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Documentário e ensaio fotográfico mostram vida de catadores em aterro de Rio Branco

29 Agosto 2019

Documentário e ensaio 'Dia no Aterro' vão ser lançados no próximo dia 5, Dia da Amazônia, no Sesc Centro, na capital acreana. Fotos mostram rotina de catadores de
aterro de Rio BrancoDhárcules Pinheiro/Arquivo pessoal Lixo transformado em arte, cores, formas e histórias. O fotógrafo Dhárcules Pinheiro produziu um documentário e ensaio que mostra o dia a dia de catadores de lixo do Aterro Inertes, que fica na Transacreana, em Rio Branco. Por um ano, o fotógrafo documentou e vivenciou a rotina dos trabalhadores que, muitas das vezes, são invisíveis na sociedade. O projeto "Dias no Aterro" vai ser lançado no dia 5 de setembro, Dia da Amazônia, na Galeria de Arte do Sesc, no Centro da capital acreana. O material fica exposto até o dia 30 de setembro, com visitação das 8h às 12h e das 14h às 18h. A entrada é gratuita. “Percebi a importância que esses trabalhadores têm dentro da sociedade, transformando aquilo que muitos chamam de lixo em economia. São totalmente invisíveis e esquecidos, como até o próprios resíduos sólidos que são deixados de lado, não têm um plano de trabalho, de aposentadoria, de saúde. É toda uma insalubridade no trabalho”, conta Pinheiro. Fotógrafo Dhárcules Pinheiro documentou durante um ano rotina de trabalhadores Dhárcules Pinheiro/Arquivo pessoal Inspiração Para a maioria, um amontoado de lixo, mas para Raimundo de Lima Júnior é o sustento da família. Há um ano, ele tira do aterro o dinheiro para pagar as contas de casa. A dificuldade financeira o levou a buscar uma renda na reciclagem, mesmo com todas as dificuldades e preconceitos, o catador diz que tem orgulho da profissão. “No primeiro dia, não vou dizer que não fiquei envergonhado porque fiquei, mas, a partir do momento que comecei a ganhar dinheiro, fiquei feliz. Colocava uma carne, um arroz, juntei dinheiro para pagar o aluguel e aquilo foi me dando prazer para trabalhar e gosto. Nunca imaginei que um dia ia tirar meu alimento de lá para colocar em casa e comer com os filhos”, diz. São histórias como a de Júnior que inspiraram Dhárcules Pinheiro. Todo material jogado despertou a curiosidade dele e lançou um olhar sobre a vida no aterro e mostra a rotina de quem, muitas vezes, se torna invisível em meio ao lixo. O trabalho começou em junho do ano passado. Exposição do material começa no dia 5 de setembro, o Sesc Centro Dhárcules Pinheiro/Arquivo pessoal Há 12 anos trabalhando como catador, Raimundo Costa Martins disse que já chegou a ter uma renda de R$ 5 mil por mês só coletando material no aterro. Para ele, o documentário é uma oportunidade de mostrar o quanto o trabalho é importante para sociedade. “Precisamos trabalhar, todo serviço é honesto. Me apaixonei na reciclagem, as pessoas jogavam coisas fora e não percebiam que iam ajudar outras pessoas lá na frente”, contou. Além de contar suas histórias, os catadores também fazem parte do projeto através de esculturas feitas com lixo e que vão servir de molduras para fotos. A ideia é dar um novo significado para os objetos e levar um pouco do aterro para exposição. “Fomos juntando tudo isso na intenção de levar tudo para galeria também, para que se somem essa parte do catador, do resíduo, do fotógrafo e tudo se juntando em um uma única mostra e objetivo e a importância que tem”, concluiu o artista visual Claudinei Alves. Fotógrafo mostra vida de catadores em aterro durante exposição e transforma lixo em arte
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