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Ex-superintendente do Ibama no AC é preso em operação da PF por facilitar crimes ambientais

08 Mai 2019

Quadrilha atuava no desmatamento de terras da União, diz polícia. Operação ocorreu em três estados. Só em Rio Branco, foram cumpridos 15 mandados de busca Divulgação/PF-AC A
Operação Ojuara, da Polícia Federal, prendeu preventivamente, nesta quarta-feira (8), o ex-superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Acre, Carlos Francisco Augusto Gadelha. Ao todo, devem ser cumpridos 18 mandados de prisão no estado acreano e no Amazonas. A operação também ocorre em Minas Gerais. Gadelha e mais quatro servidores do órgão são suspeitos de corrupção e de facilitar crimes ambientais para beneficiar fazendeiros de Boca do Acre, no Amazonas. A PF informou que os servidores devem ser afastados dos cargos. Ao todo, devem ser cumpridos 18 mandados de prisão no estado acreano e no Amazonas. A operação também ocorre em Minas Gerais. Até a manhã desta quarta (8), foram presos quatro policiais militares de Boca do Acre (AM), cinco pessoas do Ibama no Acre e mais quatro fazendeiros. O delegado da Polícia Federal, que coordenou a operação, Victor Negraes informou que alguns suspeitos ainda estão sendo procurados pela polícia. Em coletiva, PF contou como esquema funcionava no Acre e Amazonas Alcinete Gadelha/G1 Esquema Em coletiva na sede da PF, Negraes contou que a quadrilha funcionava em função do desmate ilegal para a criação de gado. Ele diz ainda que dentro do grupo tinham grupos destinados para manter o esquema. “Essa organização praticava grandes desmatamentos da Floresta Amazônica e envolvia atos de corrupção dos servidores do Ibama, atos de corrupção envolvendo alguns policiais militares do Amazonas e envolvendo ameaças e expulsões de pequenos proprietários rurais, quando foi identificada, inclusive, uma tentativa de homicídio”, diz. Negraes explica que a quadrilha estava dividida em cinco núcleos que estavam interligados dentro do esquema. “Tínhamos o núcleo dos desmatadores, que era constituído por fazendeiros do Amazonas e que praticavam reiteradamente crimes ambientais de desmatamento para criação de gado. Em tese, essas terras eram também griladas por estarem em áreas da União e projetos de assentamento. O outro núcleo dessa organização era o de fiscalização, composto por servidores do Ibama, comandado pelo então superintendente regional do órgão e que solicitava vantagens indevidas para que os desmatadores não fossem responsabilizados”, explica o delegado. Esquema envolvia policiais militares, servidores do Ibama e fazendeiros Divulgação/PF-AC Os servidores do Ibama, segundo a PF, multavam ‘laranjas’ e também vazavam informações privilegiadas sobre operações específicas na região. No meio do grupo havia também o núcleo de operadores, que mediavam o esquema entre fazendeiros e servidores federais com o pagamento de propina, segundo a polícia. Por fim, os policiais militares eram recrutados para manter a segurança das terras griladas e do desmatamento. Além disso, coagiam pequenos proprietários de terras da região. “Eles protegiam maquinários e praticavam expulsões e ameaçavam os pequenos produtores rurais que estavam há muitos anos naquelas terras”, explica o delegado. Desmatamento era para a criação de gados em Boca do Acre Divulgação/PF-AC
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