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Técnica em enfermagem que morreu com Covid-19 após o parto no AP se desesperou ao sentir sintomas, diz família

22 Mai 2020

Saionara Vaz fugiu da internação para orientar cuidados aos filhos e aos pais, antes de morrer, no dia 15 de maio: ‘Ela era a mãezona dos irmãos’, descreveu a
irmã. Nara Vaz comemorando o chá de bebê, do esperado Nicola Jasube Aldineia Vaz/Arquivo Pessoal “Mãezona”, “super cozinheira” e dedicada assim foi descrita a técnica em enfermagem Saionara Vaz, de 27 anos, pela irmã. Em meio a pandemia do novo coronavírus, Nara, como era conhecida, foi uma das mais 150 vítimas da Covid-19 no estado. Ela faleceu em decorrência da doença em Macapá, no dia 15 de maio, uma semana após o parto do segundo filho. LOCKDOWN: Amapá tem isolamento mais rígido, com rodízio de veículos AO VIVO: Veja as últimas notícias sobre o coronavírus no Amapá MAPA DO CORONAVÍRUS: Confira as cidades infectadas pelo país Bebê Nicolas Jasube, filho de Nara que nasceu no dia 7 de maio Aldineia Vaz/Arquivo Pessoal Nicolas Jasube Vaz - que leva esse nome como uma homenagem ao tio, falecido há dois anos, aos 23 anos - testou negativo para o novo coronavírus, e ficou aos cuidados dos avós, que estão com os sintomas da Covid-19. A irmã de Nara, Aldineia Vaz, de 29 anos, também apresenta os sintomas da doença. A família descreve que a técnica em enfermagem teve depressão pós-parto e teve resistência ao sentir sintomas da doença, o que pode ter prejudicado o tratamento dela. Nara Vaz era técnica em enfermagem e trabalhava em Cutias, onde morava Aldineia Vaz/Arquivo Pessoal Nara trabalhava na saúde no município de Cutias, a 135 quilômetros da capital, onde deixou muitos amigos e colegas de profissão. A prefeitura do município chegou a decretar luto de três dias pelo falecimento de Nara. Até quinta-feira (21), ela era o único óbito por Covid-19 registrado em Cutias. Em março, quando ainda estava grávida e saíram os primeiros decretos que definiam distanciamento social, ela foi afastada do trabalho e passou a fazer o isolamento social em Macapá, ao mesmo tempo que fazia o pré-natal. Segunda Aldineia, a família acredita que a irmã contraiu o vírus durantes os exames de pré-natal, mas ela diz que Nara não falou quando sentiu os primeiros sintomas, que eram leves, com receio de não conseguir realizar os exames necessários para uma boa gestação. Nara comemorando chá de bebê ao lado dos pais, Aldeíza Souza e Jessé Vaz, antes da pandemia Aldineia Vaz/Arquivo Pessoal O parto aconteceu no dia 7 de maio e a irmã contou que os sintomas mais severos surgiram três dias depois: febre, dores nas costas e falta de ar. Aldineia descreveu que, mesmo assim, Nara era relutante em assumir a suspeita do contágio. A complicação foi confirmada com um raio-x do pulmão, realizado em um hospital particular, que apontou 50% do órgão já comprometido. “Acho que antes dela ir pro [hospital] São Camilo, ela tinha notado sim [alguns sintomas], mas deve ter sido o emocional dela, porque ela não me disse, acho que ficou com medo de não aceitarem ela [nos exames pré-natal], não me falou, ficou escondendo. Quando ela voltou [do parto], começou a sentir febre”, detalhou. Após o raio-x, Nara realizou o teste de saturação de oxigênio na Unidade Básica de Saúde Lélio Silva, que apontou 89%. Segunda a irmã, não queria ficar internada, mas mesmo assim foi encaminhada para o Hospital da Mulher Mãe Luzia. Nara e a filha primogênita de 11 anos Aldineia Vaz/Arquivo pessoal Durante a internação, Nara fugiu da unidade de saúde e foi para a casa da família, segundo a irmã, para organizar a vida, pedir pedir que Aldineia cuidasse dos filhos e dos pais, Aldeíza Souza, de 47 anos, e Jessé Vaz, de 52 anos. Nara também deixa uma filha de 11 anos. “Depois de fugir, ela voltou para a maternidade e conseguiu, na sexta-feira [15], transferência para o Centro de Covid 2, mas a saturação de oxigênio caiu para 45% e ela sofreu parada cardíaca e faleceu dentro da ambulância, no caminho para o hospital”, explicou a irmã. Irmãs Nara e Aldineia (loira) Vaz, durante a gestação Aldineia Vaz/Arquivo Pessoal Aldineia afirmou que a doença atacou o psicológico de Nara, que estava sofrendo de depressão pós-parto, e que isso afetou muito o quadro dela, pois não conseguia nem se alimentar. “Ela era a mãezona dos irmãos. Cozinhava super bem e se dedicava a todo mundo; eu era aquela irmã mimada por ela. Quando ela voltou para casa, depois de fugir, não deixava a gente entrar no quarto, mandava usar a máscara, sempre cuidou da gente”, finalizou. O bebê Nicolas Jasube testou negativo para a doença esta semana. A família diz que o pai preferiu passar a guarda para os avós, que estão em tratamento da Covid-19. Veja o plantão de últimas notícias do G1 Amapá Initial plugin text
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