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Carpinteiro continua escavações e acha crânio de réptil gigante de 8 milhões de anos no AC

08 Agosto 2019

Mandíbula havia sido encontrada no mesmo local em julho. José Militão, de 58 anos, diz que vai continuar as escavações. Carpinteiro continua escavações e acha crânio de réptil
gigante de 8 milhões de anos no ACEldson Júnior/Arquivo pessoal Movido pela curiosidade de encontrar mais vestígios do Purussauro – um réptil pré-histórico – o carpinteiro José Militão, de 58 anos, continuou as escavações às margens do Rio Acre, em Brasileia, no interior do estado. Menino acha fóssil de réptil gigante de 8 milhões de anos no AC: ‘achei que era um dinossauro’ E logo após ter achado a mandíbula do réptil que viveu na região há 8 milhões de anos, ele encontrou o crânio e completou a cabeça do animal, que foi levada para o laboratório de paleontologia da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco, nesta quarta-feira (7). Militão disse que nas horas vagas costuma ir pescar. Foi assim que encontrou, junto com o filho Robson Cavalcante, de 11 anos, a primeira parte do animal. E, segundo ele, a vontade de achar o restante do corpo o motivou. “Continuei a escavação com meu filho, conseguimos encontrar a outra parte da cabeça e o pessoal [da Ufac] veio dar assistência. Foi curiosidade mesmo, a gente achava que tinha outra parte. Uma semana depois do primeiro achado, encontrei e fiquei cavando até achar um ponto certo e ligar para os pesquisadores”, conta orgulhoso. Material foi levado para a Ufac, onde vai passar por estudos Eldson Júnior/Arquivo pessoal O paleontólogo da Universidade Federal do Acre (Ufac), Jonas Filho, conta que o Purussauro tem cerca de 10,5 metros. Só o crânio mede, segundo o pesquisador, 1,40 metro. Na última quarta-feira foi feita a retirada total deste crânio, completando assim a estrutura da cabeça do réptil. “Ele foi levado para a universidade e vai passar por um processo de restauração, de colagem, para fins de estudos e depois exposição e isso é uma etapa demorada. Até então, o que sabemos é que é um Purussauro brasiliense, mas pode ser uma nova espécie. Temos que aprofundar essa informação, porque tudo que a gente viu foi a priori”, explica o estudioso. O crânio estava próximo do local onde a mandíbula foi achada, bem ao lado. Por isso, os pesquisadores não têm dúvidas de que se trata do crânio da mesma espécie achada há alguns dias. “Estavam lado a lado [as partes], só que o outro estava em uma parte do barranco mais baixo e deu pra ver logo a princípio. Se estivessem distantes, a gente podia suspeitar, ter dúvidas, mas estava muito próximo e as proporções são as mesmas”, especifica. Pesquisadores da Ufac receberam ajuda de do carpinteiro e do filho Arquivo pessoal ‘Realizei um sonho’ Agora, o material já está na Ufac, onde vai passar por estudos. Mas, José Militão conta que não pretende parar de escavar a região. Ele acredita que pode encontrar mais coisas e agora isso faz parte de sua rotina. “Me sinto realizando um sonho, porque a gente encontrar isso no nosso município é muito legal. Me interessei, continuei até chegar ao bicho e vou continuar fazendo isso: procurar para ver se acho mais alguma coisa. A gente fica ansioso pra ver se não acha alguma coisa importante, porque alguma coisa a gente ainda deve encontrar”, diz. Crânio foi achado às margens do Rio Acre, no interior do estado Eldson Júnior/Arquivo pessoal O filho Robson, apaixonado por dinossauro e história, tem aproveitado. Envolvido nas escavações com o pai, ele voltou para a escola nesta quinta-feira (8). Por isso, não pôde falar com o G1, mas o pai conta que ele tem curtido bem os minutos de fama. “Ele ficou até a última hora comigo. Ele acha bonito essa parte, se diverte e fica muito animado. Na escola, os meninos chegam abraçando, falando a história e ele fica muito feliz”, finaliza o pai.
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