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Banho de Mar à Fantasia acontece na Ladeira da Preguiça neste domingo

14 Fevereiro 2020

Uma festa pré-Carnavalesca, que como qualquer outra tem música, protesto e fantasia, mas cujo destino final é o mar. Esse é o diferencial do Banho de Mar à Fantasia, tradicional evento

que ocupa a Ladeira da Preguiça e outras importantes ruas do Centro Antigo de Salvador no domingo que antecede a folia.

O evento, que dura o dia todo, começa cedo, com um cortejo que sai da Ladeira da Preguiça às 12h, sobe a rua da Gameleira, passa pela Carlos Gomes, entra no Dois de Julho, chega à Rua do Sodré e retorna à Ladeira da Preguiça para, no final da tarde, descer para a praia.

A maioria das atrações se dividirá entre o Palco da Praia, localizado na Praia da Preguiça, e o Palco Mirante, situado na Rua Visconde de Mauá.

Na programação, entre palavras de ordem, serpentinas e glitter, estão artistas como a cantora Larissa Luz, o soundystem do Ministereo Público, o afoxé feminino Filhas de Gandhy, o rapper Xarope MC, o grupo cultural de juventude Batekoo, as bandas de samba Vai Kem Ké e Assim Que Se Faz e o bloco afro Ilê Aiyê. Já os Mascarados de Maragogipe e a Fanfarra da Preguiça serão responsáveis por puxar o cortejo que dá início à festa.

Cenário de uma realidade dura, cercada de prostituição, violência e tráfico de drogas, a Ladeira da Preguiça usa a cultura para se transformar cotidianamente. Eternizada em música de Gilberto Gil, não é de hoje que a ladeira encara a arte e a cultura como fatores transformadores da realidade social e política.

"O intuito da festa é político, não é um evento pelo evento, é a oportunidade de dar evidência às nossas lutas, de denunciar a gentrificação que nossa comunidade e o Centro Histórico de Salvador de modo geral têm sofrido", explica Marcelo Teles, coordenador do Centro Cultural Que Ladeira é Essa!, um dos grupos promotores da festa ao lado do Coletivo de Entidades Negras.

Uma dos responsáveis pela revitalização do Banho de Mar à Fantasia em 2013, Marcos Rezende, coordenador do coletivo, destaca que isso aconteceu após um hiato de 20 anos. "Retomamos, mas com a perspectiva de colocar na ordem do dia o processo de violência que a comunidade da Ladeira da Preguiça estava vivenciando: o processo de gentrificação, de abandona, de insegurança e violência policial, de deterioração das casas, algumas das quais chegaram a desabar", elenca Rezende, ao lembrar que não houve mudança no modo como a festa acontecia em meados do século XX.

Foi nessa época que a Ladeira da Preguiça se tornou parte significativa da história do Carnaval de Salvador, com o nascimento de blocos como as Muquiranas (cuja primeira sede era no local), As Kuviteiras, Nega Maluca, Ritimistas do Samba, entre outros.

(Foto: Reprodução/ Instragram)

Ano passado, o evento cresceu devido ao patrocínio de uma grande cervejaria, atraindo 20 mil pessoas durante todo o dia. Em 2020, mesmo não tendo conseguido o aporte financeiro, a expectativa da organização acerca do público segue sendo alta. "Com o esforço coletivo, conseguimos manter o padrão. Os artistas são parceiros e se dispuseram a cantar por acreditar no que a gente consegue produzir de política pública e de cultura", diz Marcelo Teles.

O Banho de Mar à Fantasia também conscientiza o folião sobre o lixo no mar e os cuidados para que um carnaval mais sustentável e respeitoso com o meio ambiente. Devido à proporção que o evento tomou, outra preocupação é de que ele continue acolhendo as pessoas que vivem no entorno. "Temos muitas pessoas em situação de rua, usuárias de substâncias psicoativas, e também queremos que elas se divirtam. Nossa luta é pela garantia de direitos de todos", complementa Teles.

Participar da festa é um desejo antigo de Larissa Luz, que estreia esse ano como uma das atrações. "Sempre quis fazer e ir, e nunca tinha rolado. Tenho vários amigos com depoimentos incríveis sobre a edição passada, e isso me deixou ainda mais animada em participar. Eu gosto do conceito da festa, que aproveita o dia, a energia solar, do Verão. Além disso, adoro essa coisa da fantasia, acho que tem tudo a ver com o Carnaval", comenta. No repertório do show, músicas dos seus dois discos, releituras canções de blocos afro, além de algumas do repertório de Elza Soares. "Tudo para frente, tudo animado, para a galera lavar a alma", promete.

Também pela primeira vez no evento, o Samba Vai Kem Ké comemora o fato de estar na grade de atrações. "Já participamos como foliões, e é uma alegria imensa poder integrar a programação dessa festa que dialoga muito com o nosso trabalho. Uma festa feita para todes, com muita irreverência, alegria e gente disposta a brincar. Nosso samba é muito isso. A gente preza por fazer um trabalho em que possamos agregar e abraçar o maior número de pessoas que estejam dispostas a trocas felizes e intensas", diz uma das sambadeiras do grupo formado por 11 integrantes, Rafaela Mustafá.


Em breve novidade aqui!!!

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