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Mãe de menina que tem leucemia pela 3ª vez no AC conta rotina do tratamento: 'ela é muito forte'

29 Mai 2019

Rotina de mãe e filha é no hospital três vezes por semana para fazer tratamento. Elas já ficaram internadas mais de três meses. Há oito anos Vitória luta contra
a leucemiaAlcinete Gadelha/G1 Reincidente pela terceira vez, a adolescente Vitória de Souza, de 13 anos, luta contra a leucemia e, nessa batalha, ela conta com o apoio incondicional da mãe, Erlonilde Souza, de 35 anos, que mudou de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, para a capital acreana, Rio Branco, e precisou deixar os outros dois filhos para buscar a cura da filha. "A situação da Vitória é muito delicada, é a terceira vez que a doença reincide. Ela desenvolveu uma síndrome, é uma paciente muito delicada, mas também muito forte", conta a mãe. A rotina das duas é no Hospital do Câncer três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas elas precisam estar lá para que a menina faça as sessões de quimioterapia. E o G1 acompanha a trajetória de mãe e filha desde 2015, quando o maior desejo de Vitória, no Dia das Crianças era receber uma medula. O desejo dela foi atendido, porém, acabou reincidindo e continua a luta contra a doença. Hoje, um casa alugada no bairro Pedro Rosena, elas vão andando até o hospital. E desanimar não está nos planos delas. São oito anos de luta e, nesse período, elas já chegaram a ficar mais de três meses internadas. "Minha força vem de Deus. A gente sabe que em certos momentos da vida só consegue ser sustentada por Ele, porque não tem explicação. Sabe quando você diz: hoje estou muito cansada, hoje eu não aguento, vem uma força que você entende que é de Deus", conta. Mas, a confiança que elas carregam já levaram a vencer a doença duas vezes e acreditam que nada nessa trajetória seja impossível. Já passaram pelo processo de transplante, de desistência de doador, mas nada desanima as duas. "Tem gente que diz: essa menina vai ser um grande milagre de Deus. Eu não acredito que ela vai ser um milagre, acredito que ela é um milagre. Porque só Deus para sustentar a gente. Ele é a nossa força", pondera. Mãe e filha já tiveram muitas idas e vindas na luta contra a doença Arquivo pessoal Diagnóstico O diagnóstico de Vitória veio em 2011, quando a pequena só tinha cinco anos. Ela fez o tratamento e foi curada. Reincidiu a primeira vez, e conseguiu um transplante, mas tornou a desenvolver a doença. "Vitória está na terceira vez que tem leucemia. É uma paciente transplantada e a gente não teve muito sucesso, mas estamos aqui. São oito anos de muita luta", conta a mãe, que não perde as esperanças. Com tanto tempo dentro do hospital, Erlonilde diz que está quase acostuma com a rotina. "Porque quando a gente é mãe, não tem limites. E quando a gente é mãe de um filho que é portador de uma necessidade especial, ou com uma doença grave, a gente não conhece qualquer limite." Para a família que está em Cruzeiro do Sul, ela sempre diz que está tudo bem e o importante é a filha estar bem e muitos acabam se surpreendendo por não querer sair do hospital. "A médica já disse que sou a única mãe que não quer sair do hospital. E eu digo: do que adianta levar a Vitória doente para casa? Então, meu foco é a vitória, minha peleja é a Vitória. Então, a gente não tem muito a questionar, a gente só trava a batalha e vai para a luta", ressalta. Os outros filhos Erlonilde diz que saúde de Vitória é prioridade Arquivo pessoal Mãe de mais dois filhos, Erlonilde conta que a mais velha, de 15 anos, está com a avó materna e o mais novo, de 10, está com o pai. "Quando mudei para Rio Branco tive que tirar ele do peito. Ele só tinha dois anos, mas eu tive que cuidar da Vitória e a gente vai se revezando", relembra. A mãe diz que entende e sabe que os outros dois sentem falta e ela também sente. E conta que, às vezes, eles vêm para Rio Branco, passam uma semana, depois voltam porque precisam estudar. "Porque não tem como eu cuidar de todo mundo. Mas, a gente vai dando um jeito. Não tem como cuidar dos três, e aí vamos dando um jeito, mãe sempre dá um jeitinho", acrescenta. Mudança Em Cruzeiro do Sul, não tinha como fazer o tratamento. A mudança para Rio Branco foi inevitável. Na primeira vez, foram três anos e voltaram para casa. Depois de um mês, veio a primeira reincidência. Com a volta da doença, elas ficaram ainda mais longe de casa, desta vez foram mais de dois anos e, nessa época, ela foi para o transplante e a estadia se estendeu para Recife. "Eram quarenta dias lá, e voltava. A nossa vida é de muitas idas e vindas. Quando me ligam já perguntam onde estou porque não tenho paradeiro certo", relata. Durante toda essa luta e idas e vindas, a mãe conta que recebe a ajuda de muitas pessoas. "Temos muitos amigos, pessoas solidárias, a família cuida dos outros dois filhos, dão suporte porque eu não posso ajudar financeiramente, então, tem muita gente boa que se solidariza com a situação dela e ajuda", conclui, na certeza de que a filha vai ser curada novamente.
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