-->

Partidos políticos do AM já buscam os 30% de mulheres para as eleições

25 Novembro 2019

MandatA Coletiva”, um grupo composto por mulheres e para pautar um programa municipal feminista em Manaus. | Foto: Leonardo Mota

Manaus – A população brasileira é composta, em sua

maioria, por51,7% de mulheres, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia eEstatística (IBGE). Contrastando com esses números, a representatividade femininaem cargos eletivos não atinge o percentual mínimo estabelecido por lei. Entreos desafios dos partidos nos últimos pleitos, está o de garantir a cota femininaobrigatória de 30%, estabelecida pela legislação eleitoral. Mas, em diretóriospartidários do Amazonas, há pelo menos ensaios para cumprir com a cota com maiorparticipação feminina.

Diante da dificuldade notada desde a instituição daobrigatoriedade da cota, partidos como o Avante (antigo PTdoB) fundaram até núcleosde mulheres com o propósito de dar vez e voz ao segmento. Mais do que mulheresmais experientes na política, a aposta é em rostos novos, como a empreendedoraRayana Pinho, 28, pré-candidata a vereadora pelo Avante. “Todas as mulheres têmchances de vencer. Cada uma tece a sua história de um jeito diferente. Acreditoque não esquecer suas raízes é o essencial para uma vereadora”, avalia Pinho.

O empreendedorismo feminino, a bandeira defendida por Pinho, deriva das ações da pré-candidata, que trabalha com bazares há cinco anos. “Amulher empreendedora amazonense precisa de força. A mulher não tem voz e veznesta pauta. Por meio dessa luta, várias mulheres podem se empoderar, ser donas do próprio negócio, gerir a vida e ser realmente donas de si”, completa.

O empreendedorismo feminino, bandeira defendida pela empresária Rayana Pinho deriva das ações da própria ações da pré-candidata, que trabalha com bazares há cinco anos.
O empreendedorismo feminino, bandeira defendida pela empresária Rayana Pinho deriva das ações da própria ações da pré-candidata, que trabalha com bazares há cinco anos. | Foto: Leonardo Mota

A baixa representatividade também levou partidos como oPsol a reunir coletivos de mulheres em vários espaços de atuação. Essasramificações são responsáveis por defender pautas comuns entre as candidatas. Para a disputa das vagas na Câmara Municipal de Manaus (CMM) do ano que vem, ascandidatas propõem um “Mandata Coletiva”, composto por mulheres e para pautarum programa municipal feminista em Manaus.

A diferenciação da campanha, segundo a assistente socialMarklize Siqueira, concentra os votos, ao invés de criar dissipação entre ascandidatas. “A campanha coletiva é diferente porque não serão váriascandidatas, mas uma bancada de ativistas com um único número de votação. Nossaperspectiva é a melhor possível, pois teremos que enfrentar dois desafios: ocoeficiente de pouco menos de 30 mil votos para eleger um mandato de vereadorae uma campanha com poucos recursos, explica Siqueira.

A diferenciação da campanha, segundo a Assistente Social Marklize Siqueira concentra os votos, ao invés de criar dissipação entre as candidatas. “ A campanha coletiva é diferente porque não serão várias candidatas, mas uma bancada de ativistas com um único número de votação.
A diferenciação da campanha, segundo a Assistente Social Marklize Siqueira concentra os votos, ao invés de criar dissipação entre as candidatas. “ A campanha coletiva é diferente porque não serão várias candidatas, mas uma bancada de ativistas com um único número de votação. | Foto: Leonardo Mota

Uma das apostas para cargo proporcional do Partido daSocial Democracia Brasileira (PSDB) - legenda do prefeito de Manaus Arthur Neto-, a servidora pública Maria Mariano, 33, conta que a sua motivação paraparticipar da vida política surgiu enquanto era estudante de ensino médio emuma escola pública estadual. “Montamos um grupo misto por colegas de turmasdiferentes para apresentar formas propositivas na melhoria dos espaços naescola”, explicou.

A servidora Maria Mariano acredita na vivencia política como um exercício diário, não apenas em partidos ou durante manifestações.
A servidora Maria Mariano acredita na vivencia política como um exercício diário, não apenas em partidos ou durante manifestações. | Foto: Divulgação

A servidora acredita na vivência política como umexercício diário, não apenas em partidos ou durante manifestações. “A políticaexige uma necessidade de organização, para melhor se inserir no processoinstitucional e alcançar as mudanças necessárias. Para isso, as pessoasprecisam de coalizão e contribuição como cidadãos, assim como os agentespolíticos precisam para dar andamento às pautas legislativas”, ressaltou.

Jornada Feminina

O cientista político Helso do Carmo observa que apresença feminina na política é reduzida por fatores inerentes às recentesconquistas na sociedade civil. “As mulheres dentro da sociedade vivem sobtradições machistas, que as discriminam. Esse fenômeno ainda está presente nacultura social e política, assim como no Brasil e no mundo”, diz.

A conquista do voto feminino em 1932, instituído ainda noGoverno Vargas, deu início ao processo de participação da mulher no cenáriopolítico. “A mulher passou a votar em 1934 e, de forma tímida, pois, até antes, ela precisava de autorização do marido. Praticamente apenas com a novaconstituição de 1988, de fato, garantiu-se uma igualdade de direito nos votos.Isso acabou se tornando uma herança, gerando uma cultura de afastamento dasmulheres de decisões políticas”, conclui Carmo.

Candidaturas laranjas

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou em 2016 dadosque apontavam suspeitas de fraude em cerca de 16 mil candidaturas municipais emtodo Brasil. Esses “candidatos” participaram dos pleitos sem receber nenhumvoto, nem mesmo o próprio. Cerca de 14 mil candidaturas femininas estãoenvolvidas nestas fraudes, o número alarmante representa 88% no total.

A reforma eleitoral alterou a disposição sobre o regimepartidário, para facilitar e incentivar a participação feminina nas eleições.Essa alteração determina que 30% dos recursos do Fundo Especial deFinanciamento de Campanha (FEFC), originados do fundo eleitoral de cada partido, teriam de ser destinados a campanhas de mulheres. A decisão também designou otempo destinado às mulheres de cada partido na propaganda gratuita no rádio ena TV seja igual a 30%.

Levantamento

Um levantamento do TSE apontou que, nas eleições municipais no Brasil, em 2016, foram eleitas 641 mulheres, um número equivalente a apenas 11,57% no cargo de prefeitas. O número apresentou queda, se comparado às eleições de 2012, quando elas somaram 659 prefeitas eleitas que, na época, correspondeu a 11,84% do total.

We use cookies to improve our website. Cookies used for the essential operation of this site have already been set. For more information visit our Cookie policy. I accept cookies from this site. Agree