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Setor primário sofre com incerteza na comercialização

18 Abril 2020

Manaus – A atual criseeconômica ocasionada pelo novo coronavírus é considerada por muitos economistasuma das maiores e piores crises já existentes. Isso acontece devido a paralisaçãodos setores do varejo, serviços e

até mesmo alimentício. Um dos setores afetadospela crise e que não paralisou foi o primeiro setor. Atividades comoagricultura, pecuária e extrativismo continuam sendo realizadas diariamentecomo forma de continuar a levar sustento a todo o país.

No Amazonas, osetor sente a retração econômica decorrente da pandemia, principalmente pelaredução do consumo interno. De acordo com o presidente da Federação daAgricultura e Pecuária do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, o setor é consideradoessencial pelos decretos feitos até o momento.

“A produçãorural em nosso Amazonas se mantém em atividade. A agricultura e a pecuária nãopodem parar, a atividade rural teve reconhecimento como atividade essencialtanto por decreto do presidente da república como a nível do Estado, que tambémclassificou como essencial a produção agrícola e pecuária, bem como toda acadeia de fornecimento de insumos, transporte e comercialização”, diz.

Lourenço garantiu ainda que osprodutores estão se protegendo e seguindo todas as recomendações feitas pelasautoridades das secretarias de saúde para se prevenir e evitar contrair ovírus.

O presidente da Agência deDesenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS), Flávio Antony, diz que uma dasprincipais dificuldades encaradas pelos produtores é a incerteza nacomercialização.

“Muitos fizeramo plantio dos produtos e alguns já estão chegando no período da colheita. Asagroindústrias, por exemplo, estão com produtos estocados. Nós entendemos que opoder aquisitivo do brasileiro diminuiu consideravelmente por muitos nãoestarem conseguindo gerar renda, mas essa queda impacta diretamente no trabalhodos produtores”, explicou presidente.

“Venda de Balcão”

Os produtores redobram os cuidados com a higiene e saúde para não serem mais afetados | Foto: Divulgação/ADS

Apesar dasdificuldades enfrentadas no setor, a Companhia Nacional de Abastecimento(Conab) tem recebido uma grande procura para o programa “Venda de Balcão” quevisa suprir a demanda dos pequenos criadores que não conseguem"importar" o milho do estado de Mato Grosso nas mesmas condiçõesdaqueles que compram diretamente no produtor ou nos leilões públicos está combaixa procura mesmo com as atividades funcionando normalmente.

Segundo osuperintendente da Conab, Serafim Taveira, o programa tem vendido 50 toneladasde milho por dia. “Acredito que a procura aumentou devido os nossos valores. Opreço oferecido pelo programa é diferenciado fazendo como que o produtor compreuma saca de 50 quilos a R$51, 85, no mercado o valor varia de R$ 70 a R$ 80reais. Muitos locais estão com o milho em falta então acaba sendo um custobenefício o produtor comprar do programa”, ressaltou.

Atualmente o programaconta com um deposito de 2 mil toneladas de milho e aguarda a chegada de mais500 toneladas. No entanto, o limite de aquisição para cada produtor é de até 10toneladas.

Auxílio

Diante da crisedo Covid-19, o governo estadual lançou no dia 1° de abril, um pacote de medidaspara sustentação econômica do setor primário do Amazonas. As ações focam emreforço ao crédito, aquisição de produção regional, renegociação de dívidas einvestimentos na atividade, sem descuidar de sua sustentabilidadeambiental.

Entre asmedidas também está presente o pedido feito ao Ministério da Agricultura,Pecuária e Abastecimento para ampliar recursos para aquisição de produtos do“Programa de Aquisição de Alimentos” estadual, de R$ 4 milhões para R$ 31milhões. Há ainda a liberação de R$ 25 milhões do FMPS para linhas de créditoAfeam-Agro, Pró-mecanização, Pró-Calcário e Pró-Sementes e Mudas, com 60%destinados ao interior. A redução no preço do milho e a renegociação dasdívidas dos produtores rurais nos bancos oficiais também fazem parte da lista.

Segundo opresidente da ADS, não é possível o governo comprar toda produção existente nosetor até agora, mas que os órgãos responsáveis estão em busca de minimizar osprejuízos que podem acontecer futuramente.

“Primeiramenteserão comprados os produtores que estão na várzea, pois são os que mais corremrisco de perder seus produtos em breve. Produtos que serão doados para quemprecisa. A ADS destinou um orçamento de R$ 6 milhões para realizar essascompras e mais R$ 500 mil para a compra de pescado e a associação continuaráinvestindo no setor após a pandemia para que os produtores possam sereestruturar”, diz.

O presidentedestacou que a ADS irá investir em programas de alimentação, para destinarprodutos de qualidade a merenda escolar como forma de auxiliar tanto osprodutores como a população. A ação deve ocorrer somente após o fim da pandemiaquando as escolas retornarem as atividades.

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