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Uso de bebidas energéticas pode aumentar risco de doenças do coração

20 Janeiro 2020

Seja para aguentar a maratona de festas no Verão, para trabalhar sem perder nenhuma delas, ou para focar nos estudos após a noite de sono perdida. O uso das bebidas energéticas

é uma das principais escolhas para quem busca uma dose extra de energia, mas especialistas fazem o alerta: seu consumo pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são as principais causas de mortes no mundo.

“Teve uma vez que pensei que fosse morrer”, lembra a estudante de engenharia civil Lis Matos, 27 anos, sobre o dia em que quase foi parar no hospital depois de misturar energético com álcool, em uma festa. Acostumada com o drink porque gostava do sabor, Lis começou a observar que seu organismo não se dava bem com aquilo e passou a repensar o hábito.

“Sempre passo muito mal quando bebo energético, meu coração acelera muito, não consigo dormir, fechar o olho. É uma angústia, porque você sente sono, mas não consegue desligar. Nesse dia, deu dez horas da manhã e eu ainda estava acordada”, lembra a estudante, sobre o que a motivou a acabar de vez com o consumo, em 2018.

(Foto: Shutterstock/Divulgação)

Apesar do susto, Lis não se arrepende da experiência e diz que tudo é aprendizado. “Me senti mal e parei. Hoje, sempre falo que misturar energético com bebida não faz bem”, resume a estudante que convive bem com outras realidades. Seu namorado, por exemplo, não bebe álcool e por conta disso só bebe energético em festa. Ao contrário de Lis, ele não sente nada.

O mesmo acontece com sua amiga Fernanda Melo, 29, técnica de petróleo e gás, que consome praticamente todo final de semana junto com bebidas como whisky e vodka. “Se meu consumo aumenta no Verão? Com certeza. É festa, né? O que dá pra gente ir, a gente vai. De samba, a sertanejo, passando pelo pagodão”, sorri Fernanda.

Fernanda Melo bebe energético toda semana (Foto: Acervo pessoal)

Riscos
Ao contrário da busca por energia, sua motivação está no sabor. “Tomo mais por gostar, não por necessidade de energia para seguir o dia. Acho muito mais saboroso tomar vodka com energético, por exemplo, ainda mais agora que tem vários sabores como coco e açaí”, explica.

Ciente dos riscos, Fernanda garante que faz exames periódicos duas vezes no ano para monitorar qualquer tipo de risco. Apesar disso, confessa achar que está imune a qualquer problema, já que sempre bebeu e nunca aconteceu nada. “Parece que está tudo sob controle, nunca achamos que vai acontecer com a gente”, reflete. “Mas prefiro não pensar. Vou vivendo dia por dia”, completa.

Acontece que os efeitos colaterais da bebida energética são prejudiciais à saúde. Além de destacar que “o uso mais intenso desses energéticos no Verão tende a causar problemas como arritmias e palpitações”, o cardiologista Maurício Nunes, 73, alerta para o fato de que essa arritmia pode provocar uma parada cardíaca. Além disso, Nunes cita que 95% dessas bebidas são industrializadas e afirma que cada latinha é composta por uma série de substâncias nocivas ao corpo.

“Existe uma grande quantidade de taurina, cafeína e açúcar. Isso faz com que a frequência cardíaca do coração passe de 60 ou 80 para 120. E o que pode acontecer? Se você tem uma irritação no músculo, pode provocar uma arritmia que pode levar a uma parada cardíaca”, explica o médico coordenador da unidade pós-operatória cardiovascular do Hospital Português.

Ao mesmo tempo em que os batimentos do coração aumentam, o profissional explica que há uma diminuição do fluxo de sangue oxigenado para o cérebro. Enquanto a cafeína provoca o aumento da frequência cardíaca, o açúcar em excesso pode provocar uma alteração metabólica no corpo.

“Não existe segurança em qualquer quantidade de energético que você use. Os efeitos colaterais são prejudiciais à saúde”, alerta. Maurício Nunes, cardiologista

Alerta
As pessoas se permitem passar por riscos sem necessidade, na opinião da nutricionista Lívia Barretto, 36, e o uso da bebida energética industrializada está entre eles. “Verão é assim, né: alimentação péssima, consumo de álcool, a pessoa não dorme, vai trabalhar e usa energético”, critica, enquanto destaca que as doenças são silenciosas.

Acostumada a ver pacientes chegando na emergência com taquicardia, desconforto respiratório, coração batendo forte e “sensação de abafamento”, Lívia alerta para o uso de artifícios que tentam manter a mente conectada por mais tempo. Além de ser rica em conservantes e aditivos químicos, uma latinha de energético contém cafeína que pode aumentar a absorção de álcool, elevando até mesmo o risco de intoxicação. “A gente não se cuida mesmo, somos irresponsáveis com a saúde da gente”, acredita Lívia.

“De verdade, eu acho que o mal do ser humano é achar que nunca vai acontecer com ele. Acha mais fácil ver no idoso e no vizinho, até pagar com a própria saúde e tomar um susto”, lamenta.

