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Pai e avó de bebê que morreu após tomar duas mamadeiras no AC são indiciados por homicídio

03 Julho 2019

Delegado disse que tanto o policial quanto a mãe sabiam que era determinação médica que a criança não podia se alimentar com nenhum tipo de alimento que não fosse
o leite materno. Policial federal é indiciado pela morte da filha de dois mesesArquivo pessoal A Polícia Civil indiciou por homicídio doloso qualificado o policial federal Dheymersonn Cavalcante e a mãe dele, Maria Gorete, pela morte da pequena Maria Cecília, de 2 meses, que era filha de Cavalcante e morreu após tomar duas mamadeiras de leite artificial, no dia 8 de março deste ano. O laudo apontou que a causa da morte foi broncoaspiração - insuficiência respiratória e obstrução das vias aéreas causadas pela quantidade de leite ingerido. Após quatro meses de investigações, a polícia encerrou o inquérito na terça-feira (2) e encaminhou o documento para o Judiciário e Ministério Público para que possam tomar as medidas cabíveis. O delegado Martin Hessel, que comandou as investigações, disse que tanto o policial quanto a mãe sabiam que era determinação médica que a criança não podia se alimentar com nenhum tipo de alimento que não fosse o leite materno, motivo pelo qual foram indiciados por homicídio doloso qualificado. "Após a conclusão de todos os laudos periciais, com todo o conjunto probatório, nós chegamos ao convencimento de que o homicídio ocorreu de forma intencional praticado pelo Dheymersonn e pela mãe dele, Maria Gorete. Foi dessa forma que o inquérito saiu com o indiciamento", informou. O advogado de Cavalcante disse ao G1 que ainda não teve autorização para ter acesso ao documento e deve se pronunciar sobre o caso posteriormente. Para a mãe da criança, a enfermeira Micilene Souza, o policial premeditou a morte da menina junto com a mãe dele porque não queria pagar pensão alimentícia. Bebê de apenas dois meses morreu por broncoaspiração Arquivo pessoal Bebê ingeriu 11 vezes mais leite do que poderia O delegado Martin Hessel disse ainda que foram ouvidos familiares e várias testemunhas que tinham conhecimento do relacionamento do PF com Micilene. Além disso, foram inseridos no inquérito mais de oito perícias, desde a quebra de sigilo telefônico, extração de dados de telefone, tanto do policial como a mãe da criança, que disponibilizou todas as conversas deles nos aplicativos de mensagens. "Ficou muito claro que a mãe informou aos dois que a criança não poderia ingerir outro alimento que não fosse o leite materno e o leite materno que ela ingeria, era na quantidade de 10 ml. Essa criança tomou duas mamadeiras que dá 120 ml", disse. O delegado disse que durante toda a investigação, as equipes médicas que prestaram atendimento à pequena Cecília informaram que a quantidade de leite ingerida pela criança era excessiva para a idade dela, dois meses. "Qualquer outro tipo de alimento que não era para ser dado, foi dado. Desta forma, acreditamos que foi intencional, tendo em vista que durante toda gravidez o Dheymersonn se mostrou que não queria ser pai dessa criança e insistiu para que a Micilene abortasse. Então, o conjunto probatório, todas as testemunhas que foram ouvidas, levaram ao indiciamento por homicídio doloso", conclui o delegado. Entenda o caso A bebê de apenas dois meses morreu no último dia 8 de março, no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), depois de ingerir duas mamadeiras de leite artificial. A mãe e a criança tinha viajado de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, para a capital acreana dias antes de a menina morrer para fazer o teste de DNA pedido pelo policial. Micilene contou que quando descobriu que estava grávida ele se negou a registrar ou dar qualquer assistência. A enfermeira relatou que o policial chegou a pedir para que ela interrompesse a gestação. Ainda segundo ela, Cavalcante insistiu para vê-la durante a gestação e, em dezembro do ano passado, eles se encontraram em um hotel em Cruzeiro do Sul. De acordo com ela, foi lá que o policial teria tentado fazê-la abortar ao dopá-la. O resultado do exame de DNA, divulgado no início de abril, confirmou que o policial federal Dheymersonn Cavalcante é pai da pequena Maria Cecília. Exame confirmou patenidade Arquivo pessoal Defesa diz que bebê já tinha passado mal Em conversa por telefone com o G1 no dia 11 de março, o policial federal negou qualquer envolvimento na morte da filha e classificou as acusações como "absurdas". O advogado de defesa do policial, Kaio Marcelus, na época, também negou as acusações. Ele afirmou ainda que a bebê já tomava leite artificial e que em fevereiro já havia passado mal nos braços da mãe.
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