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Câmara criminal aceita pedido de prisão preventiva de PF suspeito de matar a filha de 2 meses no Acre

09 Julho 2019

A pequena Maria Cecília morreu após tomar 2 mamadeiras de leite no dia 8 de março deste ano. Pedido foi feito pelo MP-AC e acatado pela Câmara; mandado ainda
deve ser expedido. Policial federal foi indiciado pela morte da filha de dois meses e teve prisão preventiva decretadaArquivo pessoal Após pedido do Ministério Público do Acre (MP-AC), A Câmara do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) acolheu a prisão preventiva do policial federal Dheymersonn Cavalcante. Ele foi indiciado por homicídio doloso qualificado pela morte da filha de dois meses. O mandado de prisão ainda deve ser expedido. Ao G1, o policial, que está em Maceió (AL), disse que vai se pronunciar sobre a decisão da Justiça por meio de um vídeo que deve ser enviando ainda nesta terça-feira (9). A pequena Maria Cecília, filha de Cavalcante, morreu após tomar duas mamadeiras de leite artificial, no dia 8 de março deste ano. A mãe do policial, Maria Gorete, também foi indiciada por homicídio qualificado. Conforme o MP-AC, inicialmente, o pedido de prisão preventiva foi negado pelo Juízo da 2ª Vara do Tribunal do Júri. Com isso, o MP-AC recorreu e o TJ-AC acabou decretando a prisão por unanimidade. O Ministério Público também pediu a prisão preventiva da avó paterna da criança, mas o pedido foi negado. O laudo apontou que a causa da morte foi broncoaspiração - insuficiência respiratória e obstrução das vias aéreas causadas pela quantidade de leite ingerido. Para a mãe da criança, a enfermeira Micilene Souza, o policial premeditou a morte da menina junto com a mãe dele porque não queria pagar pensão alimentícia. Micilene, que é de Marechal Thaumaturgo, interior do Acre, estava em Rio Branco para fazer um exame de DNA. Bebê ingeriu 11 vezes mais leite do que poderia O delegado Martin Hessel, responsável pelo caso, disse ainda que foram ouvidos familiares e várias testemunhas que tinham conhecimento do relacionamento do PF com Micilene. Além disso, foram inseridos no inquérito mais de oito perícias, desde a quebra de sigilo telefônico, extração de dados de telefone, tanto do policial como a mãe da criança, que disponibilizou todas as conversas deles nos aplicativos de mensagens. "Ficou muito claro que a mãe informou aos dois que a criança não poderia ingerir outro alimento que não fosse o leite materno e o leite materno que ela ingeria, era na quantidade de 10 ml. Essa criança tomou duas mamadeiras, o que dá 120 ml", disse. O delegado disse que durante toda a investigação, as equipes médicas que prestaram atendimento à pequena Cecília informaram que a quantidade de leite ingerida pela criança era excessiva para a idade dela, dois meses. "Qualquer outro tipo de alimento que não era para ser dado, foi dado. Desta forma, acreditamos que foi intencional, tendo em vista que durante toda gravidez o Dheymersonn se mostrou que não queria ser pai dessa criança e insistiu para que a Micilene abortasse. Então, o conjunto probatório, todas as testemunhas que foram ouvidas, levaram ao indiciamento por homicídio doloso", conclui o delegado. Mãe comemora decisão Vanessa Facundes, que defende a enfermeira Micilene, disse que agora aguarda a emissão do mandado de prisão para o suspeito, que está em Maceió. “A decisão foi por unanimidade da Câmara e a gente só tem a parabenizar a Justiça e agora trabalhar na emissão do mandato com a prisão dele, que estamos no aguardo e esperamos que seja rápido, principalmente para evitar fugas. Ele não está no estado, por isso, acredito que não será possível ele ser preso aqui”, diz. Já a enfermeira, segundo Vanessa, continua fazendo tratamento e tentando superar a morte da bebê. “A gente se fala muito, todas semana a gente se fala bastante. Ela está muito feliz com a notícia e sabe que isso vai amenizar o sofrimento, de alguma forma, da perda da filha. Continua com tratamento psicológico e psiquiátrico na expectativa de superar e também com a medida protetiva contra ele”, disse. Bebê de apenas dois meses morreu por broncoaspiração Arquivo pessoal Morte da bebê A bebê de apenas dois meses morreu no último dia 8 de março, no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), depois de ingerir duas mamadeiras de leite artificial. A mãe e a criança tinha viajado de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, para a capital acreana dias antes de a menina morrer para fazer o teste de DNA pedido pelo policial. Micilene contou que quando descobriu que estava grávida ele se negou a registrar ou dar qualquer assistência. A enfermeira relatou que o policial chegou a pedir para que ela interrompesse a gestação. Ainda segundo ela, Cavalcante insistiu para vê-la durante a gestação e, em dezembro do ano passado, eles se encontraram em um hotel em Cruzeiro do Sul. De acordo com ela, foi lá que o policial teria tentado fazê-la abortar ao dopá-la. O resultado do exame de DNA, divulgado no início de abril, confirmou que o policial federal Dheymersonn Cavalcante é pai da pequena Maria Cecília. Defesa diz que bebê já tinha passado mal Em conversa por telefone com o G1 no dia 11 de março, o policial federal negou qualquer envolvimento na morte da filha e classificou as acusações como "absurdas". O advogado de defesa do policial, Kaio Marcelus, na época, também negou as acusações. Ele afirmou ainda que a bebê já tomava leite artificial e que em fevereiro já havia passado mal nos braços da mãe.
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