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Justiça do AP decide pela prisão preventiva de policial civil preso pelo feminicídio de empresária

10 Julho 2020

Leandro Freitas foi preso em flagrante ainda no local do crime. Ana Kátia foi morta baleada na quarta-feira (8), durante festa, em Macapá. Fórum de Macapá Jorge Abreu/G1 A
Justiça decidiu manter preso no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen) o policial civil Leandro Silva Freitas, de 29 anos, detido por ser o principal suspeito de matar a empresária Katia Silva, de 46 anos. O crime aconteceu na quarta-feira (8), em Macapá, e é considerado feminicídio. Freitas foi preso em flagrante ainda no local onde a vítima foi baleada. Na quinta-feira (9), a própria Polícia Civil detalhou à imprensa que o exame balístico confirmou que o disparo que matou Katia foi feito pelo policial, mas ainda falta analisar se foi um ato intencional ou acidental - como alega a defesa dele. A audiência de custódia foi feita pelo juiz Moisés Ferreira Diniz, do plantão da Comarca de Macapá, e foi concluída logo após a meia-noite desta sexta-feira (10). Ele decidiu transformar a prisão em flagrante em prisão preventiva. Ana Katia Almeida da Silva foi morta a tiros nesta quarta-feira (8), em Macapá Arquivo Pessoal Empresária é morta baleada durante festa; policial civil foi preso como autor do crime 'Ele sempre mostrou ser agressivo', diz nora de empresária sobre policial civil Exame aponta que tiro que matou empresária foi feito por policial, mas perícia ainda avalia se foi intencional A arma do crime foi apreendida. A polícia também quer saber como Freitas foi baleado na ação. Ele responderá processo administrativo na Corregedoria da Polícia Civil. A conversão do flagrante em prisão preventiva foi pedido do Ministério Público. A defesa pedia a liberdade provisória ou a prisão domiciliar, afirmando que há divergentes versões sobre o crime e inexistência de requisitos de prisão preventiva. Arma utilizada no crime contra a empresária Ana Kátia PM/Divulgação Na audiência, o juiz ressalta que, apesar de ser primário, Freitas apresenta na certidão interna registros que envolvem agressões a pessoas e ultraje público ao pudor. No documento, o juiz relata uma séria de atos que sustentam a decisão, principalmente a partir dos relatos de testemunhar. Segundo o juiz, as testemunhas afirmaram que a Polícia Militar (PM) foi ao local porque houve dois disparos de arma de fogo - sem feridos -, mas a equipe deixou o local sem conduzir ninguém; Freitas teria também oferecido bebida alcoólica a um menor de idade, e ainda conduzido o próprio carro embriagado. "Ou seja, paralelamente ao fato em si apurado, a conduta do custodiado se apresentou extremamente reprovável, indicativos de como se comporta em sociedade e de como usa o cargo de policial civil para prevalecer indevidamente perante a comunidade", escreveu Diniz. Para converter a modalidade da prisão, o juiz justificou que há prova da existência do crime, circunstâncias e dos indícios de autoria, bem como a periculosidade demonstrada pelo policial. Diniz determinou ainda que a Corregedoria da Polícia Civil suspenda ou restrinja o porte de armas de Freitas. Caso Delegacia da Mulher, em Macapá, investiga o crime como feminicídio Caio Coutinho/G1 A empresária Ana Katia Almeida da Silva, de 46 anos, foi morta baleada na madrugada de quarta-feira, durante uma festa de aniversário, na Zona Sul de Macapá. O policial civil foi preso em flagrante como autor do crime e apresentado na Delegacia de Crimes Contra a Mulher (DCCM). Ele estava baleado no ombro e o caso foi registrado como feminicídio. A polícia já sabe que o policial estava com a arma de fogo e consumindo bebida alcoólica desde a tarde de terça-feira (7), em outra festa. Segundo familiares dela, o casal tinha uma breve relação amorosa; em entrevista, a nora afirmou que ele sempre mostrou ser agressivo. No depoimento, ele não falou que era namorado de Katia, mas declarou que a conheceu recentemente. Segundo a delegada responsável pelo caso, Cássia Costa, Freitas afirmou que não lembrava de ter atirado e nem como foi baleado. Um exame residual realizado pela perícia detectou vestígio de pólvora em uma das mãos de Freitas, o que comprovou a autoria. A policia busca identificar, por meio do trajeto da bala, se o tiro foi proposital ou não. A investigação quer saber também como o policial foi lesionado. A DCCM declarou que ele não tem histórico criminal e nem de agressões. A entidade explicou que, antes de assumir um cargo, o agente passa por uma investigação social sinuosa. Além da investigação criminal, um processo administrativo também será aberto para apurar a conduta do policial. Charles Bordalo, advogado de Leandro Freitas Caio Coutinho/G1 A versão do policial civil, de acordo com o advogado de Freitas, Charles Bordalo, é de que houve uma luta corporal entre Freitas e o filho de Katia antes do crime, quando a arma caiu, disparou acidentalmente e atingiu a vítima. Bordalo afirmou na quarta-feira que o tiro no ombro de Freitas foi feito pelo próprio filho da vítima, que pegou a arma dele; a família contesta essa afirmação. “No momento que meu cliente estava se dirigindo para o carro dele, ele pegou a arma para guardar. Daí o filho [da vítima] viu e talvez imaginou que ele pegou a arma para atirar em alguém e partiu pra cima. Eles travaram luta corporal, nesse momento e a arma disparou. [...] Estão dizendo que o tiro pegou na parte posterior da vítima, e não é verdade, pegou na parte frontal, foi um acidente”, declarou Bordalo, na quarta-feira. Veja o plantão de últimas notícias do G1 Amapá
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