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Rasura em nota fiscal eleva em 10 vezes preço de material usado em cirurgia ortopédica no HE

06 Junho 2020

Além da nota detalhar um produto mais caro do que foi pedido, alteração na solicitação adquiriu 4 equipamentos ao invés de apenas 1. Médico registrou boletim de ocorrência. Rasura
em pedido causa superfaturamento na compra de material ortopédico no Amapá Durante o mês de abril, o Hospital de Emergência (HE), maior pronto socorro da rede pública, localizado em Macapá, realizou 177 cirurgias ortopédicas, mas, numa delas, uma rasura chamou atenção. Um documento usado internamente para fazer pedidos de material para cirurgias teve o número de unidades solicitadas de um aparelho alterado de “1” para “4”. Com isso, a fornecedora emitiu uma nota com preço quase 10 vezes maior que o valor da demanda solicitada. O ofício de solicitação foi assinado pelo ortopedista Enzio Nobre, com procedimento marcado para o dia 8 de abril. O médico indicou apenas um fixador do tipo T 300, que vem com um pacote com oito pinos e dois fixadores, necessários para montagem da estrutura usada na recuperação óssea do paciente. O problema é que na nota fiscal, encaminhada pela empresa fornecedora, constava o valor aplicado de fixadores externo circular/semi-circular, mas, o médico pediu o linear (T 300), que é mais em conta e que custa R$ 578,67, menos da metade da unidade do aparelho que estava sendo cobrado na nota, que custa R$ 1.163,80. Fixador T 300 solicitado pelo médico, vem oito pinos e dois fixadores Rede Amazônica/Reprodução Outro detalhe é que o médico pediu apenas um aparelho, mas a rasura no número do documento mudou para 4 e o valor que deveria ser de R$ 578,67 subiu para R$ 5.565,67, indicando superfaturamento na nota. Desde a sexta-feira (5), a Rede Amazônica solicita resposta da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) sobre o caso, mas não houve esclarecimentos até a última atualização desta reportagem. Relação de preços dos aparelhos mostram a diferença de valores Rede Amazônica/Reprodução Nobre não quis gravar entrevista, mas confirmou que foi comunicado sobre a alteração pelo enfermeiro Luiz Bezerra, especialista em ortopedia e traumatologia e responsável por certificar as notas fiscais. O médico disse que após ter ciência, registrou um boletim de ocorrência e comunicou a direção do HE pedindo informações. Até o momento, diz não ter tido respostas sobre a alteração na quantidade de material que seria usada no procedimento. Enfermeiro responsável por certificar notas no HE, Luiz Bezerra, foi o primeiro a perceber o erro no documento Rede Amazônica/Reprodução A cirurgia ocorreu tranquilamente, mas o enfermeiro Bezerra, que foi primeiro a perceber a alteração, contou que não certificou a nota e também encaminhou um ofício sobre o caso à administração do HE. “Notei que havia uma rasura na nota, pois da sala de cirurgia saiu um fixador externo e em cima do '1', alguém fez o número '4', ou seja, quatro vezes o valor que era pra sair. Procurei o doutor Enzio e ele também viu que a nota estava errada e que tinha sido pedido apenas um fixador”, finalizou. Veja o plantão de últimas notícias do G1 Amapá
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