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Mesmo com prisão decretada, policial federal suspeito de matar filha de 2 meses no AC segue solto

16 Julho 2019

Maria Cecília morreu após tomar 2 mamadeiras de leite no dia 8 de março deste ano. Delegado diz que policial não foi preso e não se entregou até esta
terça-feira (16). Policial federal foi indiciado pela morte da filha de dois meses e teve prisão preventiva decretadaArquivo pessoal Uma semana após ter o mandado de prisão preventiva decretado pela Justiça do Acre, o policial federal Dheymersonn Cavalcante segue solto. A informação foi confirmada, nesta terça-feira (16), pelo delegado responsável pelo caso, Martin Hessel. Cavalcante foi indiciado por homicídio doloso qualificado pela morte da filha de dois meses. Em reportagem publicada no último dia 9 de julho, o policial, que está em Maceió (AL), disse que, caso a prisão preventiva fosse decretada, iria recorrer. A pequena Maria Cecília, filha de Cavalcante, morreu após tomar duas mamadeiras de leite artificial, no dia 8 de março deste ano. A mãe do policial, Maria Gorete, também foi indiciada por homicídio qualificado. Ao G1, o advogado de Cavalcante, Kaio Marcellus, informou que seu cliente aguarda a intimação da Justiça. Segundo ele, o policial deu o endereço atualizado, mas até o momento não foi intimado. “Ele forneceu o endereço atualizado e está aguardando a intimação. Como é em Maceió, é expedida uma carta precatória para que seja cumprido por um oficial de justiça de lá. Ele está à disposição do poder judiciário para cumprir a decisão judicial. Em nenhum momento ele vai buscar se furtar, nem se evadir do local”, disse o advogado. O delegado afirmou que o mandado de prisão segue em aberto. “Até o momento não foi cumprido e ele também não se apresentou. Não fizemos diligência aqui no estado, porque sabemos que ele está em Maceió e também não sei dizer se houve diligência lá. Tacitamente, considerando que ele tinha conhecimento sobre o mandado, considero como foragido”, afirmou. Morte por broncoaspiração O laudo apontou que a causa da morte foi broncoaspiração - insuficiência respiratória e obstrução das vias aéreas causadas pela quantidade de leite ingerido. Para a mãe da criança, a enfermeira Micilene Souza, o policial premeditou a morte da menina junto com a mãe dele porque não queria pagar pensão alimentícia. Micilene, que é de Marechal Thaumaturgo, interior do Acre, estava em Rio Branco para fazer um exame de DNA. Policial federal se defende em vídeo com apresentação de slide Policial se defende em vídeo Em um vídeo de 18 minutos enviado ao G1, o policial federal contestou as acusações e o resultado do inquérito da Polícia Civil. Segundo ele, nem todas as provas apresentadas foram analisadas e inseridas no inquérito. “Sou policial, assim como o delegado que investiga o caso, e eu esperava que fosse realizado um trabalho sério e todas as provas fossem colocadas no inquérito. De perícia eu não entendo e não posso criticar o trabalho de perito, sou policial assim como Martin Hessel e de investigação eu entendo. E olhe que sou mais burrinho ainda. Até hoje eu não fui ouvido. Depois que minha filha morreu, eu entrei em uma depressão profunda, quase me suicidei e perdi 10 quilos. Não tive condições nenhuma de me pronunciar ou me defender”, falou. No vídeo, Cavalcante apresenta prints de conversas com a mãe da bebê, além do prontuário, receita médica e trechos de entrevistas dadas pelo delegado responsável pelo caso na tentativa de provar sua inocência. Ele afirma que a mãe da criança dava leite artificial para ela e que não teria apresentado reação alérgica. Bebê ingeriu 11 vezes mais leite Foram inseridas no inquérito mais de oito perícias, desde a quebra de sigilo telefônico, extração de dados de telefone, tanto do policial como a mãe da criança, que disponibilizou todas as conversas deles nos aplicativos de mensagens. "Ficou muito claro que a mãe informou aos dois que a criança não poderia ingerir outro alimento que não fosse o leite materno e o leite materno que ela ingeria, era na quantidade de 10 ml. Essa criança tomou duas mamadeiras, o que dá 120 ml", disse. O delegado disse que durante toda a investigação, as equipes médicas que prestaram atendimento à pequena Cecília informaram que a quantidade de leite ingerida pela criança era excessiva para a idade dela, dois meses. Morte da bebê A bebê de apenas dois meses morreu em 8 de março, no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), depois de ingerir duas mamadeiras de leite artificial. A mãe e a criança tinha viajado de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, para a capital acreana dias antes de a menina morrer para fazer o teste de DNA pedido pelo policial. Micilene contou que quando descobriu que estava grávida ele se negou a registrar ou dar qualquer assistência. A enfermeira relatou que o policial chegou a pedir para que ela interrompesse a gestação. Ainda segundo ela, Cavalcante insistiu para vê-la durante a gestação e, em dezembro do ano passado, eles se encontraram em um hotel em Cruzeiro do Sul. De acordo com ela, foi lá que o policial teria tentado fazê-la abortar ao dopá-la. O resultado do exame de DNA, divulgado no início de abril, confirmou que o policial federal Dheymersonn Cavalcante é pai da pequena Maria Cecília.
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