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Para ficar mais perto dos filhos, grupo de mulheres incentiva mães a criarem próprio negócio no AC

11 Mai 2019

Campanha 'Compre de Uma Mamãe' está ganhando likes nas redes sociais. Ideia é incentivar que mães apostem no empreendedorismo. No AC, mulheres largam carreira convencional por filhos e
incentivam empreendimento maternoArquivo pessoal O ditado popular diz que quando nasce um filho, nasce uma mãe. Mas, um grupo de mulheres no Acre quer abranger mais este sentimento e fazer nascer, não só uma mãe, mas uma empreendedora. Esta é a proposta campanha lançada por um grupo de mulheres em Rio Branco. Com o perfil e a hashtag “Compre de uma mamãe”, mulheres que largaram a carreira convencional pelos filhos querem que outras mulheres se motivem em abrir empresas e pequenos negócios, que possam ser gerenciados de casa. Além de fomentar a economia do estado, elas podem acompanhar mais de perto o crescimento de seus pequenos. Uma das que começaram esta corrente foi a engenheira agrônoma Edmirck Herculano, de 34 anos, e mãe dois filhos, sendo que a mais nova tem menos de um ano de idade e o mais velho 5 anos. O primogênito foi o responsável por despertar, não só o instinto materno de Edmirck, mas também o de empreendedora. Mães trocam emprego fora de casa e viram empreendedoras para ficar perto dos filhos Para ficar mais perto do filho, ela negou uma vaga em um órgão do estado. No processo seletivo, ela foi a primeira colocada para assumir a vaga na sua área, mas, acabou deixando isso para viver a maternidade. E quem diria que uma simples procura por um body para curtir o carnaval com o filho terminaria na empresa que hoje ela mantém há cinco anos? Foi assim que surgiu a Mamãe Coruja. “O empreendedorismo entrou na minha vida após o nascimento do meu primeiro filho, que vem aquele dilema: volto para o mercado ou fico em casa cuidando da criança sem trabalhar? Mas, nessa mesma época, fui convidada para um baile de carnaval, fui atrás de comprar um body temático para o bebê, mas não existia em Rio Branco. Isso é verdade, em 2014 não existia em lugar nenhum”, relembra. Edmirck conta que largou emprego como engenheira para empreender e ficar mais próximo dos filhos Arquivo pessoal Ela até conseguiu a peça, mas não era o esperado. Foi aí que ela teve o insight. Tudo estava bem ali na frente dela. A vontade de ficar mais perto do filho e uma maneira de ganhar dinheiro. O foco? Bodys personalizados e feito em peças 100% algodão. Como engenheira, ela teria que, por muitas vezes, viajar e passar dias fora de casa. Então, ela não teve dúvida em largar mão da vaga garantida no processo seletivo e abrir a própria empresa, que se resumia em um ateliê em casa e noites desenvolvendo peças que fazem sucesso na página do Instagram. Hoje, mais de 12 mil pessoas seguem o perfil da empresa. “Nem tudo é mar de rosas, porque passei por muitos perrengues. Meus amigos me chamavam de louca, maluca, porque você está largando uma coisa certa, um salário de engenheira, para poder empreender. Então, todo mundo na época me chamava de maluca”, relembra. Mas, a questão é que a empresa da mamãe de primeira viagem deu certo. Entre erros e acertos, é algo sólido. Então, passado o primeiro desafio, que se renova todos os dias, ela decidiu criar uma rede de apoio para outras mulheres. Em seu perfil, ela começou a gravar vídeos falando de empreendedorismo, já que ela também já tinha trabalhado como consultora de empresas. Trabalhando em casa, ela consegue ficar perto dos filhos e gerenciar melhor o tempo Arquivo pessoal O projeto Edmirck, então, começou a receber mensagens com dúvidas, dicas, até que encontrou a servidora pública Andreia Melo, de 32 anos, que, remando contra a corrente, está no processo de largar um cargo público para empreender. Seria uma outra maluca aos olhos dos convencionais, mas ela acredita no poder do empreendedorismo. Andreia trabalha com planejamento no governo e ela é apaixonada por organização. Ao ouvir a engenheira falando sobre empreendedorismo, teve a ideia de se juntar a ela e fortalecer uma rede que já existia timidamente. Atualmente, quase 50 mulheres estão cadastradas no projeto. São mães que criaram o próprio negócio, a maioria de forma personalizada e criativa, o que torna os produtos ainda mais delicados e com aquele cuidado típico de mãe. Foi então que a servidora teve a ideia de montar a Estória Criativa – loja