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Kairo: A grande desigualdade brasileira

04 Dezembro 2019

kairo artigo #

Imagem da agência Envolverde – Carta Capital

Por Kairo Ferreira de Araújo – especial p/ oestadoacre

No ano

passado saiu um interessante relatório da Oxfam Brasil, trazendo dados assombrosos do nosso país. Que a sociedade brasileira está entre as mais desiguais do mundo não é nenhuma novidade, nem há muitas duvidas a respeito, mas segundo essa respeitada instituição, se em 2016 ocupávamos a 10ª posição no ranking global da desigualdade de renda, em 2017 passamos para o 9° lugar, com o problema cada vez mais se intensificando ao invés de melhorar.

As politicas públicas adotadas pelos nossos governantes não tem como objetivo se contrapor as essas estatísticas, muito pelo contrário, o que vigora na política a nível nacional e regional é a diminuição e as retiradas dos minguados direitos do povo brasileiro, ou seja, temos um país estruturalmente desigual, cujas  políticas, visa justamente manter e até mesmo aumentar as desigualdades.


Revolta em Feijó com possibilidade de privatização da água (a,v)


Segundo o relatório da Oxfam Brasil chamado: “País Estagnado: Um Retrato das Desigualdades Brasileiras” de 2018, sob o critério-base do Banco Mundial, de US$ 1,90 por pessoa/dia, (nível de renda que o banco considera abaixo da linha da pobreza) havia cerca de 15 milhões de pobres no país em 2017, 7,2% da população, um crescimento de 11% em relação a 2016 quando havia 13,3 milhões de pobres [6,5% da população]. Como não podemos adotar um critério do Banco Mundial, sem levar em consideração as especificidades e características do nosso país, como por exemplo, a renda e poder de compra em nossa moeda, sob essa perspectiva, a situação piora bastante.

O Brasil é, sob critérios do Banco Mundial, Upper-Middle Income Economy (Economia de Renda Média-Alta), em países de renda média, a linha da pobreza é ponderada pelo tamanho da economia e poder de compra, nesse cenário, segundo a instituição, a renda para ser considerado “miserável” no país seria US$ 5,5 por pessoa/dia. Sob esse critério, o Brasil teria atualmente mais de 22% de sua população em situação de pobreza, aproximadamente 45 milhões de pessoas em vez de 13 milhões.

Se isso não fosse o bastante para deixar qualquer pessoa com o mínimo de senso de justiça social estarrecido, ainda temos um sistema tributário absolutamente injusto e imoral. Pois segundo o relatório da Oxfam: “A Distância que nos une: Um retrato das Desigualdades Brasileiras”, de 2017, os 10% mais ricos pagam 21% de sua renda em impostos, enquanto os 10% mais pobres pagam 32%. Os impostos chamados indiretos (tudo aquilo que você paga embutido nos produtos e serviços que consome.) abocanham 28% da renda dos 10% mais pobres, enquanto dos 10% mais ricos, apenas 10%.

Não é de se imaginar, que com essa política tributária e as reformas executadas e postas em marcha, a desigualdade, a miséria e a pobreza diminua na nossa “amada pátria brasileira”. Infelizmente a tendência, se nada for feito, é que a desigualdade e o abismo social só aumentem no Brasil.


Sem noção: Prefeitura de Feijó libera privatização da água


No momento estamos passando por umas das piores crises da história do Brasil, o crescimento esperado pelos economistas para esse ano, é de no máximo um pífio 0,90% do Produto Interno Bruto – PIB, crescimento que obviamente não logrará nem fazer cocegas na abissal desigualdade brasileira.

Ao invés de estarem preocupados e concentrados em problemas centrais, em Brasília, o circo toma conta, responsabilizar figuras externas por problemas nossos é a tônica do governo e sua trupe, segundo o “excelentíssimo” o fogo na Amazônia é culpa de  Leonardo DiCaprio e ONG’s, a crise econômica e na educação é por culpa do PT, assim a agenda política segue pautada em trivialidades e problemas reais passam para segundo e terceiro plano, se é que há algum plano.

(Kairo é estudante da Ufac)


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