/CB/D.A Press)
(foto: Fernando Brito/CB/D.A Press)

“Durante anos, eu havia viajado pela Europa e Ásia, comercializando artesanato. Falo seis idiomas. Na adolescência, cheguei a estudar em Brasília. Em 1993, quando voltei para Chapecó (SC), minha ex-esposa, uma argentina, não gostou do clima. Decidimos procurar algo no Nordeste e paramos em Pipa”. Na época, por US$ 35 mil, comprou um terreno de 8.000m². “Era o equivalente a um ano de aluguel de garagem na Itália”, lembra. Hoje, como bon-vivant, dedica-se ao violão, às pescarias e a administrar a bem-sucedida e aconchegante Pousada Oásis, que conta com 17 suítes e 12 funcionários, com diárias que variam de R$ 270 a R$ 400, conforme a estação.

Além da vasta orla, que tem como passagem obrigatória aos visitantes as praias das Minas, do Amor e de Sibaúma — esta última com uma agradável travessia pelo Rio Catú, muito apropriada especialmente para crianças —, o Santuário Ecológico de Pipa desponta entre os atrativos naturais do município de Tibau do Sul. Com área privativa de cerca de 90 hectares, fundada em 1980 pelo engenheiro inglês Charles Capelle, que atuou no projeto da hidrelétrica de Itaipu, o local conta com diversas trilhas, percorridas sempre sob a confortável sombra de uma densa mata, e incríveis mirantes, de onde é possível observar a movimentação de golfinhos e tartarugas no mar.

Preservação

(foto: Fernando Brito/CB/D.A Press)
(foto: Fernando Brito/CB/D.A Press)

Com objetivo de proteger o rico patrimônio ambiental e cultural da região, empresários e líderes comunitários instituíram o grupo Preserve Pipa, que busca, em articulação com a administração pública, estabelecer políticas para o desenvolvimento sustentável local. “Nossas ações têm como foco os investimentos em infraestrutura, divulgação e preservação do município. Nos últimos 18 meses, arrecadamos R$ 90 mil e doamos à prefeitura para ações nesse sentido. No âmbito da legislação, trabalhamos desde a proibição da utilização de canudos de plástico até a discussão para a criação do chamado IPTU Verde para os proprietários de imóveis que invistam em iniciativas de sustentabilidade”, explica Wanderson Borges, 44 anos, dono da Pousada Xamã, que emprega 10 funcionários.

Para completar o giro pela região, conhecer a Lagoa de Guaraíras é uma excelente pedida. Por R$ 65, é possível embarcar em um passeio de lancha pelo local, tomar um revigorante banho de argila dos mangues e mergulhar em serenas águas límpidas. Na volta, as barraquinhas do local oferecem saborosos peixes para a refeição e o dia pode ser finalizado em alto estilo no glamoroso. Pipa Lagoa Hotel. O empreendimento apresenta jardinagem impecável, uma grandiosa piscina, serviço de bar e diversas suítes. Além da hospedagem, é possível apenas visitar e usufruir das instalações do espaço, por ingresso ao custo de R$ 100, com 50% revertidos em consumação. A experiência atinge o clímax ao pôr do sol, que, apesar dos deslizes do DJ, em lapsos de recaídas bregas, confere um ar de sagrada magia ao cenário.

Cuidado: você vai engordar

(foto: Restaurante Macoco/Divulgação)
(foto: Restaurante Macoco/Divulgação)

Cuidado! Provavelmente, você vai engordar por causa da viagem ao Rio Grande do Norte. A capital potiguar e o município de Tibau do Sul são povoados por uma linha diversificada de restaurantes, que vão da tradicional culinária local à cozinha internacional. Em Natal, as passagens obrigatórias ficam por conta do Camarões, que está sempre lotado e oferece um dos melhores custos-benefícios para provar frutos do mar. “O importante é que os clientes saiam felizes e satisfeitos”, diz o sempre sorridente e atencioso garçom Josivaldo. Vale também conhecer as casas Marechal e Recruta, com ambientes sofisticados e pratos contemporâneos e orientais, respectivamente.

Nos arredores da capital potiguar, é ainda especialmente recomendável almoçar no Camurupim Parque, onde o casal Ane e Jairo Coutinho capricham no tempero feito à base de leite de coco, o que confere especial sabor aos peixes e aos caranguejos oferecidos. O espaço conta ainda com excelente piscina e divertida área de lazer para as crianças.

Para quem visita Timbau do Sul, o banquete segue farto. Na Praia da Pipa, subindo a Rua do Céu, o Macoco trabalha com o conceito de cozinha artesanal, servindo frutos do mar, pizzas e opções vegetarianas. “Trabalhamos em parceria com produtores orgânicos da região, além de alguns grupos femininos e indígenas, de quem compramos camarões, ostras, queijo de cabra, legumes e verduras”, explica o chef argentino Lucas Sabadini, 33 anos. Após estudar durante parte da infância em Brasília, ele morou na Espanha e nos Estados Unidos antes de chegar a Pipa com a esposa, a psicóloga Michaela Bitarello, com quem montou o restaurante em 2012. “Queríamos um lugar para viver e não apenas trabalhar. Os negócios vão bem e acabamos de ter o nosso primeiro filho, Miguel”, celebra o cozinheiro surfista.

(foto: Larissa Cavalcante/Divulgação)
(foto: Larissa Cavalcante/Divulgação)

Nascida em Pipa, a chef autodidata Luciana Galvão, 37 anos, teve passagem pelo Peru antes de voltar à terra natal e inaugurar a Kausai Cevicheria. “O ceviche é um prato típico peruano, baseado em peixe cru marinado em suco de limão. Eu faço algumas criações a partir desse conceito, inspirada também na cozinha local e na influência que recebi de outros chefs”, explica, após um saboroso jantar.

À beira da praia, o Amô oferece de tapiocas a peixes e uma ótima estrutura. Os paladares mais refinados e internacionais podem ainda visitar o Cicchetti, com cardápio de variadas porções, do café da manhã ao jantar. Mas para quem aprecia mesmo a boa e velha fartura nordestina, o indispensável é conhecer o Espaço Lampião, que serve o saboroso grelhado de frutos do mar, suficiente para saciar até quatro pessoas — um investimento recompensante por R$ 250.(FB)

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