-->

‘É Básico’: falta mobilidade urbana eficiente que integre veículos, ciclistas e pedestres em Macapá

16 Setembro 2020

Especialistas indicam um novo plano diretor para cidades. Série exibida no Bom Dia Amazônia aborda temas básicos que são desafios para futuros prefeitos. Série 'É Básico': falta mobilidade urbana
que integre veículos, ciclistas e pedestres Trafegar em Macapá se torna um desafio por causa da falta de planejamento em um trânsito que integre veículos, ciclistas e pedestres. Esse é uma das dificuldades encontradas pela administração pública municipal, que pode encontrar num novo plano diretor uma mobilidade urbana mais eficiente. Nesta quarta-feira (16), o Bom Dia Amazônia continua a exibir uma série especial de reportagens abordando grandes temas de campanha, que são básicos em qualquer cidade, e um desafio para todos os prefeitos. O tema da vez é mobilidade urbana (veja no fim desta reportagem o que já foi exibido). Veja as últimas notícias sobre as eleições municipais 2020 no Amapá O aposentado Fernando Oliveira é cadeirante e enfrenta várias dificuldades para se locomover pela cidade. Ao sair de casa, encontra calçadas desniveladas e tem que trafegar pela rua mesmo, ao lado dos veículos. No ponto de ônibus não é diferente. Ele mora no bairro Jardim Felicidade, na Zona Norte de Macapá, mas diz que essa dificuldade encontra em quase toda a cidade. “Nas paradas de ônibus que existem aqui na BR-210, tem a sarjeta que impede a gente de subir e ir para debaixo do ponto de ônibus, para pegar uma sombra até o ônibus chegar. Então muitas vezes, quando eu preciso ir em qualquer ponto aqui na BR, há essa dificuldade. Tem que esperar ônibus no sol”, comentou Oliveira. Muitas vezes cadeirantes precisam dividir ruas com carros e motos, sem segurança porque falta acessibilidade em calçadas Reprodução/Rede Amazônica Problemas de mobilidade urbana se tornam comuns e se agravam devido ao crescimento das cidades sem planejamento. Otimizar o tráfego, levando em consideração os pedestres, ciclistas e os veículos, é um dos desafios enfrentados pelo poder público. Para Marcelle Vilar, especialista em conforto ambiental, além de pensar em espaços específicos de tráfego para cadeirantes e pedestres, a gestão ainda precisa garantir a qualidade desses locais. “O cidadão contribuinte precisa ter seu direito garantido de no seu bairro fazer, se ele desejar, pequenos, médios e até longos percursos com tranquilidade. Precisa ter uma estrutura mínima garantida para que essa cidade tenha uso democrático, tenha relações equilibradas. Então precisa de faixa de pedestres, sinalização adequada, calçadas amplas com acessibilidade, piso tátil, coisas que a gente vê que ainda são carentes até mesmo no Centro da cidade”, citou. “É difícil transitar pela cidade. E precisamos também de arborização porque estamos numa região muito quente, numa cidade que recebe grande quantidade de irradiação solar. Só a infraestrutura para o pedestre não vai fazer com que se estimule o uso dessa cidade pelo cidadão”, acrescentou a especialista em conforto ambiental. Macapá tem cerca de 10 quilômetros de ciclofaixa, que não são suficientes Abinoan Santiago/Arquivo G1 Nas ruas encontramos outro problema: a falta de ciclovias e ciclofaixas. Sem um espaço adequado para trafegar, ciclistas encontram vias pouco sinalizadas, e se arriscam no deslocamento pela cidade. A falta de estrutura aliada ao desrespeito no trânsito traz sérios perigos. “É muito importante que a sociedade civil e principalmente o poder público organize ações para que chamem atenção daqueles que estão ao volante, chamem atenção também dos ciclistas para esse convívio adequado. A educação é o melhor caminho, que trará mais benefícios, mas a gente precisa também dizer que a bicicleta deve ser respeitada como meio de transporte, que ela tenha seu espaço e que ele não seja ocupado por veículos, que vem acontecendo muito”, afirmou o ciclista Maurício Guedes. A orla do bairro Santa Inês é uma das regiões mais atrativas da cidade. Apesar dessa área ter atenção dos investimentos públicos, ela não contempla ciclovias ou ciclofaixas. O espaço é bastante frequentado por pessoas para a prática de atividades físicas como a caminhada, a corrida ou o ciclismo. Orla de Macapá é bastante usada para prática de exercícios físicos; e bicicletas precisam dividir ruas com carros, sem segurança Rede Amazônica/Reprodução Arquiteto e urbanista, José Alberto Tostes destaca que, em geral, a concentração dos investimentos são para atender às necessidades dos carros, deixando pedestres e ciclistas em segundo plano. “Quando há novos investimentos no conjunto da cidade, se pensa logo nos veículos, mas desconsidera outros integrantes da paisagem que são o ciclista e o pedestre. Nós não temos, nas últimas 3 décadas sequer, investimentos em ciclovias, nós tivemos alguns exemplos de ciclofaixas. E o mais preocupante disso tudo é que, com a expansão da cidade nos limites das rodovias, você tem um volume de investimentos privados e públicos dos conjuntos habitacionais, mas não tem um metro de investimento em ciclovia”, pontuou. Apesar da concentração de investimentos em pavimentação de ruas e avenidas, os veículos como carros, motocicletas, ônibus, também enfrentam os impactos da falta de planejamento. De acordo com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), em 2019, o Amapá fechou o ano com uma frota de mais de 200 mil veículos; é uma média de um veículo para cada 4 habitantes. O número é 5% maior que o registrado no ano anterior. Veículos na Rodovia Duca Serra, em Macapá Marcelo Loureiro/Secom/Divulgação O aumento na frota de veículos e o crescimento da cidade faz com que alguns gargalos do trânsito fiquem mais aparentes. Por exemplo, na Rodovia Duca Serra há um grande fluxo de veículos, especialmente em horários de pico. Seja a pé, de bicicleta ou outro tipo veículo, trafegar pela cidade pode se tornar uma tarefa difícil se à frente encontrarmos vias mal organizadas. Mas o que os gestores municipais podem fazer para melhorar a mobilidade na cidade? “É exatamente um novo plano diretor que define as melhores estratégias de uso e ocupação do solo, inclusive da mobilidade urbana. O plano de mobilidade urbana deve considerar, na conjugação do planejamento, as melhores perspectivas de integração de todos os elementos da paisagem: o ciclista, o pedestre e os veículos”, ressaltou o arquiteto e urbanista Alberto Tostes. *Reportagem de Jéssica Rabelo com imagens de Ronaldo Brito e produção de João Clésio Silva. Veja o plantão de últimas notícias do G1 Amapá Initial plugin text
We use cookies to improve our website. Cookies used for the essential operation of this site have already been set. For more information visit our Cookie policy. I accept cookies from this site. Agree