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Preso comandante do navio que afundou no Rio Amazonas; polícia diz que ele tentava atrapalhar investigação

27 Março 2020

Ele foi preso na noite desta quinta-feira (26), na área da tragédia. Naufrágio aconteceu no dia 29 de fevereiro; 34 corpos e 51 sobreviventes foram resgatados. Buscas por vítimas
do naufrágio do Navio Anna Karoline 3, no Sul do Amapá Maksuel Martins/Secom O comandante da embarcação Anne Karoline 3, que naufragou no dia 29 de fevereiro no Amapá, foi preso na noite desta quinta-feira (26). A Polícia Civil entendeu que ele estava tentando atrapalhar a investigação e, por isso, a Justiça determinou a prisão temporária dele por 30 dias. O naufrágio aconteceu no Rio Amazonas, no Sul do estado, na divisa com o Norte do Pará, e deixou 34 corpos e 51 sobreviventes (entre passageiros e tripulantes). Veja o que se sabe sobre o naufrágio do Anna Karoline 3 “Após a oitiva de alguns tripulantes, verifiquei que o comandante da embarcação estaria influenciando no depoimento dessas testemunhas, conturbando a investigação. Em decorrência desse fato, decidi representar pela prisão temporária dele de 30 dias, o que foi decretado na manhã de hoje [26]”, declarou o delegado Victor Crispin, responsável pela investigação das causas do naufrágio. Crispin detalhou que ele foi preso por uma equipe policial próximo da área do naufrágio. “Uma equipe da 1ª DP de Santana, sob comando do delegado Felipe Vieira, está no local do naufrágio para realizar a perícia, e o encontrou às proximidades, numa embarcação, e realizou a prisão dele junto a uma equipe do Bope”, acrescentou. O comandante já havia prestado depoimento na delegacia. O navio, que é de uma empresa de Santarém, estava alugada para ele desde dezembro de 2019, segundo o delegado. Ele fazia geralmente duas viagens por semana, entre Santana e Santarém, com saídas da embarcação na terça-feira e na sexta-feira (viagem dura, em média, 36 horas). Preso na região do acidente, o comandante foi levado para Laranjal do Jari e, segundo Crispin, deve ser encaminhado para Macapá na sexta-feira (27). O G1 não conseguiu localizar a defesa do preso. Ilustração mostra situaçãio do navio Anna Karoline Rede Amazônica/Reprodução Esta semana a empresa contratada emergencialmente pelo governo do estado iniciou o procedimento de reflutuação do navio. A polícia informou que vai acompanhar o processo a fim de coletar mais informações que contribuam com a investigação. A polícia já confirmou, por exemplo, que a embarcação estava com excesso de carga quando aconteceu o naufrágio. Com a retirada total do Anna Karoline 3 do fundo do rio, a expectativa é que pessoas ainda dadas como desaparecidas por parentes sejam localizadas em áreas do navio não acessadas pelas equipes de busca. Como o número de passageiros da viagem que partiu de Santana, no Amapá, com destino a Santarém no Pará, era incerto por não haver lista oficial da embarcação, o governo estadual deixou de atualizar em 6 de março a quantidade de desaparecidos. Imagem do navio Anna Karoline no fundo do rio, feita por um scanner sonar Sejusp/Divulgação As primeiras imagens da localização precisa do navio foram registradas em um scanner sonar, que mostra detalhadamente a estrutura naufragada. O comboio para remoção é composto por guindastes, flutuadores e equipamentos de mergulho. Naufrágio Mapa mostra local do naufrágio no Sul do Amapá Aparecido Gonçalves/G1 O Anna Karoline 3 saiu por volta das 18h da sexta-feira, 28 de fevereiro, de Santana. A viagem entre as duas cidades dura, em média 36, horas. A previsão de chegada em Santarém era às 6h do domingo, 1º de março. Mas a viagem foi interrompida na madrugada de sábado, próximo à Ilha de Aruãs e à Reserva Extrativista Rio Cajari, no Rio Amazonas (veja no mapa acima), numa região a 130 km de Macapá, em um local de difícil acesso e comunicação. O chamado de socorro foi feito pelo comandante às 5h, e o primeiro resgate só chegou ao local por volta das 14h de sábado. O que motivou o naufrágio ainda é uma pergunta sem resposta, mas as suspeitas apontam para o excesso de carga. Vídeo mostra carga embarcada no navio Anna Karoline 3, antes do naufrágio Reprodução Sobreviventes descreveram que chovia e ventava forte na hora do naufrágio. Também há testemunhas que afirmam que o navio estava sendo abastecido com combustível. Estimou-se inicialmente que pelo menos 60 pessoas estavam sendo transportadas. Nas embarcações ao redor dos bombeiros estão abrigados parentes de desaparecidos e sobreviventes, que contestam os números e dizem que o navio levava em torno de 100 pessoas, além de muita carga. Bombeiros durante buscas por vítimas do naufrágio do navio Anna Karoline 3 Prefeitura de Almeirim/Divulgação Em 3 de março a polícia do Pará prendeu um suspeito de vender combustível irregular para o Anna Karoline 3. Ele nega a prática no momento da tragédia, mas disse que se aproximou do navio para receber uma mercadoria. A Polícia Civil do Amapá abriu um inquérito para apurar criminalmente o caso e busca identificar se a embarcação estava com excesso de carga. O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público (MP-AP) estadual também se mobilizam para investigar criminalmente as circunstâncias que envolvem o naufrágio. Buscas por vítimas do naufrágio do navio Anna Karoline 3 Prefeitura de Almeirim/Divulgação A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) identificou que a empresa não tem autorização para operar na rota Santana-Santarém. O Congresso Nacional também criou uma comissão externa para apurar responsabilidades do naufrágio. O grupo tem 180 dias para as ações e será formada por 7 parlamentares titulares e 7 suplentes, cujos nomes ainda serão definidos. Veja dados da Antaq sobre o navio: Nome: Anna Karoline 3 Linha autorizada: Santarém – Manaus Comprimento: 38,25 metros Largura: 7,3 metros Capacidade de passageiros: 242 passageiros (sem qualquer carregamento adicional) Capacidade de carga: 89 toneladas Quantidade de convés: 2 A Marinha do Brasil acrescentou que, no cadastro do navio que consta no órgão, é descrito que o Anna Karoline 3 foi construído em 1965, e que atua com 11 tripulantes. Para ler mais notícias do estado, acesse o G1 Amapá.
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