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Maia: não se pode defender decisões judiciais só quando elas afetam adversários

29 Mai 2020
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), divulgou nota nesta quinta-feira (28) na qual disse que não se pode “ser a favor de uma decisão do Judiciário porque
é um adversário nosso, e ser contra quando acontece com um aliado”. “A gente não pode ser a favor de uma decisão do Judiciário porque...
Adriano Machado / Reuters

Adriano Machado / Reuters

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), divulgou nota nesta quinta-feira (28) na qual disse que não se pode “ser a favor de uma decisão do Judiciário porque é um adversário nosso, e ser contra quando acontece com um aliado”.

“A gente não pode ser a favor de uma decisão do Judiciário porque é um adversário nosso, e ser contra quando acontece com um aliado. As nossas leis precisam ser respeitadas. Divulgação de notícias falsas é um problema no Brasil e no mundo, que tem interferido no processo eleitoral”, escreveu Maia.

Maia também disse ainda que muitas das redes de fake news estão vinculadas ao apoio ao presidente Jair Bolsonaro.

“São narrativas falsas que precisam ter uma resposta do Judiciário e uma lei que responsabilize as plataformas. Tudo isso é muito grave, mas o Parlamento vai continuar trabalhando de forma independente e tentando, ao máximo, o diálogo e a harmonia entre as instituições.”

TENSÃO INSTITUCIONAL

A declaração de Maia vem em meio a um período de escalada da tensão entre o governo Bolsonaro e o STF (Supremo Tribunal Federal), e após operações da Polícia Federal que motivaram reações opostas do presidente da República.

Na terça-feira (26), o STJ (Superior Tribunal de Justiça) autorizou uma operação da Polícia Federal que investiga irregularidades na saúde pública do Rio de Janeiro e na qual o governador do estado, Wilson Witzel (PSC) — ex-aliado de Bolsonaro — foi um dos alvos. Naquele dia, Bolsonaro parabenizou a PF.

No dia seguinte, o STF autorizou uma operação da PF no inquérito aberto para investigar fake news e ameaças ao Supremo. Desta vez, os alvos foram parlamentares, ativistas e empresários aliados de Bolsonaro, que hoje classificou o inquérito como “inconstitucional”.

Partiu também do STF a autorização para que o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, dentro da investigação sobre a interferência política de Bolsonaro na PF. Na reunião, o presidente afirmou que interferiria em todos os ministérios, se fosse preciso, e cobra relatórios de informação da PF, das Forças Armadas e da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Bolsonaro afirmou que não pode ser “surpreendido com notícias”.

A gravação também revelou que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, xingou os ministros do Supremo de “vagabundos” e pediu a prisão deles. O ministro Alexandre de Moraes, integrante do tribunal, mandou Weintraub prestar esclarecimentos à PF sobre tal declaração — atitude que também incomodou o governo Bolsonaro.

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