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Palácio Episcopal impressiona pela imponência e faz uma viagem no tempo

06 Dezembro 2019

A primeira sensação de quem cruza a porta do Palácio Arquiepiscopal da Sé, na Praça da Sé, no Centro Histórico, é de estar entrando em um túnel do tempo. Mas há

um contraste entre as paredes antigas do prédio de 300 anos e o cheiro da madeira nova do assoalho e de tinta fresca que exala pelos salões e corredores.

Depois que uma reforma de cinco anos que tentou consertar os estragos de 20 anos de abandono, o palácio que já abrigou os principais bispos e arcebispos do país e era o Centro Administrativo e Pastoral da Igreja Católica está reabrindo as portas. A cerimônia de inauguração acontece nesta sexta-feira (6), às 18h.

(Foto: Betto Jr./CORREIO)

O CORREIO visitou o prédio nesta quinta-feira (5). O vai e vem de funcionários e voluntários ainda era intenso para dar conta dos últimos preparativos. Na entrada de cada um dos muitos salões que compõe o edifício um aviso pedia para que os todos tirassem os sapatos antes de entrar. O cuidado era para não sujar o assoalho novo e brilhoso que reflete a luz do sol que entra pelas janelas. Tudo para que a cerimônia de hoje seja impecável.

A viagem no tempo começa com os móveis. Sofás, mesas e cadeiras são dos séculos XVII e XVIII. Segue pelas pinturas, algumas dos anos 1500, e pelas esculturas, como uma de Nossa Senhora com mais de 400 anos. A história do palácio se entrelaça com a do Brasil. Quando ele foi erguido, no começo do século XVIII, era do Centro Histórico de Salvador que se comandava o país, colônia de Portugal. O prédio foi construído para servir de moradia para os chefes da Igreja e como cúria diocesana.

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Deslize para ver galeria (Fotos de Betto Jr./CORREIO)
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Deslize para ver galeria (Fotos de Betto Jr./CORREIO)

Durante 233 anos, bispos e arcebispos moraram no local, sendo o último deles Dom Augusto Álvaro da Silva (1876-1968), aquele que deu nome à Avenida Cardeal da Silva, na Federação. Ele deixou a morada nos anos 1920 e, por mais 68 anos o prédio ainda foi usado administrativamente. Agora, ele será um centro de cultura, com peças de museu e área para exposições.

(Foto: Betto Jr./CORREIO)

Estrutura
As salas foram construídas para terem comunicação umas com as outras, como era moda na época em que o prédio foi construído. São muitos os corredores e fácil de se perder. Para quem está disposto a explorar é uma experiência e tanto porque cada salão revela uma novidade. Um, todo em amarelo, conta a história da Igreja da Sé. No seguinte, é narrada em fotografias a demolição do templo, e mais à frente a Sala das Devoções apresenta imagens de festas religiosas da Bahia antigas e atuais.

No andar térreo, há uma área disponível para exposições itinerantes e realização de eventos. No momento o espaço abriga uma exposição de presépios da coleção particular do engenheiro e arquiteto Celso Basto de Oliva. Este acervo começou a ser montado em 1948, pelo pai dele, que mantinha a tradição em montar presépios e decorava-os utilizando diversos materiais, como papel, panos, vela, terracota, cristal e pedra-sabão.

(Foto: Betto Jr./CORREIO)

No primeiro pavimento do Palácio há a exposição permanente ‘A Igreja e a formação do Brasil’, com acervo próprio e bens históricos como peças que ficavam na antiga Catedral da Sé, demolida em 1933 para dar lugar a atual Praça da Sé. O palácio também vai expor documentos restaurados, uma história interessante que o Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, conta.

Capela Episcopal Arcebispo Dom Murilo Krieger e padre Abel Pinheiro conversam sobre as obras
(Foto: Betto Jr./CORREIO)

“A ideia que tivemos inicialmente foi trazer para o palácio o Laboratório de Conservação e Restauração Reitor Eugênio Veiga (LEV). Então, os visitantes poderiam ver através do vidro o pessoal trabalhando, restaurando documentos importantes. Trouxemos muitas caixas e empilhamos perto das escadas, mas aí aconteceu o incêndio no Museu Nacional e foi então que percebemos que tiramos os documentos de um prédio mais seguro para trazer para um que o chão é de madeira, sendo que o material que usamos na restauração é inflamável”, contou.

O arcebispo explicou que os materiais usados na restauração dos documentos são inflamáveis e como o palácio é antigo, o risco de perder as peças em um incêndio aumentou consideravelmente. Por isso, foi decidido que alguns registros serão expostos, mas não haverá restauração no local.

No segundo pavimento funciona o Centro Administrativo da Arquidiocese. Nesta área fica a galeria dos Bispos e Arcebispos da Bahia e Primazes do Brasil, a sala de Dom Sebastião Monteiro da Vide, o responsável pela construção do Palácio.

O padre Abel Pinheiro, presidente do Centro Cultural Palácio da Sé, disse estar emocionado.“Foi cansativo, mas valeu muito a pena. Estou feliz e emocionado com o resultado. A restauração do palácio é um ganho não apenas para a igreja, mas, principalmente, para a história, para o povo baiano, e para os turistas”, disse.

Padre Abel Pinheiro
(Foto: Betto Jr./CORREIO)

A restauração foi realizada pelo Instituto do Desenvolvimento Humano (IDH) e contou com uma equipe de voluntários, referências nas suas atividades, como o engenheiro Thales Azevedo, o arquiteto Luiz Humberto Carvalho e a engenheira Ângela Márcia Andrade, entre outros. O investimento foi de R$ 9,1 milhões com recursos do Iphan, mas houve participação também da prefeitura de Salvador, Itaú, Global Participação em Energia e Diocese. O valor da visitação será de R$ 5.


Em breve novidade aqui!!!

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