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Revolução Acreana: charges e crônicas tratavam Acre como um estorvo pra nação

06 Agosto 2019

Historiador Francisco Bento diz que, do ponto de vista econômico, o Brasil ganhou muito porque todos os impostos da borracha aqui produzida foram incorporadas ao estado brasileiro. Acre
seria um mal negócio para o paísAcervo de Charges: Fundação Casa de Rui Barbosa Mesmo sendo um grande produtor de borracha e agregando muito a economia do país, o Acre era visto como um estorvo para a naçãodurante a época da Revolução Acreana, que celebra 117 anos nesta terça-feira (6), e deu início ao processo de anexação do território boliviano ao Brasil. Não muito diferente dos dias atuais, na época, charges e crônicas de revista humorística do Mário, no Rio de janeiro, então capital do Brasil, representavam essa questão negativa sobre o estado. Em uma delas, intitulada a Bota do Acre, Barão do Rio Branco, diplomata que negociava o acordo entre Brasil e Bolívia, aparece acometido de calos que lhes machucavam os pés. A ilustração sugere que ao descalçar as botas, o problema seria resolvido. Outra mostra o mesmo Barão do Rio Branco enviando uma bomba, que é o Acre, para ser debatida e votada pelos deputados brasileiros. Acre seria uma bomba, segundo ilustrações Acervo das Charges: Fundação Casa de Rui Barbosa Impostos para o Brasil O historiador Francisco Bento diz que do ponto de vista econômico, o Brasil ganhou muito porque todos os impostos da borracha aqui produzida foram incorporados ao estado brasileiro. "O interesse pela incorporação do Acre passava por questões econômicas, não era tanto de ordem patriótica, mas de ordem financeira", explica. Além disso, o historiador ressalta que, no início do século 20, quando essa questão ganhou certa visibilidade nacional nos jornais, inclusive, do Rio de Janeiro, tornou-se comum esse tipo de imagens que tratavam o estado como estorvo. "Então, eles vão tratar da questão do Acre, além de textos, com charges que são imagens que trazem de maneira irônica e galhofeira a leitura da chamada realidade. E nessas charges aparece muito o Acre como sendo um lugar distante, vazio", pontua. Historiador diz que luta pela anexação do Acre ao Brasil não foi patriótica Reprodução Rede Amazônica Medidas do governo federal, logo após a anexação do Acre ao Brasil, reafirmavam essa visão depreciativa do novo território. "Em 1904, há uma revolta no Rio de janeiro, chamada Revolta da Vacina e logo de pronto essa imagem do Acre como local vazio e distante, é usada para justificar o envio dessas pessoas que foram presas para o Acre. Aquelas pessoas consideradas vagabundas, criminosas, nada mais adequando que enviá-las para o Acre", conta Bento. Revolução acreana completa 117 anos Reprodução Rede Amazônica Revolução Acreana O Acre hoje é estado com uma história ainda em construção. De um povo que não se cansa de reafirmar o orgulho de quem escolheu seu próprio caminho. No início do século passado, o Acre era um estado da Amazônia cobiçado por causa produção de borracha a partir da extração do látex da seringueira. A ocupação, em sua maioria, foi feita por brasileiros, mas as terras eram da Bolívia e acabou gerando um conflito, a chamada Revolução Acreana, que durou pouco mais de seis meses. Ela começou em 6 de Agosto de 1902 e terminou em 24 de janeiro de 1903. Uma batalha em plena floresta Amazônica entre bolivianos e seringueiros que se transformaram em soldados comandados pelo coronel Plácido de Castro. O Acre até então, território da Bolívia, passou a ser do Brasil. Orgulho da história Para o servidor público Antônio Rodrigues, poucas pessoas sabem da importância econômica do Acre no contexto mundial. "Principalmente na Segunda Guerra Mundial, sustentando todos os países aliados com produção de borracha e outros produtos. Por desconhecer acham que nosso estado é muito pequeno economicamente, que não tem uma cultura muito definida pegando um pouco de cada parte do país", diz. A dona de casa Maria Socorro de Souza diz que é prazeroso saber que é acreana. "É prazeroso, gostoso, porque aqui é o lugar que acolhe todo mundo." O sentimento não é diferente para o ex-deputado estadual Ariosto Pires Miguéis. "O sentimento que ficou, é um sentimento que a gente sente a profundidade da nossa luta para ser brasileiro", finaliza.
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