Terça, 03 Setembro 2019 12:39

Filha de Chico Mendes vai ao MP pedir punição para responsáveis por queimadas no AC: 'legado ameaçado'


Coordenadora do Comitê Chico Mendes e filha do ambientalista, Ângela Mendes entregou documento no MP-AC. Coordenadora do Comitê Chico Mendes e filha do ambientalista entregou documento para procurador-geral
Sammy BarbosaReprodução A filha mais velha do ambientalista Chico Mendes, Ângela Mendes, e entidades ligadas ao meio ambiente foram ao Ministério Público do Acre (MP-AC) para entregar um documento com pedido de apuração para identificar os responsáveis pelas queimadas no estado. Ângela é também coordenadora do Comitê Chico Mendes. "Nossa preocupação é justamente com o legado, memória e luta do meu pai, que é função do comitê desde que foi criado. Esse legado tem estado bastante ameaçado. Em um período muito curto tivemos mais de 100 focos de queimadas", destacou. Ela falou ainda sobre a Reserva Extrativista Chico Mendes, que no mês de agosto liderava os focos de queimadas em áreas protegidas. "O problema na Resex não é só a queimada, é problema com gado, retirada ilegal de madeira. Esse período tem trazido prejuízos tanto para a produção como para saúde das pessoas", afirmou a filha do seringueiro durante a reunião. Em todo o Acre, já são mais de 3 mil focos incêndios, segundo o Inpe. Em Rio Branco somente no mês de agosto o Corpo de Bombeiros já registrou 1.224 ocorrências, o número é 174% maior que o do mesmo período de 2018. Apenas no primeiro dia do mês de setembro, 320 focos de queimadas foram registrados no Acre, segundo aponta o boletim de monitoramento de queimadas. Os dados levaram o grupo a criar o documento e pedir medidas de combate às queimadas. Documento O grupo foi recebido pelo procurador-geral adjunto para Assuntos Jurídicos, Sammy Barbosa. O coordenador de Área de Território e Recursos Naturais e Coordenadoria das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica), Toya Manchineri, relembrou que a floresta sofre há anos com os incêndios, mas este ano as coisas estão piores. "Ao nosso ver todo ano tem, mas esse ano aumentou significativamente. Nossa reivindicação é que o MP entre em ação e aplique as leis cabíveis aos responsáveis", reafirmou. O advogado Gumercindo Rodrigues complementou que a preocupação é de que o número de incêndios aumente no mês de setembro. "É um pedido para que apure o que vem acontecendo em nosso estado, apure se há responsabilidade por algum ente do estado por omissão. Que apure tudo isso e que, entendendo que há responsabilidades, que responsabilize a quem for o direito. É uma ação conjunta de várias organizações, extrativistas e povos indígenas. Estamos unindo forças para combater esse novo momento que passa o Acre e o Brasil", acrescentou. Os representantes entregaram o documento ao procurador-geral Sammy Barbosa, que agora vai encaminhar a reivindicação para a Promotoria Especializada do Meio Ambiente. “Recebi esse documento como coordenador do Centro de Defesa Operacional dos Direitos Humanos, mas vou encaminhar para a Promotoria Ambiental que dará o devido processamento. E, talvez, juntando já a outros procedimentos que foram instaurados para apurar a situação crítica e caótica pela qual o estado passa”, finalizou o procurador-geral.
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