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Valorização da Boca do Rio faz procura por imóveis crescer até 12%

22 Janeiro 2020

Há 22 anos morando na Boca do Rio, a professora Maria Eloisa Souza, 46 anos, não se sentia segura para caminhar na orla do bairro à noite, nem para dar um

mergulho na praia logo em frente. “Éramos nós, moradores, presos, e os vândalos soltos”, resume. A expectativa dela, agora, é de voltar a aproveitar o bairro, que já tem aumento de até 12% na procura por imóveis, segundo o Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Bahia (Creci-Ba).

“Agora, a gente vai poder fazer uma caminhada com mais tranquilidade porque tem ali os seguranças do novo Centro de Convenções e tem muita iluminação, que antes não tinha”, diz a professora.

A professora Maria Eloisa Souza mora no bairro há 22 anos
(Foto: Acervo Pessoal)

Mais iluminação e mais movimento já são realidade na região. Esvaziada desde o fechamento do antigo Aeroclube, a mudança já está sendo percebida, e comemorada, por quem mora por lá. “Essa era uma área abandonada, uma área nobre, mas que estava esquecida. É uma área que não tinha nada e que com certeza agora está mais valorizada, com a chegada do Centro”, conta Celso Bonadia, que há 30 anos mora e trabalha na Boca do Rio.

Quem pretende morar por lá, inclusive, já vai encontrar imóveis um pouco mais caros. Dados da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-Ba) apontam valorização na região de 5%.

De acordo com Noel Silva, diretor do Creci-BA, a valorização alcança não apenas a Boca do Rio, mas bairros vizinhos, como Jardim Armação e Costa Azul. Em toda a região, a procura por imóveis já cresceu entre 10% e 12% desde novembro passado, em relação ao mesmo período de 2018.

“A Boca do Rio não é um bairro com muitos empreendimentos com estrutura de condomínio. Então, a procura maior acaba sendo por imóveis comerciais, para bares, restaurantes”, comenta.

Mas, o próprio Noel chama a atenção para a chegada de prédios com novo perfil. “Algo que também vai crescer muito nessa região é o investimento em imóveis para aluguel de temporada. Gente que investe pensando naquelas pessoas que vêm nos eventos, mas não querem ficar em hotéis”, diz.

Novos condomínios
Ainda que não seja, hoje, uma área com grandes imóveis residenciais, isso pode mudar em breve. De acordo com informações da Ademi-Ba, pelo menos quatro novos empreendimentos com estrutura de condomínio no local estão em fase de licenciamento.

“O Centro de Convenções requalificou uma área que estava bastante degradada desde a saída do Aeroclube. A instalação do Centro e do Parque (dos Ventos que fica ao lado), contribuem para que haja essa valorização”, explica o presidente da Ademi-Ba, Cláudio Cunha.

Ele detalha que os novos empreendimentos que surgirão na região vão complementar a valorização da Boca do Rio. “Nesse primeiro momento, o aumento já é perceptível na procura de imóveis para compra e aluguel no entorno. Esses novos projetos, que trazem imóveis mais qualificados, vão valorizar ainda mais a área”, acredita.

Ainda segundo Cunha, a procura já aumentou cerca de 15% na área. “Os novos empreendimentos já vão vir com um preço recomposto, um pouco mais alto do que é praticado na região atualmente, mas o tamanho do aumento depende de cada tipo de equipamento, do que ele vai oferecer”, explica.

Comportamento
Para o secretário de Cultura e Turismo de Salvador, Cláudio Tinoco, o novo empreendimento representa uma retomada para a área. “A região da Boca do Rio foi constituída sob a influência do antigo Centro de Convenções do estado. Com o desabamento da estrutura e o seu fechamento, eles viram o esvaziamento das atividades. A chegada do Centro de Convenções de Salvador resgata a vocação daquela região para recepcionar grandes eventos”, declara.

Morador do bairro desde que nasceu, o vendedor Lucas Queiroz, 23, conta que espera que o Parque dos Ventos resgate a relação que o morador tinha com a região.

“Com esse parque aí, quem conhecia isso aqui antigamente e sentiu falta quando acabou, vai voltar a frequentar”, afirma o jovem.

O vendedor Lucas Queiroz mora na Boca do Rio desde que nasceu e espera que novos equipamentos resgatem relação dos moradores com o bairro
(Foto: Gabriel Amorim/CORREIO)

“A vinda do novo Centro de Convenções trouxe mais gente para usar esse trecho da orla, muitas pessoas se apropriaram mais da região do Jardim de Alah, hoje eu noto mais movimento, atividades ao ar livre”, defende o estudante Rodrigo Caires, 23, morador do Jardim Armação.

Centro de Convenções deve movimentar R$ 500 milhões por ano
Além da valorização de imóveis, o bairro da Boca do Rio tende a ter mais movimentação financeira em decorrência da inauguração de dois equipamentos: o Centro de Convenções Salvador e o Parque dos Ventos, que fica na área vizinha. A expectativa da prefeitura, que investiu R$ 130 milhões no Centro de Convenções, é de que ele influencie na movimentação de R$ 500 milhões ao ano nos mais de 50 setores da economia ligados ao turismo. A inauguração será neste domingo (26).

A GL Events, que vai administrar o equipamento pelos próximos 25 anos, espera a geração de pelo menos 100 novos empregos diretos, podendo chegar a 2 mil, a depender do evento - só para este ano, serão 50 eventos sediados no novo equipamento, que terá capacidade para até 14 mil pessoas simultaneamente em congressos e convenções, além de 20 mil pessoas em área externa. O estacionamento tem 1.460 vagas.

Moradores do bairro também comemoram a possibilidade da geração de mais empregos. “Existem algumas melhorias que beneficiaram o bairro, mesmo porque vai trazer também muito trabalho para jovens desempregados, que é o que mais tem aqui”, diz a professora Maria Eloisa Souza, 46 anos, que diz que a sensação para os moradores é de “contentamento”.

Já os representantes de Agências de Viagens esperam um impacto positivo no turismo de negócios e também de lazer na cidade. De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav-BA), Ângela Carvalho, há esperança pela venda de pacotes.

“Eventos desse porte movimentavam toda a cadeia do turismo e beneficiavam muito as agências de viagem. Os turistas que estão na cidade querem fazer passeios à Praia do Forte, à Ilha dos Frades, Itaparica”, diz.

*Com supervisão do chefe de reportagem Jorge Gauthier

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