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CRM-AC abre sindicância para apurar conduta de médico preso em operação da polícia civil

20 Julho 2019

Investigações da Polícia Civil do Acre apontam que o médico Giovanni Casseb receitava anabolizantes para pacientes. Conselho Regional de Medicina abre sindicância para apurar conduta de médico Divulgação/Conselho Regional
de Medicina (CRM) O Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM-AC) abriu um procedimento interno – sindicância - para apurar se o médico Giovanni Casseb, preso temporariamente durante desdobramento da operação de combate à venda ilegal de anabolizantes da Polícia Civil, nesta sexta-feira (19), cometeu infração ética. As investigações da Polícia Civil do Acre apontam que Casseb receitava anabolizantes para os pacientes. Além disso, o profissional é suspeito de fazer parte de uma rede de distribuição do medicamento. A presidente do CRM, Leuda Davalos, disse ao G1 que o CRM não recebeu nenhuma informação oficial ainda. Mas, o procedimento foi aberto ainda na sexta e na segunda-feira (22), o conselho vai se reunir para decidir o que vai realmente ser apurado na sindicância. Médico deve ficar preso por 30 dias em Rio Branco Divulgação/Polícia Civil "Mesmo não tendo uma denúncia oficial, quando esses casos são divulgados na imprensa, o conselho tem a obrigação de abrir sindicância para apurar os fatos. Vai ser analisado se houve infração ética por parte do médico", explica Leuda. Além disso, a presidente do CRM diz que o conselho deve agir com muito critério, responsabilidade e imparcialidade e só com as informações que chegarem da polícia e com o resultado final do procedimento é que o conselho pode definir as possíveis penalidades. "O conselho vai analisar se teve uma infração ética. Depende muito [a penalidade], às vezes vai de uma simples advertência, uma suspensão, a uma cassação. Mas, a gente tem que avaliar", explica sobre o caso de uma possível punição com a conclusão do procedimento. Habeas Corpus arquivado O advogado e pai do médico, Atalidio Bady Casseb, disse que o médico continua preso e que o habeas corpus pedido ainda nesta sexta (19) foi arquivado por falta de informações que estão no processo que corre em segredo de justiça e não foram liberadas para que ele tenha acesso. "Cheguei a fazer, com argumentação, mas, essas peças o desembargador decidiu que seriam necessárias. Como não tinha e nem ele no gabinete teve acesso pelo bloqueio, ficou prejudicado o habeas corpus. Ele foi arquivado para que seja regularizado com as informações que só serão possíveis se eu conseguir que o juiz libere para que a gente possa juntar ao habeas corpus", pontua. O advogado fala que fez um pedido ao juiz para que seja liberado o acesso ao processo e ele possa colher as informações necessárias e juntar ao HC para dar prosseguimento ao pedido para que o médico possa responder o processo em liberdade. Ainda na sexta, Atalidio Bady Casseb negou que o filho tenha envolvimento com rede criminosa. Segundo ele, o filho tinha um relacionamento e ajudava Wendel da Silva, preso no último dia 9 com um carregamento de comprimidos. O advogado confirmou que o filho faz uso de anabolizantes, mas negou que ele participe do esquema. "Até mesmo custeava algumas despesas, Giovanni não precisa e nunca precisou desse tipo de negócio ilegal. É um médico de sucesso, professor universitário, salvou vidas, e é uma pessoa que tem uma renda que supera o que se pode imaginar. Quem tem uma atividade ilegal não comprova imposto de renda, é uma pessoa íntegra", defende. Entenda o caso Médico foi preso na sexta-feira (19), em Rio Branco Reprodução Casseb foi pego no momento em que estava no consultório dele, em uma clínica que fica no bairro Bosque. A prisão dele é temporária, de 30 dias. A polícia já havia apreendido vários frascos, seringas e comprimidos de anabolizantes no dia 3 de julho, em Rio Branco, na primeira fase da operação. Na tarde desta sexta, o delegado Pedro Resende, da Delegacia de Repressão a Narcóticos e Narcotáfico (Denarc), explicou que foram apreendidas diversas caixas de amostras de remédios controlados na casa do médico. O mesmo medicamento foi encontrado na casa de Wendel da Silva, preso no último dia 9 com um carregamento de comprimidos. “Semana passada conseguimos prender o Wendel, que era um forte distribuidor de anabolizantes não só na capital, mas em todo estado. Com o desdobramento, chegamos na pessoa do Giovanni, que é o médico associado do Wendel, que auxiliava e ajudava nessa organização para venda de anabolizantes”, explicou o delegado.
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