As pessoas precisam se cuidar mais, em sua opinião, mas a nutricionista diz que não há uma fórmula perfeita. O que se sabe, lembra Lívia, é que o ritmo acelerado de vida, a má alimentação, a falta de atividade física e o estresse formam a “combinação perfeita” para o infarto e os acidentes vasculares cerebrais, cada vez mais comuns entre jovens.

Outro ponto importante é que quanto mais a alimentação for gordurosa, mais inflamado é o corpo da pessoa. “Isso pode fazer ela ficar mais estressada, já que não cria defesa para o organismo”, explica. Por isso, Lívia sugere que se “descasque mais e desembale menos”. Ou seja, evite o alimento industrializado e priorize o natural. “Quanto mais colorido for o prato, mais vitaminas e minerais”, indica.

O cardiologista Maurício Nunes acrescenta que, além da alimentação saudável, quem busca energia em seu dia a dia deve praticar exercícios físicos e se hidratar bem. “Todas essas coisas que dão nutrientes e trazem bem-estar. Nada que lhe estimule do ponto de vista não natural. Viva a vida, mas viva sadiamente, com qualidade de vida”, deixa a dica.

(Foto: Shutterstock/Divulgação)

Alimentos que dão energia

Café
Bebida é fonte de cafeína, que é um estimulante natural. Seu excesso estimula o fluxo de hormônios causadores de estresse, ansiedade, irritabilidade, insônia e tensão muscular. Portanto, a sugestão de consumo é de, no máximo, 400 ml. Ou seja, duas xícaras por dia.

Chás escuros
Assim como o café, os chás escuros são fonte de cafeína. Entre as opções, estão boldo, chá-mate, chimarrão e chá verde. A indicação de consumo também é de 400 ml ou duas xícaras por dia. esse valor refere-se ao consumo ideal de cafeína por dia, independentemente da bebida.

Açaí
Rico em vitaminas, minerais, aminoácidos, antioxidantes e óleos essenciais, o açaí é um alimento energético importante. No Verão, é uma boa opção para as pessoas que buscam energia extra no dia, já que previne infecções, combate o colesterol e protege o coração.

Guaraná em pó
Composto basicamente por cafeína e teobromina, estimula o sistema nervoso central. A cafeína e teobromina ativam as dopaminas, neurotransmissores cerebrais que deixam a pessoa mais agitada e acordada. O excesso provo- ca ansiedade, estresse, irritabilidade, insônia e tensão muscular.

Gengibre
Apesar de não ser um estimulante com cafeína, o gengibre melhora a circulação sanguínea, tem ação anti-inflamatória e melhora disposição do indivíduo. O gengibre é, ainda, um alimento termogênico: ou seja, acelera o metabolismo e isso promove produção de energia.

Canela
Assim como o gengibre, a canela não é um estimulante com cafeína, mas é um termogênico natural. Ao acelerar o metabolismo basal do corpo, este alimento aumenta a temperatura e leva a um maior gasto de energia. Além disso, diminui a fadiga e aumenta a resistência ao estresse.

Chocolate
Assim como o guaraná em pó, este alimento é composto por cafeína e pode conter teobromina, estimulante natural similar à cafeína. O ideal é que o consumo seja de chocolates amargos, com percentual de cacau acima de 70%. Este é rico em flavonoides, que fazem bem ao coração.

(Foto: Shutterstock/Divulgação)

O que é preciso saber sobre o uso do energético

Cafeína
Energéticos são ricos em cafeína, substância estimulante que age no sistema nervoso central, inibindo o sono e, por consequência, deixando o indivíduo em estado de alerta. A cafeína pode provocar o aumento da frequência cardíaca.

Taurina
As bebidas energéticas industrializadas são ricas em taurina, aminoácido que age como transmissor metabólico e fortalece as contrações do coração. Consumida em excesso e a longo prazo, pode provocar arritmias e o aumen- tar risco de acidente vascular cerebral.

Aditivos
Além da cafeína e da taurina, a latinha de energético é rica em conservantes, aditivos químicos e açúcar em grande quantidade. Substâncias nocivas ao organismo, elas podem provocar irritação nos músculos cardíacos e desidratação.

Álcool
O principal risco da bebida energética surge quando está associada à bebida alcóolica, que aumenta o índice de doenças cardíacas. A mistura pode pro- vocar arritmia, insônia e irritabilidade. a cafeína pode aumentar a absorção de álcool e o risco de intoxicação.

Dicas para quem busca uma dose extra de energia

Exercício
O ritmo acelerado de
vida, a falta de atividade física e o estresse formam uma ‘combinação perfeita’ para a ocorrência do infarto. Então, especialistas indicam que a pessoa faça exames periódicos, pratique exercícios físicos, durma bem e tenha alimentação saudável.

Vitaminas
Quanto mais colorido for o prato, mais vitaminas e minerais você vai ter. O fast food - que é rico em carboidrato refinado, açúcar e gordura saturada - aumenta a inflamação do corpo e O organismo inflamando é mais suscetível a cansaço, fa- diga e outros problemas.

Mais energia
Para quem busca energia extra no dia, especialistas indicam não só a prática do exercício físico, mas uma hidratação adequada, uma boa noite de sono e uma alimentação saudável. Alguns alimentos são naturalmente energéticos (confira a lista com alguns deles).


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