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Tjap manda soltar comandante do navio que afundou no AP; polícia diz que ele tentava atrapalhar investigação

29 Março 2020

Ele foi preso na quinta-feira (26), na área da tragédia. Decisão da Justiça é de sábado (28). Naufrágio completou um mês neste domingo (29) e 34 corpos foram resgatados.
Buscas por vítimas do naufrágio do Navio Anna Karoline 3, no Sul do Amapá Maksuel Martins/Secom O desembargador João Guilherme Lages, presidente do Tribunal de Justiça do Amapá (Tjap), mandou soltar o comandante da embarcação Anne Karoline 3, que naufragou no dia 29 de fevereiro no Sul do estado. Ele foi preso na quinta-feira (26), porque estaria atrapalhando a investigação policial. O naufrágio aconteceu no Rio Amazonas, na divisa entre o Amapá e o Pará, e deixou 34 mortos e 51 sobreviventes (entre passageiros e tripulantes). Ainda há desaparecidos. Neste domingo (29), o caso completou um mês. Naufrágio no AP completa um mês e três suspeitos podem ser responsabilizados A defesa do comandante fez o pedido de habeas corpus na dia seguinte à prisão, na sexta-feira (27), e a liminar foi concedida na noite de sábado (28). O comandante já havia prestado depoimento na delegacia. O navio, que é de uma empresa de Santarém, estava alugada para ele desde dezembro de 2019, segundo a polícia. Ele fazia geralmente duas viagens por semana, entre Santana e Santarém, com saídas da embarcação na terça-feira e na sexta-feira (viagem dura, em média, 36 horas). A Polícia Civil entendeu que ele estava tentando atrapalhar a investigação e, por isso, a Justiça determinou a prisão temporária dele por 30 dias. “Após a oitiva de alguns tripulantes, verifiquei que o comandante da embarcação estaria influenciando no depoimento dessas testemunhas, conturbando a investigação. Em decorrência desse fato, decidi representar pela prisão temporária dele de 30 dias, o que foi decretado na manhã de hoje [26]”, declarou o delegado Victor Crispin, responsável pela investigação das causas do naufrágio. A prisão aconteceu próximo da área do naufrágio, feita por uma equipe da Polícia Civil e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Em seguida ele foi levado para uma delegacia em Laranjal do Jari. No pedido de habeas corpus, a defesa do comandante declarou que ele colabora "incansavelmente com todas as autoridades envolvidas no acidente fluvial objeto de investigação" e que não há provas sobre a suposta intervenção em depoimentos de testemunhas. A defesa citou ainda a situação da pandemia de Covid-19, a superlotação do sistema carcerário do Amapá e a falta de condições de manutenção de higiene; e acrescentou que o comandante estava no local do naufrágio por orientação da Marinha, para acompanhar o processo de reflutuação do navio. Ele é o responsável por receber a embarcação e realizar o reboque até o estaleiro em Santarém. "Por ora, não há lógica em recolhê-lo na prisão com base no singelo fundamento de que está induzindo testemunhas. [...] Concedo liminarmente a ordem de soltura por considerar a coação à liberdade do paciente ilegal pela falta justa causa (art. 648, I, CPP), em relação a quem determino a imediata expedição de alvará de soltura", determinou Lages, na decisão. Esta semana a empresa contratada emergencialmente pelo governo do estado iniciou o procedimento de reflutuação do navio. A polícia já confirmou, por exemplo, que a embarcação estava com excesso de carga quando aconteceu o naufrágio. Imagem do navio Anna Karoline no fundo do rio, feita por um scanner sonar Sejusp/Divulgação Com a retirada total do Anna Karoline 3 do fundo do rio, a expectativa é que pessoas ainda dadas como desaparecidas por parentes sejam localizadas em áreas do navio não acessadas pelas equipes de busca. As primeiras imagens da localização precisa do navio foram registradas em um scanner sonar, que mostra detalhadamente a estrutura naufragada. O comboio para remoção é composto por guindastes, flutuadores e equipamentos de mergulho. Naufrágio Mapa mostra local do naufrágio no Sul do Amapá Aparecido Gonçalves/G1 O Anna Karoline 3 saiu por volta das 18h da sexta-feira, 28 de fevereiro, de Santana. A viagem entre as duas cidades dura, em média 36, horas. A previsão de chegada em Santarém era às 6h do domingo, 1º de março. Mas a viagem foi interrompida na madrugada de sábado, próximo à Ilha de Aruãs e à Reserva Extrativista Rio Cajari, no Rio Amazonas (veja no mapa acima), numa região a 130 km de Macapá, em um local de difícil acesso e comunicação. O chamado de socorro foi feito pelo comandante às 5h, e o primeiro resgate só chegou ao local por volta das 14h de sábado. O que motivou o naufrágio ainda é uma pergunta sem resposta, mas as suspeitas apontam para o excesso de carga. Vídeo mostra carga embarcada no navio Anna Karoline 3, antes do naufrágio Reprodução Sobreviventes descreveram que chovia e ventava forte na hora do naufrágio. Também há testemunhas que afirmam que o navio estava sendo abastecido com combustível. Estimou-se inicialmente que pelo menos 60 pessoas estavam sendo transportadas. Nas embarcações ao redor dos bombeiros estão abrigados parentes de desaparecidos e sobreviventes, que contestam os números e dizem que o navio levava em torno de 100 pessoas, além de muita carga. Bombeiros durante buscas por vítimas do naufrágio do navio Anna Karoline 3 Prefeitura de Almeirim/Divulgação Em 3 de março a polícia do Pará prendeu um suspeito de vender combustível irregular para o Anna Karoline 3. Ele nega a prática no momento da tragédia, mas disse que se aproximou do navio para receber uma mercadoria. A Polícia Civil do Amapá abriu um inquérito para apurar criminalmente o caso e busca identificar se a embarcação estava com excesso de carga. O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público (MP-AP) estadual também se mobilizam para investigar criminalmente as circunstâncias que envolvem o naufrágio. Buscas por vítimas do naufrágio do navio Anna Karoline 3 Prefeitura de Almeirim/Divulgação A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) identificou que a empresa não tem autorização para operar na rota Santana-Santarém. O Congresso Nacional também criou uma comissão externa para apurar responsabilidades do naufrágio. O grupo tem 180 dias para as ações e será formada por 7 parlamentares titulares e 7 suplentes, cujos nomes ainda serão definidos. Veja dados da Antaq sobre o navio: Nome: Anna Karoline 3 Linha autorizada: Santarém – Manaus Comprimento: 38,25 metros Largura: 7,3 metros Capacidade de passageiros: 242 passageiros (sem qualquer carregamento adicional) Capacidade de carga: 89 toneladas Quantidade de convés: 2 A Marinha do Brasil acrescentou que, no cadastro do navio que consta no órgão, é descrito que o Anna Karoline 3 foi construído em 1965, e que atua com 11 tripulantes. Para ler mais notícias do estado, acesse o G1 Amapá.
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