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Rede lutará para fugir da "farsa da polarização" que marcará eleições, diz Heloísa Helena

19 Novembro 2019
Coordenadora da Rede sugere candidatura de Célia Sacramento à CMS | Foto: Raul Spinassé | Ag. A TARDE

A ex-senadora Heloísa Helena coordena a organização da Rede Sustentabilidade no país e

tem em seu caminho a articulação da legenda para as eleições de 2020. Em entrevista ao Portal A TARDE, a política alagoana contou que considera um desafio posicionar o partido em um pleito que deverá ser marcado pelo embate entre direita e esquerda, capitaneadas, respectivamente, pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ex-presidente Lula.

"Estamos trabalhando muito para não sermos levados por essa farsa que está sendo estabelecida nacionalmente por duas grandes lideranças políticas. Elas cultivam, em torno de si, a propagação do ódio e ousam achar que o mundo, a terra e o Brasil giram em torno de ambos", disse.

Para Heloísa, o duelo cria um cenário de disputa com vistas em 2022, quando acontece a eleição para presidente da República. "Eles querem construir uma concepção plebiscitária da eleição municipal para criar um momento da próxima eleição presidencial. Isso é dificílimo para nós, especialmente, pela ausência de estrutura partidária. Mas também se torna difícil para todos porque os dois tentam dar esse caráter plebiscitário em torno da farsa da polarização que ambos construíram", considerou.

Pré-candidatura em Salvador

Na noite desta segunda-feira, 18, a ex-senadora esteve no ato da Rede que marcou o lançamento da pré-candidatura de Magno Lavigne à prefeitura de Salvador.

"Ele vem para a Rede em um momento muito difícil nosso, porque não ultrapassamos a cláusula de barreira e, com isso, temos dificuldades estabelecidas pela legislação eleitoral. Não temos mais fundo partidário, horário político nacional, temos a redução de tempo de participação, isso limita muito a visibilidade pública da Rede", listou.

No cenário de polarização colocado, Heloísa defende o surgimento de outras candidaturas que possam disputar o Executivo com igualdade de forças. "É legítimo e necessário que apareçam outras candidaturas que, igualmente, possam apresentar projetos alternativos para Salvador".

O nome de Lavigne foi anunciado pelo partido dentro de uma conjuntura em que quem surgia como favorita para o posto era a ex-vice-prefeita de Salvador, professora Célia Sacramento. No entanto, Heloísa afirma que a sigla na Bahia teve autonomia para escolher o representante que concorrerá ao Palácio Thomé de Souza, mas sinalizou uma possível candidatura de Célia à Câmara de Vereadores.

"Ela é uma grande lutadora social, uma grande mulher. A informação que tive é que ela estava cumprindo uma etapa de qualificação profissional nos Estados Unidos. Outra informação que sempre tive da Rede aqui é que era importante que ela fosse candidata a vereadora. Quando eu apelo a ela para ser candidata a vereadora, eu não faço como se fosse um espaço menor. Eu faço porque, inclusive, vivenciei isso", disse, refutando a ideia de que cargo de vereador é "menor" do que qualquer outro. "Não entendo que alguém foi preterido em função de outro", frisou.

Ex-senadora afirma que debate sobre a prisão em segunda instância no país não é sério | Foto: Raul Spinassé | Ag. A TARDE

Formação de alianças

Heloísa Helena afirma que a Rede não firmará alianças com base na "medíocre matemática eleitoralista". O foco do partido, ressalta, é buscar aliados com conteúdo programático que tenha pontos convergentes. "Sei que é muito fácil ceder à matemática eleitoralista. Antigamente, se fazia estas atingir coeficiente, mas na majoritária continua fazendo conta para ter tempo de televisão, para articular com lideranças políticas", mencionou.

Mulheres na política

A ex-senadora também falou, durante a entrevista, da representatividade feminina na política brasileira. Para Heloísa, a baixa presença da mulher nos espaços do poder são consequência da falta de formação e da ausência de equipamentos que possibilitem às mulheres ter com quem deixar os filhos ou usufruir de espaços coletivos.

"Nós, mulheres, temos que nos questionar como formamos nossos meninos e meninas. Se temos mais da metade da população do ponto de vista estatístico, e temos uma participação quase que insignificante, embora seja extremamente importante do ponto de vista simbólico, do ponto de vista matemático não se reproduz. Então, tem algo a ver com nós mesmos. Se somos maioria da população e não elegemos as mulheres, tem algo a ver conosco", afirma.

"Existem coisas que impactam diretamente e que criam impossibilidades para que mulheres estejam na política, como a ausência de equipamentos públicos e sociais como creches em tempo integral, restaurantes coletivos, lavanderias coletivas. São coisas que melhorariam muito a vida das mulheres, principalmente na relação de dupla ou tripla jornada", enumerou.

As mulheres, aponta a política, costumam repetir um discurso machista na hora de votar. "Temos que refletir em duas frentes. Uma que possibilite equipamentos públicos sociais para evitar a gigantesca sobrecarga da mulher, a outra é a reflexão sobre aquilo que nós, mulheres, fazemos no cotidiano da formação, na relação com os homens. Nós ajudamos ou prejudicamos nossas meninas e nossos meninos?"

Prisão em segunda instância

Heloísa Helena evitou entrar no posicionamento contra ou a favor a prisão em segunda instância, tema discutido amplamente nos últimos dias em Brasília. Após o Supremo Tribunal Federal (STF) declarar inconstitucional a prisão após condenação em segunda instância, presos da Lava Jato, como o ex-presidente Lula, tiveram a liberdade concedida pelo Judiciário.

Para a ex-senadora, o debate do assunto não está ocorrendo da maneira correta. "O problema é que esse não é um debate sério no Brasil. É uma farsa vulgar onde o debate se reduz à prisão ou liberdade do Lula. Se esse debate fosse sério, não teríamos mais de 40% das pessoas pobres que estão na prisão que não tiverem sequer julgamento em primeira instância. Ninguém venha dizer que estou defendendo estuprador e homicida. Estou dizendo que há milhares de pessoas pobres presas no Brasil porque roubaram uma lata de leite, um shampoo e outras coisas mais, e não tiveram o julgamento na primeira instância. No Brasil, quem recorre à segunda instância não é o pobre. É aquele que tem toda uma máquina de advogados", avaliou.

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