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Com instrumentos emprestados, projeto ensina crianças em risco social a serem músicos no AP

09 Dezembro 2019

Com talento de família, irmãs tocam projeto em área de periferia com ajuda de amigos e vizinhos. 'Amigos da Flauta Doce' nasceu em 2017 e hoje atende quase 40
crianças e jovens. Alunos do Projeto Amigos da Flauta Doce tocando instrumentos de sopro, em Santana Caio Coutinho/G1 No início de tudo, em 2017, a professora Ivanilda Leal queria que todos os sobrinhos aprendessem a tocar flauta, por fazerem parte de uma família de músicos. O que ela não sabia era que as crianças da vizinhança do bairro onde ela mora também queriam aprender a tocar um instrumento e que tinham talento. Assim Ivanilda começou o Projeto "Amigos da Flauta Doce", que se sustenta de doações, empréstimos e de boa vontade de mudar o futuro dos pequenos moradores do bairro. As aulas acontecem no pátio da casa dela, em área de periferia do bairro Fonte Nova, no município de Santana, a quase 17 quilômetros de Macapá. Atualmente 37 crianças e jovens, entre 5 e 16 anos, são atendidos por ela. Pátio da casa de Ivanilda, onde acontecem as aulas Caio Coutinho/G1 Hoje coordenadora do projeto, ela conta que, apesar do desejo de repassar o conhecimento da música, a iniciativa depende muito do apoio de colaboradores. “Antes de ensinar eles a serem músicos, queremos que sejam bons filhos e bons alunos na escola. Nós queremos ensinar somente instrumentos de sopro, mas não contamos com nenhum outro apoio a não ser dos pais, vizinhos e amigos. Uns compram as flautas, outros emprestam as cadeiras. O seu Jair Viana, que é nosso amigo, ajuda com o transporte, ele tem um ônibus”, detalha. A coordenadora detalha que, quando precisam arrecadar recursos, eles vendem rifas e todo mundo ajuda na mobilização. Projeto Amigos da Flauta Doce ensina música para 37 jovens e crianças no Amapá Caio Coutinho/G1 Entre os instrumentos utilizados nas aulas estão saxofone, clarinete, trompa, trompete e bombardino, e a maioria foi doada ou emprestada. A irmã da coordenadora, Ivana Leal, que é empregada doméstica de profissão, é a professora da criançada. Ela diz que sabe apenas tocar clarinete e para ensinar os garotos aprendeu sozinha as partituras pela internet. “A gente se vira como pode, eu só sei tocar clarinete, que aprendi ainda no Pará, quando era mais jovem. Tive que assistir vídeos na internet para poder ensinar as partituras para eles. Para ter as partituras impressas, eu tenho que vender chopp de frutas para pagar as impressões”, explica. Ivana Melo, professora de música do Projeto Amigos da Flauta Doce ensinado a turma Caio Coutinho/G1 Ivana também ajuda a irmã nos serviços gerais domésticos. Ela brica que às vezes, enquanto faz o feijão na cozinha, ensina as partituras de “Noite Feliz”, uma das músicas mais bem treinadas da equipe. Os ensaios acontecem toda terça e quinta-feira, das 18h às 19h. Os alunos se dividem em duas turmas para receberem as aulas teóricas: uma pela manhã, na terça e quinta-feira, das 9h às 10h, e outra pela tarde, na segunda e quarta-feira, das 16h às 17h. Ivanilda Leal (de azul), coordenadora do projeto, e Ivana Leal (de camisa estampada), professora de música, segurando partituras para os alunos Caio Coutinho/G1 Ivanilda conta que conseguiu formar uma banda que possui 22 membros. O grupo já tocou em apresentações no Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar e no 34º Batalhão de Infantaria de Selva, em Macapá. A banda também tem agenda cheia nas últimas semanas de dezembro: três novas apresentações acontecerão em Santana, nos dias 19, 21 e 23. Como o projeto é familiar, João Paulo Leal, de 14 anos não poderia ficar de fora. Ele é um dos dois filhos de Ivanilda e sabe tocar flauta desde os 7 anos de idade. O aluno também vira professor, quando ajuda a tia a ensinar os mais jovens, no dia a dia corrido da família. “Quero ser professor um dia, então esse momento é muito importante para eu ganhar experiência. Mas o meu sonho é servir e tocar ao mesmo tempo. Quero ser um músico da Marinha. Faço isso de coração”, afirma. João Paulo Leal (de azul) e Arthur Xisto, alunos do Projeto Amigos da Flauta Doce Caio Coutinho/G1 A arte atinge as crianças de várias maneiras. O Arthur Xisto, de 8 anos, por exemplo, faz aulas há apenas 2 meses. Ele conta que aprende música para encantar as pessoas, como fez com a avó, ao tocar para ela em casa. E já lista outros instrumentos a desbravar. “Quero ser músico do bombeiro e encantar as pessoas. Já toquei para minha mãe e depois toquei para a vovó. Ainda vou aprender saxofone e clarinete porque acho muito bonito”, contou. Arthur Xisto, aluno do projeto tocando com ajuda de partitura Caio Coutinho/G1 Ivanilda ressaltou que o pátio da casa ficou pequeno para tantos alunos e, para aproveitar melhor o espaço, precisa de cadeiras sem braço, estantes para partituras, bem como flautas e talvez uma impressora, para economizar com cópias. O contato do projeto é: (96) 99102-9415. Para ler mais notícias do estado, acesse o G1 Amapá.
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