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De influência indígena a erro ortográfico: conheça as teorias para surgimento do nome Acre

15 Junho 2019

Historiador diz que é impossível determinar data de batismo do estado. Acre completa 57 anos neste sábado (15). De influência indígena a erro ortográfico: conheça as teorias
para surgimento do nome Acre Reprodução “Possuímos um bem conquistado nobremente com armas na mão. Se o afrontarem, de cada soldado surgirá de repente um leão”. O trecho do hino acreano remete à luta do Acre para se tornar parte do Brasil. Em 1962, o presidente do Brasil, João Goulart, assinou em Brasília a lei que elevou o então território federal do Acre à categoria de estado. A lei foi criada pelo deputado federal, Guiomard dos Santos. Mas, de onde surgiu o nome Acre? Ao pé da letra, pegando como referência o dicionário, a palavra pode significar medida agrária ou até mesmo adjetivo de sabor ácido ou azedo, algo que causa aflição. Mas, segundo relatos da história, o batismo do estado não tem nada a ver com a palavra ao pé da letra A explicação mais aceita e mais propagada pelos historiadores é contestada também por uma linha de estudiosos, inclusive do próprio estado. Nesse dia em que o Acre comemora 57 anos como estado, o G1 explica algumas dessas versões. Algumas teoria apontam que um erro ortográfico acabou originando o nome Acre Arthur Santos/Arquivo pessoal Antes de ser estado, o Acre abrangia uma grande área de nativos. A primeira versão é que o nome do estado acreano seria uma derivação de Uwa’kürü, Uákiry, Aquiry, que significa “rio dos jacarés” na língua nativa dos índios Apurinãs, os habitantes originais da região. Porém, outros historiadores acreditam que o nome se originou a partir de um erro ortográfico de um dos primeiros desbravadores da região, João Gabriel de Carvalho e Mello, que teria enviado uma carta à casa aviadora do Visconde de Santos Elias, na cidade de Belém do Pará. A mensagem, segundo relatos históricos, escrita às pressas, acabou trocando Aquiry por Acre, como é conhecida hoje. “Existem outras versões. Leandro Tocantins, por exemplo, aborda que João Gabriel escreveu uma palavra que ninguém compreendeu e, a partir do momento que ninguém compreende, acaba concebendo que a palavra Acre seria resultante de um erro de grafia”, explica o historiador Sérgio Roberto. Acervo reúne cliques da história do Acre feitos pelo fotografo Américo de Mello Américo de Mello/Arquivo pessol Controvérsias da história Porém, em uma coletânea de artigos denominada “Uwa’kürü - Dicionário Analítico”, publicada pela editora Nepan em 2016 mostra que fatos históricos, inclusive documentos, apontam que o nome Acre era usado antes mesmo da viagem de João Gabriel ao território. No artigo “Acre”, o historiador Gerson de Albuquerque, explica pontos da histórias que transparecem que não há um denominador comum sobre o batismo do Acre. Ele cita ainda que em 1954, José Moreira Castello publicou um artigo na revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) em que esclarece que o nome Acre era usado antes mesmo da viagem de João Gabriel, pois foram encontrados escritos datados em 1877. O que o artigo propõe é uma reflexão relacionado ao tempo/lugar do nome Acre. Segundo os estudiosos, é impossível afirmar, com certeza absoluta, algum fato relacionado à origem do nome do estado. Há livros com fotos de momentos históricos no Acre Américo de Mello/Arquivo pessol “É interessante ressaltar que, basicamente, temos que compreender as palavras como mutáveis, elas não são estáticas, não são sacras. Então, as palavras adquirem novas significações em tempos diversos e essas significações vão ocorrendo com o passar do tempo. Uma possível construção do significado da palavra Acre no século 19, início do século 20, pode ter sido reinventada no decorrer do tempo e hoje seria extremamente difícil termos uma compreensão exata de onde origina-se o nome do nosso estado”, explica Sérgio Roberto. O historiador disse ainda que o período pode mudar o significado das palavras, dependendo da interpretação de cada tempo e sua influências. “Então, a cada período é uma ressignificação, o que impossibilita efetivamente que tenhamos uma definição exata das palavras. As palavras são vivas, se reinventam, são dinâmicas e os seus significados também, obviamente”, pontua. Cruzeiro do Sul é a segunda maior cidade do estado Helder Freire/Arquivo pessoal Acreano ou acriano No começo de 2016, entrou em vigor em todo o país o novo acordo ortográfico e uma das regras foi a modificação do gentílico para acriano, com “i”. Porém, em julho do mesmo ano, o governador da época, Tião Viana, sancionou a lei n° 3.148, que instituiu o termo “acreano” com “e” como o gentílico oficial do estado. Então, ficou determinado que “no âmbito da administração pública estadual, em respeito aos usos, costumes, memória social, aspectos históricos e culturais, o uso do termo ‘acreano’, em preferência à construção ortográfica ‘acriano’”. Fim do dia no Rio Juruá em Marechal Thaumaturgo Acre por Carina Menezes Carina Menezes/Arquivo pessoal Dados do estado O estado acreano tem, atualmente, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 869.265 habitantes, divididos em uma área territorial de 164.123,738 km², a 16ª maior do país. São 22 cidades, dividas em 5 regionais, conhecidas como: Alto Acre: Assis Brasil, Brasileia, Epitaciolândia e Xapuri; Baixo Acre: Acrelândia, Bujari, Capixaba, Plácido de Castro, Porto Acre, Senador Guiomard e Rio Branco; Vale do Juruá: Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e Rodrigues Alves; Vale do Purus: Manoel Urbano, Santa Rosa do Purus e Sena Madureira; Vale do Tarauacá/Envira: Feijó, Jordão e Tarauacá. Rodrigues Alves é uma das cidades do Acre Asscom/Prefeitura
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