-->

Um mês após naufrágio no AP, operação retira navio do fundo do Rio Amazonas

29 Março 2020

Plano iniciou no dia 21 de março e precisou ser ajustado ao longo da semana. Embarcação estava a 12 metros de profundidade e mais de 400 metros da margem
do rio. Tragédia deixou mais de 30 mortos e 51 sobreviventes. Navio Anna Karoline 3 foi retirado do fundo do Rio Amazonas, entre o Amapá e o Pará, neste domingo (29) Sejusp/Divulgação O navio Anna Karoline 3, que naufragou no Sul do Amapá há exatamente um mês, foi retirado do fundo do Rio Amazonas neste domingo (29). O plano iniciou no dia 21 de março e precisou de ajustes ao longo da semana. A embarcação foi movida para a margem mais próxima, onde foi içado. O procedimento é feito principalmente para buscar pessoas que ainda estão desaparecidas em áreas que antes não podiam ser acessadas com segurança pelas equipes de busca. O último corpo foi retirado do local no dia 11 de março. Foram 34 mortos no naufrágio e 51 sobreviventes, entre passageiros e tripulantes. Naufrágio completa um mês e três suspeitos podem ser responsabilizados Tjap manda soltar comandante do navio; polícia diz que ele tentava atrapalhar investigação O processo é feito por uma empresa contratada emergencialmente pelo governo do estado, pelo valor de R$ 2,4 milhões, e foi autorizado pela Marinha do Brasil, que acompanha cada etapa, assim como a Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Processo é feito com auxílio de reflutuadores e guindastes Sejusp/Divulgação Initial plugin text A embarcação estava a 12 metros de profundidade, a mais de 400 metros da margem mais próxima do rio, e na divida do Amapá com o estado do Pará. Como o número de passageiros da viagem que partiu de Santana, no Amapá, com destino a Santarém no Pará, era incerto por não haver lista oficial da embarcação, o governo estadual deixou de atualizar em 6 de março a quantidade de desaparecidos. Reflutuação é feita através de uma balsa com dois guindastes MAAR/Divulgação O Estado deve fazer uma ação de ressarcimento de valores contra a proprietária da embarcação, porque ela é a responsável pelo navio e a retirada dele do rio. As primeiras imagens da localização precisa do navio foram registradas em um scanner sonar, que mostra detalhadamente a estrutura naufragada. O comboio para remoção é composto por guindastes, flutuadores e equipamentos de mergulho. Imagem do navio Anna Karoline no fundo do rio, feita por um scanner sonar Sejusp/Divulgação A Sejusp informou que o trecho do rio onde aconteceu o acidente foi isolado para que haja o controle de tráfego. Após a reflutuação, que ainda não tem previsão de término, a Marinha e a Polícia Técnico-Científica (Politec) faz, de imediato, a perícia do navio. Após a reflutuação e perícia, o barco terá o município de Santarém, no Pará, como destino. Busca e resgate de vítimas do naufrágio do Anna Karoline 3, no Amapá GTA/Divulgação Naufrágio Mapa mostra local do naufrágio no Sul do Amapá Aparecido Gonçalves/G1 O Anna Karoline 3 saiu por volta das 18h da sexta-feira, 28 de fevereiro, de Santana. A viagem entre as duas cidades dura, em média 36, horas. A previsão de chegada em Santarém era às 6h do domingo, 1º de março. Mas a viagem foi interrompida na madrugada de sábado, próximo à Ilha de Aruãs e à Reserva Extrativista Rio Cajari, no Rio Amazonas (veja no mapa acima), numa região a 130 km de Macapá, em um local de difícil acesso e comunicação. O chamado de socorro foi feito pelo comandante às 5h, e o primeiro resgate só chegou ao local por volta das 14h de sábado. O que motivou o naufrágio ainda é uma pergunta sem resposta, mas as suspeitas apontam para o excesso de carga. Vídeo mostra carga embarcada no navio Anna Karoline 3, antes do naufrágio Reprodução Sobreviventes descreveram que chovia e ventava forte na hora do naufrágio. Também há testemunhas que afirmam que o navio estava sendo abastecido com combustível. Estimou-se inicialmente que pelo menos 60 pessoas estavam sendo transportadas. Nas embarcações ao redor dos bombeiros estão abrigados parentes de desaparecidos e sobreviventes, que contestam os números e dizem que o navio levava em torno de 100 pessoas, além de muita carga. Bombeiros durante buscas por vítimas do naufrágio do navio Anna Karoline 3 Prefeitura de Almeirim/Divulgação Em 3 de março a polícia do Pará prendeu um suspeito de vender combustível irregular para o Anna Karoline 3. Ele nega a prática no momento da tragédia, mas disse que se aproximou do navio para receber uma mercadoria. A Polícia Civil do Amapá abriu um inquérito para apurar criminalmente o caso e já sabe que o navio saiu do porto com excesso de carga. O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público (MP-AP) estadual também se mobilizam para investigar criminalmente as circunstâncias que envolvem o naufrágio. Buscas por vítimas do naufrágio do navio Anna Karoline 3 Prefeitura de Almeirim/Divulgação A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) identificou que a empresa não tem autorização para operar na rota Santana-Santarém. O Congresso Nacional também criou uma comissão externa para apurar responsabilidades do naufrágio. O grupo tem 180 dias para as ações e será formada por 7 parlamentares titulares e 7 suplentes, cujos nomes ainda serão definidos. Veja dados da Antaq sobre o navio: Nome: Anna Karoline 3 Linha autorizada: Santarém – Manaus Comprimento: 38,25 metros Largura: 7,3 metros Capacidade de passageiros: 242 passageiros (sem qualquer carregamento adicional) Capacidade de carga: 89 toneladas Quantidade de convés: 2 A Marinha do Brasil acrescentou que, no cadastro do navio que consta no órgão, é descrito que o Anna Karoline 3 foi construído em 1965, e que atua com 11 tripulantes. Para ler mais notícias do estado, acesse o G1 Amapá.
We use cookies to improve our website. Cookies used for the essential operation of this site have already been set. For more information visit our Cookie policy. I accept cookies from this site. Agree