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Caso Rhuan Maycon completa um mês: 'Nunca vi nada parecido', diz delegado do DF

01 Julho 2019

Com quase 20 anos de profissão, investigador afirma que se julgava forte em relação aos casos policiais. Mãe do menino esquartejado e companheira dela estão presas. Delegado Guilherme Sousa
Melo, da 26ª Delegacia de Polícia, em Samambia investigou caso Rhuan Maycon TV Globo/ Reprodução Nesta segunda-feira (1º), um mês após a morte do menino Rhuan Maycon da Silva Castro, de 9 anos, o delegado que investigou o crime afirma que "nunca viu algo parecido". O garoto foi assassinado e esquartejado pela própria mãe e pela companheira dela, na madrugada de 1º de junho em Samambaia, no Distrito Federal. Com quase 20 anos de profissão, o policial Guilherme Sousa Melo, da 26ª Delegacia de Polícia, disse ao G1 que antes do crime se julgava forte em relação aos casos policiais. No entanto, reconhece ter ficado comovido com o homicídio. "Fui bombeiro por 12 anos. Vi muita tragédia humana. Mas para casos envolvendo criança, a gente não é blindado." O menino assassinado pela mãe e a companheira dela Reprodução/TV Globo O pequeno Rhuan Maycon foi morto pela mãe, Rosana Auri da Silva Cândido, de 27 anos, e pela companheira dela, Kacyla Pryscila Santiago Damasceno Pessoa, de 28 anos. Segundo as investigações, após a morte do menino, as duas jogaram partes do corpo em um bueiro da região. Criança morta e esquartejada no DF foi sequestrada pela mãe, no Acre, diz família Menina de 8 anos que viu Rhuan Maycon ser morto pela mãe no DF volta para o Acre Durante onze dias, Guilherme Sousa Melo buscou esclarecer as circunstâncias do crime. O policial viajou para Rio Branco, no Acre, onde procurou saber sobre a vida das duas mulheres, antes delas se mudarem para o Distrito Federal. "A morte seria uma vingança. A mãe disse que sentia ódio e nenhum amor pela criança." Mulheres acusadas de matar e esquartejar menino de 9 anos no DF Divulgação PC/DF O delegado afirma que a forma brutal com que o assassinato foi cometido comoveu também os colegas que investigaram o homicídio. "Nessa vida de policial, vemos muita coisa ruim. Esse caso foi a natureza humana no seu mais brutal aspecto" Vida na cadeia Em nota enviada ao G1, a Subsecretaria do Sistema Penitenciário do Distrito Federal (Sesipe), informou que Rosana Auri e Kacyla Pryscila estão presas, em celas separadas, sem contato com outras internas. O casal está na ala de observação comportamental da Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF), localizada no Gama. De acordo com a Sesipe, as mulheres foram colocadas em locais diferentes por determinação dos setores de segurança da penitenciária feminina. Segundo a pasta o casal tem um "bom comportamento na unidade prisional, obedecendo às regras disciplinares e de segurança". Rosana Auri e Kacyla Pryscila, não fazem nenhuma atividade no presídio, mas têm acesso a livros para leitura. Justiça No dia 21 de junho, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) recebeu denúncia contra Rosana Auri da Silva Cândido e Kacyla Pryscila Santiago Damasceno Pessoa. As duas viraram rés e vão responder por homicídio qualificado, lesão corporal gravíssima, tortura, ocultação e destruição de cadáver, e fraude processual. O juiz decretou que o processo corra em segredo de Justiça, para preservar a intimidade dos menores envolvidos. Uma menina de 8 anos, filha de Kacyla, vivia com o casal e presenciou o crime. O menino assassinado pela mãe e a companheira dela Reprodução/TV Globo 'Sentimento de ódio' A denúncia do Ministério Público, feita à Justiça no dia 18 de junho, afirma que o crime foi cometido por motivo torpe – repugnante – e que a mãe do garoto foi a mentora do assassinato. "Rosana nutria sentimento de ódio em relação à família paterna da vítima. Kacyla conhecia os motivos da companheira e aderiu a eles", diz o MP. Segundo a denúncia, Rosana tirou o filho dos cuidados dos avós paternos, no Acre, levando-o para conviver com ela e sua companheira às escondidas dos demais parentes. Enquanto estava com o menino, a mãe teria passado a torturá-lo. "Com apenas 4 anos de idade, Rhuan passou a sofrer constantes agressões físicas e psicológicas e a ser constantemente castigado de forma intensa e desproporcional, ultrapassando a situação de mero maltrato", diz a denúncia. Além dos registros na delegacia, a família fazia buscas pelo menino através das redes sociais, como mostra uma postagem feita em 2015 Reprodução/Facebook O crime O corpo de Rhuan Maycon foi encontrado na madrugada do dia 1º junho, esquartejado, dentro de uma mala deixada na quadra QR 425 de Samambaia, no DF. As partes da vítima foram localizadas por moradores da região. A mãe do menino, Rosana Cândido e a companheira dela, Kacyla Pryscila, foram presas na casa onde moravam com o menino e com a filha de Kacyla, uma menina de 8 anos. Em 2016, Justiça havia expedido mandado de busca para que a criança fosse devolvido ao pai, que tinha a guarda provisória Arquivo pessoal Sequestro Rhuan Maycon, de 9 anos foi sequestrado em 2014, pela mãe, Rosana Auri da Silva Cândido, de 27 anos, do Acre. Segundo a família, Rosana fugiu do estado com a criança, a companheira Kacyla Pessoa e a filha da companheira, uma menina de 8 anos. O pai de Rhuan tinha a guarda do menino, dada pela Justiça do Acre. A família chegou a registrar um boletim de ocorrência após o sumiço do garoto. A filha de Kacyla, que estava na casa, voltou para o Acre em 15 de junho. A garota estava sob proteção do Conselho Tutelar desde o dia em que a mãe foi presa, no DF. Leia mais notícias sobre a região no G1 DF. Initial plugin text
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