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Negra de pele clara, modelo do AFD relata como racismo a atingiu desde a infância

08 Dezembro 2019

"Se engana quem acha que o racismo só age diretamente naquela imagem pronta que já temos do que é ser negro no Brasil". É com esse alerta que a modelo Vanessa

Amorim, que participou pela primeira vez do Afro Fashion Day este ano, chama atenção para uma questão ainda pouco discutida: o colorismo.

Negra de pele clara e de olhos verdes, a jovem de 22 anos sempre foi rotulada como parda, denominação com a qual se sentia confortável até mesmo pelos privilégios socioeconômicos a que teve acesso. Ela já havia tentado desfilar na passarela mais negra do Brasil ano passado. Não foi aprovada, e chegou a pensar que isso aconteceu pelo tom de pele.

(Foto: Florian Boccia/ Divulgação)

Por mais que fosse chamada de morena, parda, café com leite, mulata, ela sentia desde pequena o peso do racismo. "Se eu chegasse para um grupo de amigos e dissesse que eu era branca, eles apontavam para o meu cabelo crespo. Se eu chegasse dizendo que era negra, falavam que minha pele não era escura e que meus olhos eram claros. Então, eu nunca me encontrava, ficava perdida", diz.

Foi aos seis anos que alisou o cabelo pela primeira vez. "Eu nem lembro como ele era, mas minha mãe sempre disse que era cheio, difícil de pentear, e eu sempre ouvia piadinhas no colégio das meninas que tinham cabelo liso", recorda. Há cinco anos, quando decidiu ser modelo e entrou em uma agência, ouviu que caso quisesse continuar na área tinha de assumir o cabelo natural. Cortou os fios, e passou pela transição. "Foi a partir desse momento que eu comecei a me descobrir, porque eu tinha medo de saber quem eu era, porque eu sempre ouvi coisas ruins sobre a minha origem".

Leia relato na íntegra na seção Textão

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