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Kairo: ‘Ameis uns aos outros’ ou ‘armais uns aos outros’

02 Novembro 2019

artigo kairo #

Um Governo com ares de Autoritarismo e Fortes Tendências Antidemocráticas

Bolsonaro quando veio ao Acre, durante campanha: só gestos belicosos contra adversários

Por Kairo Ferreira de Araújo (estudante)

Cada

vez mais avança as falas belicosas de Bolsonaro e seu clã, fazem referência ao AI 5 (Ato Institucional Numero 5), elogios a governos ditatoriais e autoritários, além de ameaçar a não renovação da concessão da TV Globo. Como diz o pensador George Santayana: “Um povo que não conhece a sua História está condenado a repeti-la.” (The Life of Reason, 1905).

Antes de qualquer coisa temos que relembrar que a Ditadura Militar foi um regime autoritário, em que as liberdades politicas foram cessadas, e o ato que o filho do presidente faz referência foi o ápice do autoritarismo brasileiro do período. O marechal Arthur da Costa e Silva (presidente a época) aumentou sobremaneira seus poderes, fechou por tempo indeterminado o congresso nacional e as assembleias estaduais (salvo
a de São Paulo), além disso, suspendeu mandatos, revogou direitos políticos e tirou a garantia de Habeas Corpus em caso de crime político e etc.

Não é necessário ser um fã da TV para compreender que o ataque histérico que Jair Bolsonaro fez a Globo é inadmissível. Para um país ser considerado democrático a liberdade de imprensa é necessária, se as empresas de comunicação ficarem nas mãos de poucas famílias bajuladoras do governo, isso não seria bom a democracia.

Pensemos bem, se ele cometer desmandos e atos de corrupção, com as mídias nas mãos dos seus
apoiadores o governo sempre irá culpar os outros por suas falhas e desviará o foco dos problemas, como ele já faz, criando inimigos que passam longe de serem reais, como no recente vídeo do Leão e as Hienas (que coloca STF, Globo e etc), comunismo, discussões sobre liberdades individuais, LGBTQ+ e etc. A liberdade de imprensa é fundamental para a cidadania, embora as empresas de comunicação não sejam neutras e
apolíticas.

Caso o presidente da República consiga não renovar a concessão da TV Globo, o que restaria de grandes emissoras de TV’s seria SBT, RECORD, REDETV e BAND,cujos donos em sua maioria são abertamente apoiadores do Governo de Jair Bolsonaro, ou seja, para quem é contra a Globo, ruim com ela, pior sem ela. Num mundo ideal, deveríamos ter mais empresas de comunicação do tamanho das supracitadas, para que a
pluralidade de ideias e fontes de informação fossem mais democráticas.

Caso a vontade do presidente venha a vencer, abrirá um perigoso precedente no Brasil, cada jornal (em suas diferentes mídias), que ousasse escrever algo ou fazer qualquer reportagem que o desagradasse, poderá sofrer o mesmo nível de perseguição e ataque. Sendo uma real e perigosa ameaça ao Estado Democrático de Direito e a
transparência no manejo do bem público, que visa atender o interesse de todos.

Quem ainda apoia o presidente, o faz por uma suposta defesa dos valores cristãos, da família “tradicional” e coisas do gênero. O que causa espanto é que jamais li na biografia de Cristo (Novo Testamento), apologia às armas e a violência, muito pelo contrario, ele pregou o amor ao próximo incondicionalmente e o perdão. Uma de suas frases mais famosas é “ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós” João 13:34, que muitos bolsonaristas transcreveram para “armais uns aos outros”.


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