virtual que trabalha com planners, agendas, carteiras de vacinação e outros objetos todos personalizados. Mulheres querem incentivar mães a apostarem em seus próprios negócios Tácita Muniz/G1 Para conhecer todos os empreendedorismos criados por essas mulheres, elas criaram um grupo de WhatsApp, onde cada uma se apresenta e diz o que produz. A campanha incentiva que as pessoas comprem de uma mãe e ajude estas mulheres. “A ideia do projeto, além de alavancar as vendas, é criar essa relação de consumo. Quando a gente compra de uma mãe, a gente está ajudando uma mãe a pagar suas contas, ajuda na autoestima, porque no pós-parto, têm mães que sofrem com depressão ou até demoram dois anos para se recuperar. E o empreendedorismo, querendo ou não, traz esse resgate de identidade”, explica. Quem entra, vai contar com em gestão de negócios e financeira. A ideia é criar uma rede, não só de apoio, mas de pessoas que possam ajudar a alavancar este negócio. “A troca de experiências vai ajudar outras mães a saírem dessa inércia”, completa Andreia. O primeiro passo é identificar algo que você goste de fazer. Como o forte de Andreia sempre foi organização e planejamento, ficou fácil criar essa papelaria criativa online. Fortalecer a ideia partiu depois que ela fez uma pós em gestão de pessoas. “Mostrava como empreendedorismo poderia fortalecer vidas e aí tive a ideia de bolar carreiras para as mamães, então, criei o projeto de fortalecer o empreendedorismo materno. São trocas de parcerias. A gente quer formar essa rede com intuito de fazer esse trabalho junto. Cada uma vai usar a hashtag ”Compre de uma mamãe” e vamos aproximar esse mercado da comunidade e ter compra com um propósito”, explica Andreia. O grupo também tenta parceria pra diversos serviços, como tratamento psicológico e outras orientações destinadas a essas mulheres. Andreia tem três filhos e pensa em largar carreira pública para focar no empreendedorismo Arquivo pessoal Multiplicadoras e resultados Mesmo que ainda seja novo, algumas mulheres já foram ajudadas com o projeto. Uma delas foi a técnica de enfermagem Katiuscia Braga, de 37 anos. Ela é mãe de uma jovem de 15 anos e de um menino de 1 ano. Antes de ter o filho mais novo, ela trabalhava em uma unidade de saúde tirando plantões à noite e estudava odontologia de manhã e à tarde em uma faculdade de Rio Branco. Ao ter o segundo filho, ela começou a avaliar a possibilidade de acompanhar mais de perto o crescimento do menino. Além de acompanhar Edmirck nas redes sociais, ela também é do mesmo círculo de amigos da engenheira. E, pela segunda vez mãe, as coisas que a amiga falava sobre empreender e poder ficar mais perto dos filhos, começou a fazer mais sentido. “Já tinha tido a experiência com a minha filha, porque eu já trabalhava e tive essa dificuldade de ficar mais perto dela. Quando o meu outro filho nasceu, além de tudo, preços com creche e escolas já estavam bem mais altos do que na época da minha primeira filha”, relembra. Foi aí que ela teve a ideia de largar o emprego e tentar apostar em algo seu, mas, veio também a dúvida de saber com o que ia mexer. Ela, então, começou a revender trufas, mas via que a embalagem e qualidade ainda não eram ideais. “O papel não era muito bom, foi aí que meu marido deu a ideia de eu mesma fazer as trufas e vender. Então, pesquisei e sempre foquei em materiais de qualidade. Pensei em um papel bom que você colocasse na geladeira e ele não deixasse o bombom mole, pensei em recheio. Enfim, foi aí que comecei um projeto bebê, que hoje tem três meses”, brinca. Ela fez um curso e começou o negócio com R$ 60. Claro que os primeiros passos saíram um pouco atrapalhados. Katiuscia conta que não soube muito bem escolher os produtos e acabou queimando grande parte da produção. Mas, a persistência, foco e vontade de ficar ao lado do filho a fizeram continuar. E deu certo. Na páscoa, ela conseguiu uma boa grana e disse que hoje conseguiu pagar, inclusive, a geladeira nova. Talvez pareça pouco, mas a autoestima renova as energias dessas mães. “Tive muito reconhecimento. Já fiz muitas trufas para aniversários de 15 anos e, na páscoa, vendi muitas trufas. Dá um gás, tudo muda. Isso que é legal no projeto: ajudar outras mulheres que realmente estão em casa, porque eu queria ter escutado isso de alguém antes”, finaliza. Katiuscia Braga fez curso e apostou na produção de trufas Arquivo pessoal
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